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Quinta, 4 de junho de 2009, 13h48

GPS comum acompanharia melhor os vôos, dizem analistas

Michael Tarm

Se você se perder na mata, o celular que carrega no bolso pode ajudar seus colegas de acampamento a encontrá-lo. Se você cair em um buraco com seu automóvel, o sistema GPS de bordo ajuda as equipes de emergência a identificar o local do acidente. Mas quando um vôo transcontinental está sobrevoando uma porção do oceano distante da costa, ninguém em terra sabe exatamente onde ele está - no ar ou, pior, na água.

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O desaparecimento do vôo 477 da Air France, com 228 pessoas a bordo, sobre o Oceano Atlântico, esta semana, levou os críticos do controle de tráfego aéreo por radar a renovarem seus apelos aos governos dos Estados Unidos e outros países para que acelerem a adoção de redes baseadas no sistema GPS que prometem rastreamento preciso de todos os aviões. Os radares atualmente em uso são ineficientes quando um avião está a mais de 320 quilômetros da terra.

"A tecnologia está disponível - temos esse sistema há 15 anos, e pouco aconteceu", disse Michael Boyd, um analista de transporte aéreo do Colorado. "Meu BlackBerry pode ser usado para me rastrear; por que não fazermos o mesmo com os aviões?"

Funcionários do governo norte-americano vêm discutindo o estabelecimento de uma rede de rastreamento aéreo por GPS desde os anos 90, e a tecnologia está sendo testada em certas porções do país, entre as quais o Alasca e ao largo da costa do Golfo do México. Algumas poucas companhias aéreas, como a Southwest, já usam o GPS para ajudar seus aviões a encontrarem pousos mais rápidos e economizar combustível.

Mas a implementação plena, cujo custo estimado é de US$ 35 bilhões, está sendo retardada devido a atrasos na liberação de verbas e disputas quanto a detalhes técnicos complexos. Embora Ray LaHood, o secretário do Transporte, tenha afirmado que o projeto estará entre as maiores prioridades da Administração Federal da Aviação (FAA) no governo Obama, o sistema de radar existente deve continuar em uso por pelo menos mais uma década.

"O sistema que temos em uso agora é cru", disse Robert Poole, um especialista em aviação da Reason Foundation, uma organização que promove o livre mercado. "Uma pessoa pode comprar um sistema de GPS por US$ 100, colocá-lo em seu carro e saber exatamente onde está, mas os aviões não contam com isso".

Alguns países europeus e asiáticos estão avançando rapidamente quanto ao estabelecimento de dispendiosos sistemas de satélites. Mas muitos outros ficaram para trás, entre os quais o Brasil, de onde o malfadado vôo da Air France decolou no domingo.

Os atuais sistemas de controle de tráfego aéreo não permitem que os controladores vejam um vôo transoceânico no radar até que esteja a menos de 320 quilômetros de terra. Os controladores em lugar disso muitas vezes estimam a posição no aparelho com base em seu horário de partida e plano de vôo. Esse tipo de imprecisão faz com que os aparelhos fiquem vulneráveis em emergências, como aterrissagens na água, de acordo com Boyd.

"Se um aparelho pousa na água e há sobreviventes, pode ser que não seja possível chegar a eles em tempo", diz. "Se um avião foi seqüestrado no meio do Oceano Atlântico, só saberíamos quando ele aparecesse em algum lugar inesperado".

A falha de sistemas elétricos que supostamente aconteceu no vôo 477 teria desativado todos os sistemas de GPS mesmo que o aparelho estivesse equipado com essa tecnologia. Mas, com um sistema de controle via satélite, as equipes de resgate saberiam a posição exata em que a falha ocorreu, o que presumivelmente permitiria demarcar uma área muito menor de buscas e ajudaria as autoridades a localizar os destroços mais rápido. Essa precisão também poderia ajudar a determinar as causas de uma queda.

A qualidade dos serviços de radar varia de país a país. Por exemplo, muitos dos centros de controle de vôo dos Estados Unidos pelo menos permitem que os aviões enviem atualizações mais freqüentes sobre suas posições, mesmo que estejam além do alcance dos radares.

Mas sobre os oceanos, especialmente nos imensos pontos cegos que existem sobre o Atlântico nas rotas aéreas entre os Estados Unidos e a Europa, os pilotos não têm outro recurso a não ser chamar os centros de controle pelo rádio a intervalos de cerca de uma hora com estimativas de suas posições. Essas chamadas são frustrantes para os pilotos, especialmente na América do Sul e nos mares adjacentes, porque a cobertura de rádio e radar da região pode ser precária, diz Vaughn Cordle, um piloto aposentado de linha aérea que vive na região de Washington.

"Não existe nada pior do que passar pelo doloroso exercício de tentar conversar no rádio com alguém para informar onde você está", disse Cordle. "A região sul-americana pode ser ainda mais perigosa porque os pilotos ocasionalmente ficam sem contato".

Um avião que esteja com duas ou três horas de atraso em seus contatos pode se provar o pior pesadelo para um controlador de tráfego aéreo, diz Pat McDonough, do controle de tráfego aéreo de Nova York.

"É muito perturbador para um controlador de vôo perder um avião - você fica se sentindo responsável", ele diz. "Minha simpatia está com os sujeitos que acompanhavam aquele vôo da Air France".

Os proponentes de um sistema GPS para o controle de tráfego aéreo afirmam que um benefício adicional que teria beneficiado diretamente o vôo 477, desaparecido em meio a um cinturão de tempestades de raios, seria o fato de que esse tipo de sistema permite coligir informações em todo o mundo e oferecer mapas meteorológicos em tempo real aos instrumentos de bordo dos aviões, o que ofereceria aos pilotos uma ferramenta melhor para que determinassem como navegar de modo a evitar o mau tempo.

"A questão é: se tivermos um sistema GPS capaz de monitorar os trajetos de aviões, vidas poderiam ser salvas?", indaga Boyd. "E a resposta a isso seria claramente afirmativa".

Tradução: Paulo Migliacci ME

AP

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