Alan Kennedy, 54 anos, nunca havia usado sites de rede social até ser demitido de seu emprego como engenheiro em novembro. Então, ele fez o que é agora aconselhado a muitas pessoas atrás de emprego: ele montou perfis no Facebook e LinkedIn. Em março, após vários meses deprimentes de busca, Kennedy recebeu um "jobvite", um e-mail convite para se candidatar a um emprego.
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O convite veio de um ex-colega de trabalho que havia ido trabalhar na Hubspot, uma empresa com sede em Cambridge, no Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, que vende softwares de marketing com base na web. A Hubspot havia aberto vagas e estava oferecendo bônus para que seus funcionários ajudassem a preenchê-las.
O ex-colega de trabalho de Kennedy, Brian Karbel, usou uma ferramenta de software para pesquisar as informações dos perfis de amigos no Facebook e de contatos no LinkedIn. Ele colocou Kennedy como um possível candidato ao emprego. Kennedy, que vive na região de Boston, respondeu ao convite, marcou uma entrevista e, em uma semana, estava trabalhando como engenheiro de suporte na empresa. "Consegui um emprego do qual nunca teria ouvido falar de outra forma", ele disse.
Até recentemente, era mais provável que o Facebook fosse visto como uma barreira para conseguir um emprego. Histórias de alerta circulam sobre ofertas de emprego rescindidas após um empregador descobrir conteúdo inadequado na página de um candidato no Facebook. Usuários de redes sociais foram aconselhados a limpar suas páginas pessoais quando estivessem à procura de emprego, para que potenciais empregadores não encontrassem fotos ou comentários inapropriados.
Mas agora, páginas pessoais, perfis e redes sociais estão servindo cada vez mais como canais para empresas que buscam preencher vagas de emprego. Para explorar os contatos das redes sociais dos funcionários atrás de potenciais contratações, uma empresa pode pagar por serviços de companhias como Appirio ou Jobvite, cujos serviços foram utilizados por Kennedy. Ambas têm sede na região de São Francisco.
Uma empresa contratante que usa o produto da Appirio pede que seus funcionários adicionem um aplicativo às suas páginas no Facebook. A ferramenta irá notificá-los de novas vagas abertas e de quais amigos podem ser bons candidatos.
"A ferramenta de combinação da Appirio vem com uma lista de amigos cujos cargos, localizações geográficas e outras palavras-chaves são compatíveis com as vagas disponíveis na empresa, e o funcionário pode enviar a eles uma indicação no Facebook", disse o vice-presidente de gestão de produtos da Appirio. A ferramenta de combinação tem acesso à mesma informação que um amigo do Facebook.
Um amigo que recebe a indicação pode se candidatar ao emprego se estiver interessado. Se a pessoa for contratada, a empresa pode usar o serviço da Appirio para rastrear o funcionário que encontrou o candidato e oferecer um bônus pela indicação.
Para resolver questões de privacidade, a lista de possíveis candidatos fica disponível apenas para o amigo/funcionário e não para a empresa contratante ou o fornecedor do software. "Os amigos do Facebook de alguém não querem que suas informações pessoais sejam vistas por quaisquer empresas que eles não tenham especificamente autorizado", disse Nichols, "por isso, para proteger sua privacidade, a lista de candidatos não é enviada de volta para a empresa contratante ou reutilizada de qualquer maneira."
A Jobvite oferece um serviço similar com um alcance maior. Enquanto o software da Appirio pode atualmente pesquisar contatos do Facebook, a ferramenta da Jobvite pode pesquisar contatos do Facebook, LinkedIn e Twitter. "E qualquer um que recebe um Jobvite pode pesquisar em suas próprias redes sociais e passar a vaga adiante", disse Dan Finnigan, chefe-executivo da Jobvite. "Os funcionários sempre indicaram amigos para vagas. Nossa tecnologia apenas faz a combinação para eles."
É possível rastrear quem enviou a indicação a um candidato contratado para oferecer um bônus, mesmo se o Jobvite tiver passado de uma caixa de e-mail para outra até seis vezes. A Total Attorneys, de Chicago, começou a utilizar o Jobvite quando a ferramenta de recrutamento foi introduzida em março. A Total Attorneys presta serviços de marketing e realiza tarefas administrativas, como a preparação de pedidos de falência, a firmas de advocacia.
Ed Scanlan, chefe-executivo da Total Attorneys, disse: "Amigos dos nossos funcionários têm maior probabilidade de possuir as mesmas características de nossos funcionários ― trabalhadores, inteligentes -, por isso já passaram por um filtro natural."
Em um período de seis semanas nesta primavera americana, a Total Attorneys contratou 21 novos funcionários. Onze vieram de indicações de funcionários, e destas, quatro vieram de buscas do Jobvite nas redes sociais, ele disse.
Gladys Stone, recrutadora corporativa de São Francisco, diz que é inteligente o fato de empregadores explorarem as redes sociais dos funcionários. Isso acelera o processo de referência pessoal e amplia o campo, já que muitos usuários de redes sociais têm centenas de amigos ou contatos em suas redes, ela disse.
E enquanto alguns podem se sentir incomodados pelo fato de o software de uma empresa desconhecida estar pesquisando perfis, Stone diz que a maioria sabe que a informação na Web pode ser usada de maneiras inesperadas, e que o LinkedIn, em particular, é feito para disponibilizar informações profissionais.
Scanlan disse que o recrutamento através das redes sociais de seus funcionários é uma progressão natural do uso que tem sido feito nos últimos anos do site Craigslist e de sites de emprego. Ele espera fazer desse recrutamento de base parte da cultura da empresa. "Isso está além do departamento de RH", ele disse. "Todos os funcionários deveriam ser recrutadores de talento."
E Nichols disse que, em um ambiente de alto desemprego, amigos querem ajudar uns aos outros a encontrar empregos. Embora Stone veja o valor das novas ferramentas, ela também aconselha às pessoas atrás de emprego a tomar a iniciativa. "Use seus sites de redes sociais para fazer contato e dizer a todos que você sabe qual tipo de emprego está procurando. Não dá para ficar sempre esperando receber um convite."
Tradução: Amy Traduções.

- The New York Times


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