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Tecnologia

 
 

Universidades incorporam blogs de alunos para se promover

04 de outubro de 2009 13h31

Blogs dos alunos, sem censura,  aparecem com destaque na página de matrículas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Foto: Reprodução

Blogs dos alunos, sem censura, aparecem com destaque na página de matrículas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts
Foto: Reprodução

Cristen Chinea, aluna de quarto ano no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), fez uma confissão em seu blog no site da universidade. "Houve muitas ocasiões em que senti que realmente não me encaixava bem no MIT", ela escreveu. "Eu quase dormi durante uma maratona de filmes Guerra nas Estrelas. Não era porque meus estudos tivessem causado muitas noites insones, mas porque estava quase louca de tédio".

Ainda assim, de outras maneiras Chinea se sente em casa no MIT - ela gosta do clube de animês, e do fato de que seu alojamento tenha um wiki próprio. Como escreveu no blog, um colega de dormitório certa vez lhe disse que "o MIT é o mais perto que você pode chegar de morar na internet", e Chinea comentou: "TOTALMENTE VERDADE. Adoro. Adoro muito".

Dezenas de universidades norte-americanas, entre as quais Amherst, Bates, Carleton, Colby, Vassar, Wellesley e Yale, estão incorporando blogs de alunos aos seus sites, porque os veem como uma poderosa ferramenta de marketing junto aos alunos de segundo grau, hoje em dia menos interessados em mensagens e estatísticas oficiais e mais interessados em narrativas pessoais e interação direta com os atuais estudantes e com outros candidatos a vagas.

Mas até agora nenhum desses blogs demonstra tanta interatividade e criatividade quanto os do MIT, em cujo site eles têm lugar de destaque na página de matrículas, acompanhados por centenas de respostas de potenciais candidatos a uma vaga na instituição - e tudo isso sem censura alguma.

Nem todos os departamentos de matrícula e seleção universitários demonstram tanta disposição de permitir textos não censurados de alunos. "Muita gente nesses departamentos não parecia muito ansiosa pela presença de blogs, em larga medida por medo de que não possamos controlar o que as pessoas estão dizendo", disse Jess Lord, diretor de admissões no Haverford College, que este ano ofereceu blogs nos quais alunos relatavam suas atividade de verão e, no ano que vem, pretende incluir blogs de alunos com dicas para os novos estudantes sobre a vida no campus. "Estamos lentamente aprendendo que é assim que o mundo funciona, especialmente para os alunos de segundo grau".

Os blogueiros do MIT, que recebem honorários de US$ 10 por hora, para até quatro horas semanais redigindo textos, oferecem suas opiniões sobre qualquer coisa que possa interessar a um potencial aluno. Alguns oferecem dicas sobre o processo seletivo e sobre a carga de trabalho intensa da instituição; outros preferem comentar sobre temas mais exóticos, como tortas de maçã comidas quentes e com uma cobertura de bacon e caramelo, ou cair da escada, ou o grande esforço requerido para estabelecer um recorde mundial no jogo de dominó de colchão.

Postar textos não censurados de estudantes, e os comentários de visitantes quanto a eles, acarreta certos riscos. Posts entediantes e mal escritos pouco fazem para melhorar a imagem de uma instituição, dizem os especialistas em seleção de alunos nas universidades, e existe sempre a possibilidade de um post controverso ou altamente negativo.

A Universidade de Pomona estudou a possibilidade de incluir blogs de alunos em seu site, mas até o momento considera que os riscos são maiores que os benefícios, diz Art Rodriguez, diretor associado de admissões. "Os blogs certamente podem ajudar a humanizar o processo", disse Rodriguez. "Mas o lado negativo é alguns alunos ansiosos de segundo grau podem se preocupar demais sobre o que alguém escreveu em seus blogs, e por isso talvez tentem se retratar como um pouco diferentes do que são. E existe sempre a preocupação quanto a ramificações políticas, caso um blog parte para um tema ou tópico que se encaminhe em direção negativa".

Mas Lord diz que o interesse dos potenciais alunos de sua faculdade pelos blogs postados por alunos durante o verão acalmou suas preocupações. "Os alunos de segundo grau leem os blogs, e quando nos visitam comentam que nem imaginavam que os alunos de Haverford tivessem férias de verão tão interessantes", diz ele. "Não existe maneira melhor de um, aluno aprender sobre uma faculdade do que com a ajuda de outro aluno".

Muitos dos estudantes que estão concluindo o segundo grau acompanham os blogs de alunos de universidades que os interessam, e postam comentários. Luka, uma das dezenas de pessoas que comentam os posts de Chinea, afirma que "eu não sabia que existia um clube de animê. Jamais imaginaria que o pessoal do MIT se interessa por animês. Bem, +1 em minha lista de motivos para estudar no MIT". Os alunos do MIT que mantêm blogs no site da instituição dizem que eles mesmos liam os blogs de alunos quando se inscreveram, e que por meio de seus comentários fizeram contato com outros potenciais alunos.

"Quando estava no segundo grau, eu tinha um blog e postava quase todo dia, e lia os blogs do MIT todo dia", diz Jess Kim, hoje aluna de quarto ano e autora de um dos blogs oficiais do MIT. "Para mim, eles eram um retrato da vida que eu poderia levar aqui, e são parte importante de minhas razões para estar aqui".

Ben Jones, antigo diretor de comunicações no serviço de seleção de alunos do MIT, começou a prática com um único blog de aluno, cinco anos atrás. Era o início da era do Facebook, e ele percebeu que os estudantes de segundo grau começaram rapidamente a responder. "Nós não demoramos a perceber que os potenciais alunos do MIT estavam se comunicando entre eles em nosso site, e criando comunidades", disse Jones, hoje no Oberlin College, em cujo site ele também passou a incluir blogs.

Os blogueiros do MIT têm etnias, especializações, moradias e, especialmente, estilos literários muito distintos. Alguns deles postam uma vez por semana ou mais; outros passam meses sem atualizar suas páginas. No final de semana em que os potenciais alunos do MIT são convidados a visitar o campus, uma sessão chamada "Meet the Bloggers" dá a eles tratamento de celebridades.

O MIT seleciona os blogs de alunos que incorpora ao seu site por meio de um concurso no qual os candidatos submetem exemplos de seus textos. "A seleção anual de blogueiros é como a tourada anual do departamento", diz David McOwen, que sucedeu a Jones no departamento de admissões, em uma mensagem de convite aos interessados em participar do concurso.

Este ano, 25 calouros se candidataram às quatro vagas em aberto, e McOwen diz que foi difícil escolher. "Queremos pessoas que possam se comunicar e que se envolvam em diferentes partes da vida do campus", disse. "De preferência, gostamos que eles adotem um tom positivo, mas isso não é obrigatório".

E nem todos os postos são positivos. Kim certa vez escreveu sobre as dificuldades criadas pelo seu conselheiro de residência diante de sua ideia de mudar de alojamento, e sua irritação era tão grande que o serviço de alojamento solicitou ao departamento de admissões que retirasse o post. O departamento recusou, e em lugar disso permitiu que o serviço de alojamento postasse uma refutação das críticas. Por fim, o sistema foi alterado.

Mas a maior parte dos blogs oferece expressões líricas e exuberantes da alegria de uma vida no MIT, como um post do mês passado sobre o retorno ao campus, por um aluno de segundo ano.

"Alguma coisa mudou", escreveu Chris Mills. "Agora você sabe exatamente o que o aguarda, conhece as noites insones e frustrações que estão sempre por perto, mas esse conhecimento não consegue remover o sorriso entusiástico de seu rosto. E é nesse momento de masoquismo que você compreende quem é de verdade, e que é para isso que você foi criado".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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