O Google pode ser responsável pelo mais popular dos serviços de busca mundiais, mas sua influência tem limites. Quando se trata de colocar um aplicativo desenvolvido pela empresa no iPhone, ao que parece o Google tem de esperar pela aprovação da Apple na fila, como todo mundo mais - e também enfrenta o risco de rejeição.
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Nas últimas semanas, a Apple rejeitou dois aplicativos submetidos pelo Google para revisão, na esperança de que fossem oferecidos na App Store, a loja online de aplicativos da empresa, o que destaca a complexidade cada vez maior no relacionamento entre as duas companhias.
O Google anunciou em um posto em seu blog, na semana passada, que a Apple havia rejeitado um aplicativo chamado Google Latitude, que teria permitido que usuários transmitissem sua localização e verificassem as localizações de seus amigos.
"Nós trabalhamos em estreito contato com a Apple para levar o Latitude ao iPhone de uma maneira que a Apple via como a mais apropriada aos usuários do iPhone", afirmou o Google, acrescentando que a Apple havia solicitado que, "para evitar confusões", fosse desenvolvida uma versão do aplicativo na web, com fácil acesso para aparelhos móveis. A Apple temia que surgisse confusão entre o Latitude e o serviço padrão de mapas do iPhone, que também utiliza dados cartográficos do Google.
E na terça-feira, uma porta-voz do grupo, Sara Jew-Lim, anunciou que semanas atrás a Apple havia rejeitado um aplicativo que levaria o serviço Google Voice ao iPhone. Lim se recusou a acrescentar detalhes.
O Google Voice oferece aos usuários recursos de telefonia gratuita ou de baixo custo, mensagens de texto gratuitas, encaminhamento de chamadas e um sistema universal de correio de voz. Existem aplicativos do Google Voice em uso nos aparelhos BlackBerry e em outros celulares equipados com o sistema operacional Android, desenvolvido pelo Google.
Jennifer Bowcock, porta-voz da Apple, se recusou a comentar o assunto. A rejeição do aplicativo para o Google Voice foi reportada inicialmente pelo blog TechCrunch.
A Apple também rescindiu a aprovação anteriormente conferida a diversos aplicativos desenvolvidos por terceiros que operavam com o Google Voice, alegando preocupação quanto à possível duplicação de funções internas do iPhone.
Analistas e especialistas do setor afirmam que a proibição ao Google Voice pode ter sido causada pela crescente preocupação da AT&T, a operadora de telefonia móvel exclusiva do iPhone nos Estados Unidos, quanto aos potenciais danos que o serviço poderia causar à sua receita.
"O resumo da história é que o território da AT&T está sob ameaça", disse Gene Munster, analista sênior de pesquisa no banco de investimento Piper Jaffray. "Isso demonstra que, em termos contratuais, a Apple concordou em manter de fora do sistema aplicativos que prejudicariam os negócios da AT&T, não importa quem os tenha desenvolvido".
Michael Coe, um porta-voz da AT&T, se recusou a comentar.
Os telefonemas feitos pelos usuários do Google Voice são realizadas por meio das redes regulares de telefonia móvel, mas para um número especial, do qual são encaminhados via internet aos telefones de destino.
Isso significa que eles utilizariam minutos nos planos dos assinantes com a AT&T, ao contrário do que acontece com o aplicativo do iPhone para o serviço de telefonia via internet Skype. Mas o aplicativo para Skype só funciona em rede Wi-Fi, nos Estados Unidos, e não permite telefonemas por meio da rede de dados da AT&T.
É possível que a AT&T considere o Google Voice como ameaça mais séria que o Skype, disse Jeff Pulver, chairman da 140 Character Conference, que trabalha há muito no segmento de telefonia via internet. "Não creio que as pessoas venham a optar pela Skype como sua operadora primária de telefonia", disse Pulver. "Mas o Google, em sua competência tática e estratégica, pode ter despertado medo na AT&T".
As rejeições da Apple a aplicativos costumam atenuar um pouco o brilho que o iPhone adquiriu desde que se tornou plataforma lucrativa para programadores externos. O longo e opaco processo de aprovação para levar qualquer coisa à App Store há muito é causa de frustração para os usuários e programadores do iPhone.
Sean Kovacs, 25, um programador de Tampa, Flórida, criou o GV Mobile, um dos aplicativos do Google Voice que foi retirado da App Store. Ele afirmou que estava criando versões para o Palm Pre e outros concorrentes do iPhone, agora. "Meus dias de programar para o iPhone provavelmente ficaram para trás", disse.
Por enquanto, ele está distribuindo seu aplicativo para o iPhone por meio do Cydia, um site que distribui milhares de aplicativos e modificações não autorizados para o iPhone. "Eu prefiro distribui-lo de graça a não vê-lo em uso por ninguém", diz. Kovacs.
É evidente que o Google não é um programador qualquer interessado o iPhone. Eric Schmidt, o presidente-executivo da empresa, é parte do conselho da Apple. Mas o sistema operacional Android, criado pela companhia e ainda não adotado em larga escala pelos fabricantes de celulares, pode um dia ameaçar o iPhone.
A Apple e o Google "são concorrentes, mas podem cooperar em certos projetos", disse Shaw Wu, analista da Kaufman Brothers. A questão, afirma Wu, é por quanto tempo essa boa vontade se manterá à medida que elas reforçam sua concorrência em muitas áreas, entre as quais celulares inteligentes, navegadores para a web, ferramentas de edição fotográfica e veículos de mídia online.
Tradução: Paulo Migliacci ME

- The New York Times


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