Atualizada às 09h57 Em novembro de 2008, o jornalista americano David Rhode, do New York Times, foi sequestrado pelo Talibã no Afeganistão, junto com um repórter local e seu motorista. Depois de sete meses, Rhode conseguiu fugir de seu cativeiro, e o sucesso dessa empreitada pode ter a ver com a não divulgação de seu paradeiro ou de quem ele era por nenhum veículo de mídia, inclusive o site Wikipédia.
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Assim que soube do sequestro de seu jornalista, o New York Times resolveu manter segredo sobre o ocorrido, pois caso o movimento extremista Talibã soubesse do valor que Rhode representava aos Estados Unidos, poderia iniciar negociações com troca de prisioneiros, colocando sua vida em risco. "Quanto melhor o perfil do cativo, mais atenção ele recebe de seus captores - e menores são as chances de um final feliz", escreveu Matthew Sparkes no blog do site PC Pro.
Enquanto Rhode planejava sua fuga, o jornal em que trabalha começou uma luta para evitar que a informação fosse divulgada, e conseguiu que 35 canais de notícias não falassem nada a respeito do sequestro. Porém, havia um veículo muito difícil de ser controlado: a Wikipédia, feita colaborativamente por usuários e famosa por furar grandes sites de notícia em acontecimentos passados.
Após uma negociação com os editores da enciclopédia online, novas inserções foram controladas para que não trouxessem informações sobre Rhode, e qualquer citação sobre o jornalista era apagada. Um colaborador anônimo, do estado da Flórida, tentou publicar artigos sobre Rhode durante todo o período e ficou furioso com a censura. Como ele era anônimo, os editores da Wikipédia não podiam contatá-lo diretamente para explicar o motivo da intervenção, noticiou o TechCrunch.
"Por várias vezes os usuários publicaram atualizações sobre o sequestro na página de Rhode da Wikipédia, apenas para tê-las apagadas. Muitas vezes a página foi paralisada para prevenir edições - um jogo de gato e rato que claramente irritou as pessoas que estavam tentando espalhar a notícia do ocorrido", disse Richard Perez-Pena, repórter do New York Times, em uma nota.
Jimmy Whales, co-fundador da Wikipédia, falou no mesmo artigo: "Nós só conseguimos ajudar realmente porque a informação não apareceu em nenhum lugar que poderíamos considerar como fonte confiável. Teria sido muito difícil se isso tivesse acontecido". Todas as edições censuradas basearam-se na "desculpa" de que não haviam fontes de onde a notícia vinha, algo obrigatório na Wikipédia.
No final de junho, o jornalista conseguiu escapar do Talibã junto com o repórter local Tahir Ludin. O motorista que os acompanhava resolveu se juntar à organização que o sequestrou. Quando soube do sucesso da operação, Jimmy Wales afirmou em seu Twitter que esse esforço pode ter salvo a vida de Rohde. "Eu estou realmente orgulhoso de todos os 'Wikipedians' que tornaram isso possível, talvez tenhamos salvo a vida dele", disse.
Perez-Pena divulgou apenas no último dia 28 a fuga e todo o ocorrido envolvendo David Rhode, incluindo seu percurso pelo planeta e o sucesso de sua chegada aos Estados Unidos. Foram sete meses escondendo notícias a respeito do paradeiro de seu colega.
Mas a dita imprensa livre parece estar dividida. Inúmeras notícias e, especialmente, artigos de opinião publicados após sua fuga do cativeiro fazem a mesma pergunta: é válido censurar a Wikipédia e omitir informações nos grandes canais com a desculpa de ajudar a salvar uma vida? Sites como o Tech.Blorge e o Fast Company questionam a integridade e a imagem da enciclopédia depois do caso.
O fato mais importante observado em todo o acontecimento foi a união de veículos tão diferentes em prol de uma vida e também do sucesso da edição por parte dos membros da Wikipédia. Segundo o site PC Pro, hoje em dia não é mais possível o controle das informações e da mídia como era antigamente, e cita como exemplo o atual conflito no Irã. Mesmo com os esforços do governo voltados para atrapalhar o sistema de comunicação, a população conseguiu uma forma de se comunicar com o mundo, e invadiu canais públicos como o Facebook e Twitter. Manter a Wikipédia amordaçada foi, portanto, um feito que talvez nunca mais possa ser repetido.
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AP
David Rhode conseguiu escapar em junho, depois de sete meses de cativeiro
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