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Terça, 12 de maio de 2009, 17h37

'Máquina de perguntas' da web deve estrear na semana que vem

Miguel Helft

Cada novo serviço de busca que surge precisa enfrentar a inevitável pergunta - "mas é melhor que o Google?". O WolframAlpha, um novo e poderoso serviço de buscas capaz de responder a ampla gama de perguntas, se tornou um dos produtos de web mais aguardados do ano. Mas seu criador, Stephen Wolfram, quer deixar algo bem claro: a despeito dos rumores que o comparam ao Google, seu serviço não pretende destronar o rei das buscas.

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"Eu não aprecio esse exagero todo", disse Wolfram, cientista e empresário conhecido e fundador da Wolfram Research, a empresa que vem discretamente desenvolvendo o WolframAlpha, em Champaign, Illinois. O serviço de Wolfram não conduz buscas em páginas da web e não ajudará a descobrir horários de filme ou a encontrar eletrônicos para comprar.

Em lugar disso, computa respostas às pesquisas com base em enormes volumes de dados coligidos pela empresa. O serviço pode responder rapidamente sobre fatos como o índice de massa corpórea médio para um homem de 40 anos, se a Space Needle de Chicago é mais alta que a Torre Eiffel ou se a maré está alta em Miami agora.

O WolframAlpha, que deve estar disponível para o público em http://www.wolframalpha.com na semana que vem, ainda não está pronto. Trata-se da primeira versão funcional de um projeto em curso há anos e que continuará a evoluir por mais alguns anos ou até décadas. Em sua forma atual, há muito que ele não consegue responder.

Mas ainda que descarte comparações com o Google, Wolfram, uma criança prodígio que publicou seu primeiro estudo sobre física de partícula aos 15 anos e ganhou fama como criador do software Mathematica, que trabalha com fórmulas, gosta de alimentar as expectativas sobre o seu novo serviço. "Creio que o WolframAlpha tenha o potencial de se tornar muito importante", diz.

O objetivo de criar um sistema de computador capaz de responder perguntas atraiu muitos pesquisadores nas últimas quatro décadas, sem que eles conseguissem realizá-lo. Alguns veteranos do setor dizem que Wolfram pode chegar mais perto da resposta do que qualquer de seus predecessores.

"De muitas maneiras, criar um sistema como esse é o objetivo supremo de muitos cientistas, há muito tempo", diz Nathan Myhrvold, antigo vice-presidente de tecnologia na Microsoft e fundador da Intellectual Ventures, uma empresa de investimento que controla uma carteira de patentes.

"É algo que veio a ser considerado impossível", diz Myhrvold. Mas o WolframAlpha demonstrou que "não se trata de tarefa impossível, e sim muito difícil", acrescentou. "Envolve aplicar inúmeros truques, para a solução". Doug Lenat, especialista em inteligência artificial que fundou a Cycorp, uma empresa que passou os últimos 15 anos desenvolvendo um sistema que permite que computadores funcionem com um raciocínio semelhante ao humano, disse que o WolframAlpha tem a capacidade de lidar com "número astronômico de perguntas", e pode um dia se tornar um dos sites mais procurados da web. "Tem o potencial de se tornar um site dominante, como o Google", disse Lenat.

Os serviços de buscas tradicionais, como o Google e o Yahoo, em geral são eficientes em localizar informações já existentes na rede. Se há páginas de web que utilizem as palavras empregadas em uma busca, os serviços as localizam e ordenam por relevância.

O WolframAlpha é diferente. Para começar, não recolhe dados da Web. Sua "base de conhecimento" em lugar disso é composta por imensos calhamaços de dados, que variam de informações como as que se poderia encontrar em um almanaque a dados altamente especializados de física e outras ciências. Esses dados foram recolhidos, verificados e organizados por cerca de 100 funcionários da Wolfram Research em um trabalho de anos.

Quando um usuário digita uma busca, o WolframAlpha tenta determinar a área de conhecimento relevante e encontrar respostas, muitas vezes realizando cálculos com base em seus dados. Se a busca for "LDL 120", o serviço responderá com um gráfico que mostra a distribuição de níveis de colesterol nos Estados Unidos, e a porcentagem de pessoas acima e abaixo dessa marca. "Se a busca for LDL 120 homem 33", o resultado será ajustado para se concentrar naquele sexo e faixa etária.

Em resposta a "qual é a distância entre a Lua e a Terra", o WolframAlpha calculará a distância exata com base em um algoritmo que computa a sempre mutável distância entre os dois corpos. O sistema que computa as respostas toma por base o Mathematica.

No seu estado atual, há muitas perguntas que o WolframAlpha não é capaz de responder, porque não as compreende ou não dispõe de dados. Por exemplo, buscas como "índice de obesidade", "preços de moradia Nova York" e "desemprego San Francisco" ficam sem resposta (mas o programa responde a "desemprego condado de San Francisco").

"Ele será muito bom em certas áreas e incompleto em outras", diz Nova Spivack, presidente-executivo da Radar Networks, que usa inteligência artificial e outras técnicas para ajudar pessoas a encontrar conteúdo de web interessante e relevante para os usuários.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times

Rick Friedman /The New York Times
Wolfram, criador do buscador homônimo, não compete com o Google. Ele quer apenas organizar as informações na internet
Wolfram, criador do buscador homônimo, não compete com o Google. Ele quer apenas organizar as informações na internet

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