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Tecnologia

 
 

Site lista 10 lançamentos mais frustrantes da década

24 de maio de 2009 16h35 atualizado em 25 de maio de 2009 às 10h52

 Site diz que a Palm teve dificuldade para manter seu sucesso. Foto: Getty Images

Site diz que a Palm teve dificuldade para manter seu sucesso
Foto: Getty Images

O site 24/7WallSt.com listou 10 lançamentos de tecnologia que, considera, foram as maiores frustrações da última década. A seleção inclui a Palm e o site de vídeos YouTube, assim como o player Zune da Microsoft e o HD-DVD, entre os gadgets e tecnologias que não fizeram o sucesso esperado. Para o site, são exemplos de diversos dos mais bem financiados e anunciados lançamentos de tecnologia na última década que terminaram em fracasso.

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Para entrar na lista, explica o artigo, o produto ou companhia tinha que ser amplamente conhecido e disponível para o público, dirigido para um grande mercado global. Tecnologicamente igual ou superior aos competidores, também tinha que ter a possibilidade de render bilhões de dólares com base nas vendas de produtos similares ou concorrentes. Finalizando, precisaria não ter alcançado o potencial que seus criadores esperavam - e que o público e a imprensa foram levador a crer que era possível. Confira os dez itens.

Vista
O Microsoft Vista foi lançado mundialmente em 30 de janeiro de 2007, e era a mais recente geração do carro-chefe da maior empresa de software do mundo. Criado para aperfeiçoar a segurança do sistema operacional mais usado no mundo, suas funções não eram muito melhores que as das versões anteriores do Windows, diz a maioria das resenhas sobre o software. O Vista também não era compatível com diversos PCs mais antigos, o que limitou o número de usuários dispostos a fazer um upgrade da versão anterior, o XP. Muitos analistas disseram que o Vista também roda mais devagar no PC do que o XP. Estes e outros fatores fizeram com que o Vista não fosse visto como realmente melhor que seu predecessor. De acordo com a Net Applications, em abril o Vista rodava em 24% do mercado global de PCs e o Windows XP, 62%.

Gateway
A Gateway, fundada em 1985, foi uma das mais bem sucedidas companhias de PC nos Estados Unidos. Suas vendas quadruplicaram em 1990 e em 2004 era a terceira no mercado norte-americano, atrás da HP e da Dell, e tinha 25% do varejo de PCs. Mas três anos depois estava em tão má forma que a Acer pode comprá-la por US$ 710 milhões. O fracasso da Gateway pode ser creditado a diversos fatores, começando pela relutância em entrar no negócio de laptops. Seus negócios em desktops eram fortes na primeira parte da década, mas ela não entrou em computadores portáteis com a velocidade dos concorrentes. Também demorou a entrar nas vendas de PCs para empresas. A Gateway tentou diversificar entrando no mercado de eletrônicos de consumo, mas os lucros foram pobres e a decisão apenas feriu ainda mais as margens da empresa.

HD-DVD
O HD-DVD era um dos dois formatos para os DVDs de alta definição, o outro era o Blu-ray. Defendido pela Toshiba e Nec foi lançado em 2006. Segundo analistas, a companhia gastou quase US$ 1 bilhão antes de abandoná-lo, em 2008. Há diversas razões para o HD-DVD ter perdido a batalha para o Blu-ray, da Sony. Uma das mais mais citadas é que a Sony fez um trabalho melhor convencendo os grandes estúdios de cinema (aliás, ela é dona de um dos maiores) a lançarem seus filmes em alta definição no formato Blu-ray. Para os analistas, o Blu-ray ganhou a briga ao conquistar o apoio da Warner Brothers.

A Toshiba também tem diversas razões para explicar o fracasso do formato, e uma das mais citadas é que o negócio de downlad de vídeos baixou as vendas dos tocadores de DVD - mas isso deveria ter prejudicado igualmente o HD-DVD, diz o site. Não há análises definitivas sobre porque o Blu-ray sobreviveu e o HD-DVD, não. Mas, diz o site, uma coisa é certa. A Sony estava disposta a continuar investindo mesmo que o futuro dos discos de alta definição não estivesse assegurado - e este risco segue existindo, pois o Blu-ray ainda não é padrão nos sistemas de entretenimento doméstico.

Vonage
A Vonage pode ser considerada a avó da tecnologia de voz sobre IP (VoIP). Hoje, diz o site, está relegada a uma nota de rodapé no crescimento da indústria atualmente dominada por produtos de operadoras e serviços gratuitos como o Skype, que tinha 450 milhões de usuários registrados no final de 2008 e receita de US$ 551 milhões. A eBay, dona do Skype, planeja fazer oferta pública de ações da companhia no primeiro semestre de 2010. No primeiro trimestre deste ano, a Vonage foi teve lucro mínimo com receita de US$ 224 milhões, um achatamento se comparado ao mesmo período do ano anterior.

Usando capital de risco, a Vonage anunciou agressivamente seus serviços como uma alternativa barata aos telefones padrão. E foi tão bem sucedida que levantou US$ 531 milhões com uma oferta pública de ações em maio de 2006, com preço de oferta de US$ 17. Sete meses depois, pressionada pela concorrência do cabo e ganhos pobres, valia US$ 1. A Vonage também enfrentou processos em função de patentes que lhe custaram dezenas de milhares de dólares. A Vonage não cresce; em contraste, a gigante dos cabos Comcast hoje tem 6,8 milhões de clientes VoIP e ganhou quase 300 mil no último trimestre.

YouTube
O YouTube é o maior site de compartilhamento de vídeo do mundo. De acordo com a ComScore, 99,7 milhões de usuários nos Estados Unidos viram 5,9 bilhões de vídeos no YouTube em março deste ano. O Google comprou o YouTube em novembro de 2006 por US$ 1,55 bilhão e há uma grande chance de que a companhia nunca venha a ter retorno deste investimento: o canal de vídeo não mostrou um modelo para ganhar dinheiro nem com venda de anúncios nem cobrando por conteúdo premium, mesmo que tenha imensa audiência e enorme quantidade de conteúdo. Grande parte dos vídeos postados tem tão pouca qualidade, diz o site, que os anunciantes se mostram relutantes em ligá-los às suas mensagens.

O Google já disse que o lucro do YouTube "não é material". A Forbes estima que as vendas de 2008 do site foram de US$ 200 milhões. Bear Stearns coloca o lucro doméstico do YouTube em 2008 em US$ 90 milhões. Recentemente, o Credit Suisse estimou que o YouTube vai perder US$ 470 milhões este ano principalmente por causa do custo de armazenamento e largura de banda necessários. O The New York Times escreveu recentemente que "enquanto o YouTube, assim como outras marcas da nova mídia como MySpace, Facebook e Twitter, é visto como líder no desafio às companhias de mídia tradicionais, a empresa se esforça para lucrar com sua popularidade digital". Ou seja, diz o site, o YouTube é grande, mas isto não faz dele um sucesso.

Sirius e XM
O rádio via satélite Sirius XM supostamente seria um dos mais bem sucedidos dispositivos eletrônicos de consumo de todos os tempos. Inicialmente, o serviço foi planejado para não ter comerciais.O assinante poderia ouvir mais de cem estações de costa a costa ao volante de seu veículo ou usando uma versão portátil do dispositivo.

Em setembro de 2001 a XM Satellite Radio lançou seu serviço. No fim do ano, tinha quase 28 mil assinantes, que passaram a 350 mil no final de 2002 e somavam 5,9 milhões no final de 2005. Neste período, a companhia acumulou centenas de milhares de dólares em débitos para cobrir despesas de capital, déficit operacional, de vendas e custos de marketing.

Analistas imaginavam que ela seria altamente lucrativa assim que chegasse a mais de 10 milhões de assinantes. A rival Sirius lançou seu serviço em julho de 2002. Nos cinco anos seguintes, teria um pouco menos de assinantes que a XM Satellite Radio, mas cresceria quase tão rápido quanto aquela. E a Sirius também se endividou para suportar as operações.

Em fevereiro de 2007, rendendo pouco, as duas companhias anunciaram a fusão. A Comissão Federal de Comércio analisou o pedido por 13 meses, enquanto as companhias sangravam. O crescimento de assinantes estava em ritmo bem mais lento, principalmente por causa dos novos e mais populares dispositivos de entrentenimento como o iPod da Apple e celulares multimídia. No primeiro trimestre de 2009, o número de assinantes para os serviços combinados caiu para 400 mil ante os 18,6 milhões registrados no trimestre anterior. Nem a Sirius nem a XM renderam sequer dez centavos.

Zune
A Microsoft lançou seu tocador Zune em novembro de 2006, acreditado que poderia competir com o iPod da Apple, que estava no mercado desde 2001 e dominava os negócios de tocadores multimídia e download de músicas. A Apple já vendera mais de 100 milhões de iPods quando o Zune chegou ao mercado. A companhia de Bill Gates podia conseguir acordos de licenciamento com os quatro maiores selos musicais.

As vendas foram terríveis nos nos primeiros meses após o lançamento. Segundo a Bloomberg Television, do lançamento até a metade de 2007, apenas 1,2 milhão de Zunes haviam sido vendidos. Em maio de 2008, a Microsoft anunciou ter vendido 2 milhões de unidades desde o lançamento. O The Wall Street Journal noticiou que o Zune rendeu US$ 85 milhões durante a temporada de festas de 2008 comparados aos US$ 185 milhões do mesmo período no ano anterior. O iPod rendeu, no último trimestre de 2008, US$ 3,37 bilhões. Na análise do site, a Microsoft, com acesso a especialistas em desenvolvimento de hardware como qualquer outra companhia e capital para suportar orçamentos maciços para lançar novos produtos, falhou completamente em sua tentativa de pegar parte do grande mercado do iPod.

Palm
A Palm produzia tanto um dispositivo portátil sem fio e um sistema operacional para dispositivos portáteis e desktops. Em 1996, lançou o Palm Pilot como um organizador pessoal. Em 1999, lançou o Palm V. O smartphone Palm Treo foi desenvolvido pela Handspring, que a Palm comprou. No penúltimo trimestre de 2007, a Palm vendeu 470 mil unidades do Treo, 160% acima do mesmo período no ano anterior.

Neste ponto, três companhias dominavam o mercado de smartphones: Palm, Research in Motion - fabricante do Blackberry, e a Nokia. No penúltimo trimestre de 2007, as vendas do Treo tinham passado a 689 mil unidades, mas as do Blackberry chegaram a quase 3,2 milhões e o recentemente lançado iPhone da Apple vendeu mais de um milhão de unidades no mesmo período após seu lançamento em 29 de junho.

A Palm, uma das pioneiras no mercado de smartphones, não foi capaz de continuar seu sucesso, diz o site. Alguns analistas apontam o fato de a Palm ter demorado para perceber que os consumidores queriam voz e dados sem fio no mesmo aparelho. A empresa também sofreu com atrasos em seus produtos. A companhia, diz o site, parece não ter conseguido traduzir sua liderança em um tipo de dispositivo para o outro.

Iridium
A companhia global de telefonia via satélite Iridium chegou à bancarrota em 1999, depois de gastar US$ 5 bilhões para construir e lançar sua infra-estrutura de satélites para oferecer serviço mundial de telefonia sem fio. Para funcionar apropriadamente, o sistema necessitava de 66 satélites. A criação deste enorme sistema ajudou a endividar a companhia, e o serviço angariou apenas 10 mil assinantes. Em parte, isso se deveu às dificuldades técnicas com os primeiros dispositivos.

Segundo um estudo de caso da história da Iridium, feito pela Darthmour Tuck Business School em 1998, a companhia previa ter 500 mil assinantes no ano seguinte. Mas o serviço era caro para os assinantes e o negócio da telefonia celular tinha começado a tomar conta com infra-estrutura instalada na maior parte dos países desenvolvidos. O serviço de celular não estava globalmente distribuído mas era de longe mais barato.

As dificuldades de tecnologia também tornaram o serviço da Iridium impopular: os assinantes não conseguiam usar o serviço dentro dos seus carros, em prédios e em muitas áreas urbanas.

Segway
O Segway foi lançado em 2002. "Ele será para o carro o que o carro foi para o cavalo", disse o chefe da companhia, que investiu cerca de US$ 100 milhões no desenvolvimento do veículo de trasporte pessoal de duas rodas no qual o usuário, de pé, controla o dispositivo também com o equilíbrio do próprio corpo.

Mas a Segway não entendeu que o preço do seu "patinete eletrônico" - em torno de US$ 3 mil para a maioria dos modelos e de US$ 7 mil para outros - era muito alto para criar uma base massiva de consumidores. Outro grande imprevisto é que o Segway em alguns países foi classificado como um veículo de estrada e seu uso requer licença, enquanto em outros lugares é ilegal usá-lo em rodovias. De 2001 até o final de 2007, a companhia vendeu apenas 30 mil unidades do Segway.

Redação Terra