Atualizada às 14h08 Dois softwares desenvolvidos em laboratórios brasileiros ajudam deficientes auditivos a seguir o ritmo de músicas. Os programas trabalham com estímulos visuais e táteis, e podem ser utilizados no computador ou em celulares.
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O BPM Counter dá dicas de ritmo a partir de oito quadrados negros dispostos na tela do computador. Em uma música acelerada, os quadrados se colorem de vermelho para marcar batidas. Se o ritmo for lento, quadrados azuis se alternam no monitor. O deficiente pode, então, seguir a repetição deles com movimentos de pés ou mãos, por exemplo.
Segundo a pesquisadora Teumaris Buono Luiz, idealizadora do projeto que desenvolveu os softwares, os programas podem ser usados tanto em terapia como para diversão. O VMP Counter, feito para aparelhos celulares, faz o mesmo que o BPM Counter, mas por meio de vibrações.
Para as pistas de dança
Com ele, a velocidade do ritmo é "traduzida" ao celular. A portabilidade, principal característica deste software, promete dar grande liberdade a deficientes que queiram dançar em uma festa. Atualmente, a maneira mais comum de perceber músicas sem a audição é estar em contato com as caixas de som, o que isola a pessoa do grupo e da pista de dança.
O desafio agora é convencer fabricantes e operadoras a implantar o programa em seus produtos. A equipe de Teumaris está apresentando o software, mas ainda não obteve respostas positivas. "Estamos na expectativa do interesse das operadoras de telefonia celular para disponibilizá-los nos celulares de uma forma abrangente, sem custo adicional", diz ela. Hoje, apenas os protótipos dos pesquisadores têm o VPM instalado.
Construídos entre 2006 e 2008, BPM e VPM são fruto de uma parceria entre o Departamento de Atividade Física Adaptada da Unicamp (Universidade de Campinas) e do grupo Imago, do Departamento de Informática da UFPR (Universidade Federal do Paraná). O BPM Counter está disponível para download no site http://www.imago.ufpr.br/linux_acessivel/bpmcounter/.
O time está aprimorando a interface dos dois softwares para incluir avatares de símbolos da Libras (Língua Brasileira de Sinais), para aumentar a acessibilidade das ferramentas.
Teumaris trabalha com deficientes auditivos desde 1997, quando passou a acompanhar um grupo da Primeira Igreja Batista de Curitiba. No campo acadêmico, estuda a aquisição do ritmo e pesquisa melhores métodos para ajudar surdos a desenvolver essa capacidade.
O internauta Wagner Guidi, de Limeira (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
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Divulgação/vc repórter
Programas são frutos de pesquisas para desenvolver ritmo de surdos
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