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Tecnologia

 
 

Crescem rumores sobre novo produto da Apple

10 de agosto de 2009 16h34

Aberto em um ângulo de 110°, um dos lados serve de teclado virtual e base enquanto o outro passa filmes ou navega na internet. Foto: Geek

Aberto em um ângulo de 110°, um dos lados serve de teclado virtual e base enquanto o outro passa filmes ou navega na internet
Foto: Geek

Existem alguns boatos que não querem morrer. Durante anos falou-se do sucessor do Newton (descontinuado em 1998), coisa que só virou realidade com o lançamento do iPhone, em 2007. Um Mac Tablet também é algo que vem sendo esperado desde que a Microsoft lançou o Tablet PC, em 2001. Afinal, em uma plataforma cultuada por designers, nada mais óbvio que um laptop-tela onde você pode desenhar. Mas o Tablet PC nunca saiu da condição de produto de nicho, coisa na qual a Apple não tem interesse faz muito tempo. A Apple hoje só faz produtos de massa. Entretanto, há pouco mais de dois anos, alguns coreanos espertos descobriram que um laptop minúsculo e fraquinho era tudo que boa parte da humanidade precisa para ser feliz. Algo para email, web e Office, que custe metade do preço de um laptop "de verdade". Junte a isso uma crise mundial e temos um novo fenômeno nas mãos: os netbooks.

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No decorrer deste ano, a Apple várias vezes deixou bem claro que não pretende lançar um netbook. Durante uma palestra, em abril desse ano, Tim Cook, executivo-chefe de operações da empresa, destilou seu desprezo aos equipamentos: "quando olho para o que está sendo vendido no mercado de netbooks, eu vejo teclados restritivos, telas muito pequenas, uma porcaria de hardware e péssimo software". Na apresentação de resultados do último trimestre, reforçou sua posição: "eu nunca descarto nada para o futuro, mas os netbooks não são robustos, falta-lhes poder de processamento, têm telas pequenas e péssimos teclados. Muitas pessoas não estão felizes com isso". Completou dizendo àqueles que querem um computador pequeno para ver seu correio eletrônico ou para navegar na internet, que deveriam procurar um iPhone ou um iPod touch.

Mas, ao mesmo tempo, a Apple limpou a parte de baixo da sua linha de portáteis, subindo os MacBooks de nível e os equiparando aos MacBook Pro. Hoje não existe nenhum laptop Apple abaixo de US$ 1 mil, fora o velho MacBook branquinho (cujo design remonta ao mais velho ainda iBook), que pede por uma aposentadoria. Ou seja, há um espaço na faixa de US$ 500 a US$ 1 mil que precisa ser ocupado para a Apple não perder esse mercado. Mas o que colocar nele que não pareça um MacBook Pro com problemas glandulares?

Os cegos e o elefante
Recentemente, os boatos sobre um produto Apple para ocupar esse espaço cresceram em quantidade e qualidade. Jornais respeitáveis como Financial Times e The New York Times soltaram notas a respeito e um "analista veterano" (cujas iniciais podem, ou não, ser WM) afirmou ao Wall Street Journal ter mexido no aparelho. Representantes de editoras, da indústria de cinema e música também deram com a língua nos dentes, apesar dos contratos de não-divulgação que assinaram.

Em cima dessas pistas, sites de boatos e macmaníacos do mundo inteiro partiram para disputar seu jogo favorito: "Acerte o One More Thing". A equipe da Macmais também não pode deixar de participar. Seguindo a velha parábola indiana dos cegos que tentam descobrir como é um elefante apalpando seu dorso, rabo e pernas, tentamos adivinhar o que vem por aí. Pedimos a dois colaboradores, Rainer Brockerhoff e Mario Amaya, que dessem seu palpite sobre o que vai ser lançado. Rainer tem em seu currículo a participação no desenvolvimento do único clone de Macintosh feito à revelia da Apple do mundo, o Unitron. Mario é um macmaníaco de longa data, dono de uma das maiores coleções de Macs antigos e atualmente edita o site da revista Photoshop Creative. Juntos, montaram o nosso protótipo. Se não for um produto que já existe nos laboratórios da Apple, com certeza é algo que será inventado no futuro ou em uma dimensão paralela.

O nome
Infelizmente já existe um iTablet, mas é um produto muito ruim. Isso não foi problema para a Apple com o iPhone, marca que já era usada pela Cisco em um produto que não tinha nada a ver com o celular da Apple. Mas não foi nada que um caminhão de dólares não conseguisse resolver. Mesmo assim, o nome é ruim. Não tem o mesmo apelo, concisão e sonoridade de iMac, iPod e iPhone. Nosso palpite? iBook, claro! "The new improved and revolutionary iBook". Afinal, como veremos a seguir, uma das killer apps do bicho é ler livros. E, como vimos, o nome iBook está vago na linha de produtos.

Killer App
Todo produto Apple revolucionário que se preze precisa satisfazer um desejo que todos temos mas nem sabíamos até tocá-lo. Ter todas as músicas do mundo e o Google no seu bolso, por exemplo. O iTablet (perdão, iBook) traz como "aplicação matadora" ser o primeiro computador projetado para leitura de livros, jornais e revistas eletrônicas. Sim, sabemos que quando a Amazon lançou o Kindle Jobs deu uma de raposa e as uvas e disse que "ninguém mais lê". Mas conhecemos seu Jobs. Sabemos que suas frases de efeito são tão literais quanto um koan budista.

O novo iBook vai ser um e-Reader e muito mais. Você vai poder comprar ou assinar sua publicação favorita por ele e receber imediatamente e poder ler na cama, no banheiro, na rua, na praia, na fazenda ou numa casinha de sapê. A tela não vai ser tão confortável quanto o ePaper do Kindle, mas vai ter vantagens comparativas enormes. Por exemplo, vai permitir que esses livros e revistas tenham músicas e vídeos de alta definição embutidos. Uma mistura de CD-ROM multimídia com o jornal do Harry Potter. Ah, sim, o nosso iBook também vai ser o melhor e menor aparelho para ver filmes em HD. E rodar todos os trilhões de programinhas para iPhone. E ser melhor que o PSP para games.

Design
Aparentemente, o formato de tablet é meio inevitável. A tecnologia multitouch do iPhone pede um uso em algo maior que um celular. Colocar uma tela multitouch em um iMac ou MacBook é um erro crasso de usabilidade que a Apple (ao contrário da HP) não cometeria (suja a tela, cansa o braço etc.). Sim, todos querem um computador gestual, mas ninguém sabe como fazê-lo. O fomato tablet tem sérios problemas: é grande demais para caber no bolso ou para operar com apenas uma mão como o iPhone; deitado em uma mesa fica em um ângulo muito desfavorável para o uso cotidiano e ficaria pior ainda se colocado de pé, como um iPortarretratos. Caiu no chão? Perda total, já que a tela não teria nenhuma proteção. Basicamente, seria um iPodão ou um MacBook sem teclado. Nada menos Apple que isso.

Além disso, tablets não são nenhuma novidade revolucionária. A própria Microsoft relançou a idéia em 2006 com o projeto Origami, depois rebatizado de UMPC (Ultra Mobile PC). Quase todos os fabricantes de UMPCs já descontinuaram seus produtos, devido as vendas pífias. O motivo? Preço e usabilidade. Ninguém paga mais por um produto que faz menos que outro, só porque ele é menor e mais bonitinho. Felizmente a Apple já aprendeu essa lição há muito tempo, com o Power Mac G4 Cube.

Dentre todos os problemas do formato tablet, o input de texto é o pior de todos. Reconhecimento de escrita é algo que até hoje não deu muito certo, basta perguntar a qualquer dono de TabletPC com Windows. Canetinha stylus a Apple já jogou no lixo. Digitar em um teclado virtual na mesma tela em que você lê também não é nada ergonômico. Mas confiamos que a Apple deve resolver o problema. A especialidade de seus engenheiros e designers é identificar um problema e quebrar a cabeça até resolvê-lo.

Nossa sugestão? Um tablet com tela dupla, a la Nintendo DS. Um aparelho dobrável do tamanho de um pocket book eliminaria os principais problemas de um tablet. Fechado, as telas estariam protegidas. Aberto em um ângulo de 110 graus, um dos lados poderia se transformar em um teclado virtual enquanto o outro passa filmes ou navega na internet. Poderia ser aberto e lido na vertical como um livro ou virado totalmente a 360 graus para permitir que uma das telas fosse utilizada como um grande touchpad multitouch para controlar games com dois dedos atrás e dois na frente, por exemplo (a Apple tem uma patente para isso). Ainda no terreno das patentes inéditas, a Apple pode incorporar uma câmera na própria tela, o que permitiria videoconferência ou aplicações de realidade aumentada.

Temos que confessar que a ideia não é nossa (nem da Nintendo). Há um vídeo futurista encomendado por uma editora francesa que mostra exatamente esse produto como o futuro dos livros. Você pode vê-lo aqui.

Hardware
Como o Novo e Intergalático iBook vai ser feito para tocar vídeos em HD, ele deve ter uma tela de pelo menos 720 pixels de altura. A tecnologia de e-paper, ótima para leitura, não tem velocidade suficiente para rodar um sistema operacional como o OS X, muito menos filmes e games. Para conseguir uma boa combinação de espessura, desempenho, alto contraste e baixo consumo, a única opção existente é o AMOLED, uma tela OLED de matriz ativa que permite leitura até sob a luz do sol. Nosso aparelho teria uma tela de OLED touch com espessura de 2 mm, 10 polegadas diagonais, resolução de 1280 × 720 e densidade de 160 ppi (pixels por polegadas) ou mais, o que daria uma tela extraordinariamente nítida, de cair o queixo. Suas dimensões seriam a de um livro normal: 18 × 12 × 1,5 cm, pesando algo entre 300 a 500 gramas. Terá memória sólida com tamanhos de 32 e 64GB.

Uma boa plataforma para rodar filmes HD em aparelhos minúsculos é a Ion, da NVIDIA, que une um chipset de vídeo GeForce 9400M com um processador Atom, da Intel. Mas se utilizá-la, a Apple vai estar apenas seguindo Acer, Lenovo e dezenas de outros fabricantes que estão lançando netbooks com a plataforma Ion. O mais provável é que ela inclua um processador desenhado pela PA Semi, justificando finalmente a compra desta "butique de processadores" e retardando o aparecimento de cópias no mercado em pelo menos uns dois anos. O coração do produto seria um processador gráfico/CPU compatível com OpenCL e capaz de rodar diretamente aplicações feitas para iPhone/iPod. Provavelmente será lançado uma versão do Xcode para adaptar facilmente programas atuais para rodarem nativos na nova plataforma.

Conexão 3G é algo imprescindível num aparelho que precisa estar sempre conectado, mas vai obrigar a Apple a atrelar a venda de um produto que não faz ligações telefônicas às operadoras de telefonia. Por outro lado, com o sucesso estrondoso do iPhone, a Apple pode pedir para o presidente da AT&T se vestir de dançarina de can-can e jogar malabares no topo do Empire State que será atendida prontamente. Se o objetivo do aparelho é vender vídeos, livros e música, estar conectado 100% do tempo é uma boa idéia, então botamos modem 3G no nosso protótipo dos sonhos. Talvez uma versão só com WiFi, mais barata e sem estar atrelada a uma tarifa mensal também faça sentido.

Sistema
Apesar de o batizarmos como iBook, não acreditamos que ele irá rodar o Photoshop. Provavelmente o Novo e Misterioso Produto Apple vai rodar uma versão do OS X parecida com a do iPhone e iPod Touch, modificada para permitir a(s) tela(s) maior(es) e gestos de até dez dedos. Faz sentido imaginar que ela rode programas em background sem necessitar de gambiarras como o sistema de notificações do iPhone. Mesmo assim. na maior parte do tempo, só vai haver um programa rodando na frente. Porque não utilizar o Mac OS X então, já que a tela vai ser tão fantástica? Porque o sistema do Mac é extremamente dependente de um "pointer device" preciso como o mouse. Não foi feito para trabalhar com dez dispositivos imprecisos. Além disso, a Apple não vai querer posicionar o iTablet (ops, iBook) como um laptop baratinho ou "o netbook da Apple". Ele é o Super iPhone, o Aparelho Definitivo para consumo de livros, filmes e músicas, o Paper Ultimate Nulifier.

Disponibilidade e preço
Quem não vai querer ter um iBook DS? Eu, você e a torcida do Corinthians, com certeza. Mas o lançamento deve seguir o esquema iPhone. Este ano, só nos EUA, a partir de 21 de novembro. Ano que vem, no resto do mundo. Além do complicador 3G existem os acordos com gravadoras, estúdios e editoras, empresas que em sua maioria ainda pensam que estão no século XX (exceto as editoras, que ainda estão no século XIX). Tudo isso transforma o ¿ecossistema¿ proposto pela Apple em algo legalmente e politicamente complicado de se transportar para outros países.

Quanto ao preço, a faixa entre US$ 800 e US$ 1 mil é uma aposta certa. A Apple conhece bem o seu público e como criar produtos cujo valor agregado seja reconhecido. Você pode até reclamar, mas ao botar a mão em um, paga o que for preciso.

Mesmo que nada disso se transforme em realidade, foi divertido pensar a respeito. Na próxima edição já teremos a resposta e provavelmente o Sensacional e Estupefaciente iQualquerCoisa estampado em nossa capa. E nossa passagem para Miami em novembro já está reservada.

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