
Brad Stone
O setor editorial está sob ameaça, nos últimos anos. Em 2009, as vendas estiveram em queda a despeito de livros importantes de Dan Brown e do senador Edward Kennedy. Ao mesmo tempo, Wal-Mart e Amazon disputam ferrenhamente o domínio do comércio eletrônico, e criam novas preocupações entre editoras e autores quanto a uma compressão ainda maior de seus lucros.
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Em meio ao desânimo, porém, alguns vendedores e proprietários de aparelhos eletrônicos de leitura estão argumentando que as pessoas parecem estar lendo mais por efeito dos livros eletrônicos.
A Amazon, por exemplo, afirma que as pessoas que têm Kindles compram 3,1 vezes mais livros do que costumavam antes de terem o aparelho. Esse fator aumentou ante os 2,7 de dezembro de 2008, a última ocasião em que a companhia havia mencionado essa estatística.
"Veremos índices significativos de crescimento setorial como resultado da conveniência oferecida por esse tipo de leitura", declarou Jeff Bezos, o presidente-executivo da Amazon.
A Sony, fabricante da família Reader de leitores eletrônicos, diz que seus clientes de livros eletrônicos baixam em média oito títulos mensais de sua biblioteca online. Isso excede em muito a média anual de 6,7 livros comprados pelo leitor médio americano em 2008, de acordo com a Bowker, uma empresa que acompanha as tendências de vendas do setor.
O mercado de leitores eletrônicos agora conta com um novo concorrente, o Nook, lançado ontem pela Barnes & Noble, ao preço de US$ 259.
Os números sobre compras de livros apresentados pela Amazon e Sony podem não indicar, por si, uma renovação do interesse pela leitura. Os proprietários de Kindles talvez estejam concentrando suas compras na Amazon. Os donos de leitores eletrônicos tendem a estar entre os mais apaixonados compradores de livros, de modo que o seu comportamento talvez não reflita o comportamento geral do mercado.
Mesmo assim, os fãs desses aparelhos de leitura sugerem que a conveniência de usar esses produtos, que oferecem um senso de controle e personalização que os usuários vieram a esperar de todos os seus aparelhos de mídia, criou maior interesse pelos livros.
Patti Howard está entre os leitores convertidos. "Fazia muito tempo que não me sentia assim quanto aos livros", disse Howard, que trabalha com transcrições médicas em Birmingahm, Alabama, e por anos limitou sua leitura a 10 min diários, antes de dormir - até que comprou um Amazon Kindle, em agosto.
Howard agora compra livros sempre que deseja. Recentemente baixou um romance de fantasia às 2h30min, imediatamente depois de concluir a leitura do título precedente na série. Ela lê durante seus períodos de pausa diurna, como por exemplo a espera para apanhar seu filho de nove anos na escola. Seu novo ritmo de leitura é de um romance por semana.
utros fãs elogiam os muitos benefícios dos leitores eletrônicos. O Kindle e o Sony Reader, com suas telas cinza e branco e tamanhos ajustáveis de fonte, oferecem experiência satisfatória e com poucas das distrações geradas por outras tecnologias.
Múltiplos livros também podem ser transportados em um aparelho esguio, de modo que um leitor pode facilmente alternar entre "The Forgotten Garden", de Kate Morton, e "Cheever: A Life", de Blake Bailey.
Os livros eletrônicos também podem ser comprados rapidamente e em qualquer lugar, com um ou dois cliques, em aparelhos como o Kindle e o Nook, que usam redes sem fio para o download de livros.
Brandon Watson, pesquisador da Microsoft e pai de três crianças, diz que em lugar de ler um livro por mês, agora ele acaba títulos como "Outliers", de Malcolm Gladwell, em apenas um final de semana.
Ele aprova a facilidade de ler o Kindle segurando o aparelho com uma mão só. Em setembro, adquiriu a versão digital de "The Bourne Identity", ainda que tivesse o livro em papel em casa, "porque, por qualquer que seja o motivo, ler em papel incomoda mais", disse.
Esse argumento é ecoado por Candy Yates, funcionária de um banco em Newland, Carolina do Norte. Yates tem um computador, um BlackBerry e um iPod Touch e se define como "amiga das engenhocas". Para ela, livros em papel parecem estranhos, ainda que fosse leitora ávida quando criança.
A livraria mais próxima fica a 50 km de sua casa, na cidade de Boone, e os títulos da biblioteca local não a interessam, diz. O Kindle não funciona sem fio em sua cidade, mas ela pode conectá-lo ao seu computador e comprar livros online.
Esses testemunhos não convencem a todos. Muitos executivos editoriais afirmam que os vendedores de livros eletrônicos, como a Amazon, tem forte interesse em anunciar a chegada da nova era da leitura porque precisam convencer as editoras ainda céticas de que o maior volume de vendas dos livros eletrônicos compensará a possível perda de lucros caso as mais populares edições digitais continuem à venda por US$ 9,99. Por enquanto, empresas como a Amazon e a Barnes & Noble subsidiam as vendas para que possam praticar esse preço.
Algumas editoras tampouco parecem prontas a aceitar a ideia de que os livros podem reconquistar parte da importância perdida.
"Já que as pessoas hoje dispõem da internet, esportes 24 horas por dia, torneios de tênis transmitidos do mundo todo, muitos programas de TV e filmes, você acredita mesmo que lerão mais porque agora podem fazê-lo em uma tela", questionou John Sargent, presidente-executivo da Macmillan, que controla divisões editoriais como a Farrar, Straus and Giroux e St. Martin's Press.
"Esse cenário não me convence", afirmou.
Tradução: Paulo Migliacci
The New York Times
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The New York Times
Brandon Watson, com sua filha, afirma que lê mais desde que adquiriu o leitor eletrônico Kindle
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