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Editoras debatem impacto de livros em versão eletrônica

16 de julho de 2009 15h48 atualizado às 15h56

A maioria dos livros é lançada primeiro em papel, e depois na versão eletrônica. Foto: The New York Times

A maioria dos livros é lançada primeiro em papel, e depois na versão eletrônica
Foto: The New York Times

Os fãs do escritor Dan Brown esperaram seis longos anos por The Lost Symbol, a continuação do fenomenal sucesso de vendas O Código da Vinci, e agora o lançamento do livro em versão capa dura está marcado para o dia 15 de setembro.

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Mas a editora ainda precisa decidir uma questão: os consumidores que preferirem ler o novo romance em versão eletrônica terão de esperar ainda mais?

Trata-se de uma questão que a editora de Brown, o Knopf Doubleday Publishing Group, ainda está considerando, enquanto planeja o lançamento do trabalho que espera venha a ser uma sensação em termos de vendas. Mas Suzanne Herz, porta-voz da Knopf Doubleday, informa apenas que a companhia ainda não chegou a uma decisão sobre quando será lançada a versão eletrônica da obra.

Há outras editoras trabalhando para preparar seus cronogramas de lançamentos na temporada editorial de final de ano. A Twelve, uma divisão do grupo Grand Central Publishing, afirmou que ainda não definiu a data para o lançamento da versão em livro eletrônico de True Compass, as memórias do senador Edward Kennedy, que chega às livrarias em versão capa dura no dia 9 de outubro. A Twelve anunciou uma primeira tiragem de 1,5 milhão de cópias para o trabalho.

Não existe tópico debatido de maneira mais acalorada nos círculos editorais norte-americanos, no momento, do que as datas de lançamento, a fixação de preços e o impacto mais amplo dos livros eletrônicos sobre a situação financeira das editoras e do varejo de livros. As editoras vêm enfrentando dificuldades para determinar as datas de lançamento de versões eletrônicas de seus títulos, em parte porque ainda estão tentando descobrir de que maneira as edições digitais afetam a demanda pelas versões em capa dura de um livro. Um título em capa dura tipicamente é vendido por entre US$ 25 e US$ 35, enquanto o preço mais comum para um livro eletrônico terminou rapidamente por se fixar em US$ 9,99.

A Amazon.com, que vende edições eletrônicas de muitos títulos para o seu leitor eletrônico Kindle, foi na prática a responsável por estabelecer o preço de US$ 9,99, que se aplica à maioria dos best sellers; as editoras, de sua parte, tendem a acreditar que esse preço vá reduzir suas margens de lucro, em longo prazo. A Barnes & Noble, operando por meio de sua subsidiária Fictionwise, também vende best sellers em formato eletrônico, por US$ 9,95.

Herz informou que a Doubleday estava acima de tudo preocupada com a segurança do conteúdo do novo livro de Brown, que está sendo conservado sob o mais completo sigilo até a data oficial de publicação, em 15 de setembro. Mas ela reconheceu que o possível efeito do lançamento de uma versão eletrônica sobre as vendas do mesmo título em capa dura era uma questão que estava em consideração, entre diversas outras.

De forma semelhante, o escritor Stephen King, cujo novo romance, intitulado Under the Dome, sairá em novembro pela Scribner, uma das divisões do grupo editorial Simon & Schuster, afirmou em mensagem de e-mail que "estamos todos pensando e conversando sobre o mercado de livros eletrônicos e sobre como lidar com todas essas questões", mas acrescentou que "não posso dizer nada a respeito por enquanto".

Até o momento, o escritor John Grisham não permitiu que qualquer de seus livros fosse lançado em forma eletrônica. Mas, de acordo com seu agente, David Gernert, Grisham decidiu recentemente que sua editora, a Diubleday, estaria autorizada a lançar uma versão digital de Ford County, uma coletânea de contos que chega às livrarias em versão capa dura no dia 3 de novembro.

Stuart Applebaum, porta-voz da Random House, maior editora mundial de livros de ficção e controladora da Knopf Doubleday, disse que a abordagem padrão adotada pela companhia era a de lançar as versões eletrônicas no mesmo dia do lançamento de um título em capa dura.

Mas ele declarou que "temos discutido periodicamente a possibilidade de ou retardar ou acelerar o lançamento das versões eletrônicas", em base de título a título. Algumas das subsidiárias da Random House, de fato, assumiram o compromisso de lançar versões digitais simultaneamente com as versões em capa dura, para títulos de John Irving, E. L. Doctorow e Jon Krakauer.

Muitas editoras preferem não comentar publicamente sobre suas discussões internas referentes à possibilidade de retardar o lançamento de versões eletrônicas de um livro, especialmente nos casos dos trabalhos dos escritores de best sellers, cujos títulos vendem centenas de milhares e até milhões de cópias em capa dura.

O final deste ano representará um período de testes especialmente fértil para esse tipo de discussão, porque muitos dos escritores mais vendidos dos Estados Unidos estão lançando livros. King, Michael Lewis, Michael Chabon, Barbara Kingsolver e Pat Conroy têm livros com lançamento marcado para o período.

Pelo menos uma editora já decidiu retardar o lançamento da versão eletrônica de um livro que está por chegar às livrarias, com o objetivo de salvaguardar a demanda pela versão em papel. A Sourcebooks, uma editora independente, está lançando Bran Hambric: The Farfield Curse, um romance infantil, em setembro, na versão capa dura. Mas a versão eletrônica do título só chegará ao mercado seis meses mais tarde.

Dominique Raccah, presidente-executiva da Sourcebooks, afirma que seu objetivo é impedir que a versão eletrônica roube vendas à versão em capa dura. "Se uma pessoa observa um livro como consumidor e tem de avaliar se prefere a versão que custa US$ 27,95 ou a que custa US$ 9,95, e decidir qual das duas deveria comprar", diz Raccah, "a decisão obviamente não será difícil".

Raccah afirmou que, porque grupos de varejo como a Amazon estabeleceram um padrão para o preço dos livros eletrônicos, na cabeça dos consumidores, a editora agora só pode influenciar a equação ao controlar a data na qual uma obra é lançada em outros formatos. Decidir retardar o lançamento de uma versão eletrônica, na opinião dela, é o equivalente à prática usual de só lançar uma versão em formato de livro de bolso, mais barata, seis meses depois da versão em capa dura.

Depois que o Wall Street Journal informou que a Sourcebook havia decidido adiar o lançamento da versão eletrônica de Bran Hambric, muitos blogs criticaram a empresa por sua atitude.

Mike Shatzkin, fundador e presidente-executivo da Idea Logical, uma consultoria que orienta editoras quanto a questões relacionadas a formatos digitais, disse não acreditar que os compradores de livros eletrônicos estejam roubando vendas às versões em capa dura. "As pessoas que leem livros eletrônicos não costumam comprar livros em papel, e as pessoas que compram livros em papel não compram livros eletrônicos", ele disse. Os livros eletrônicos por enquanto continuam a responder por apenas 1% a 2% das vendas totais de livros nos Estados Unidos.

Por enquanto, a Amazon está aceitando um prejuízo em cada livro eletrônico que vende, porque em geral paga às editoras metade do preço de capa de um livro em capa dura, no caso dos novos lançamentos. Por isso, as editoras que adiam o lançamento de livros eletrônicos correm o risco de perder vendas, com as quais elas no momento vêm obtendo margens de lucro superiores às dos livros em papel.

Andrew Herdener, porta-voz da Amazon, afirmou que os usuários do Kindle "esperam que os novos lançamentos estejam disponíveis em versões para o aparelho, e continuaremos a trabalhar com afinco para atender a essas expectativas".

Evan Schnittman, vice-presidente de desenvolvimento de negócios na Oxford University Press, disse que a ideia de edições que chegam simultaneamente ao mercado mas oferecidas a preços diferentes era profundamente incômoda para as editoras.

Mas, ele disse, "não acredito que seja possível reter conteúdo que o público deseja. Tenho certeza de que, quando um consumidor decide adquirir um Kindle, está tomando a decisão de se tornar também um consumidor de livros eletrônicos".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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