
Randall Stross
Quando você liga para sua avó na fazenda dela em Iowa, sua operadora telefônica de longa distância paga para a operadora local dela uma tarifa de acesso. Não há problemas nisso. É muito mais caro do que em qualquer outro lugar, mas ela e vizinhos recebem poucas ligações, então as tarifas não pesam tanto. E trata-se de uma transação entre duas companhias. Você, o autor da chamada, nem mesmo sabe das taxas pagas em seu nome.
» Google Voice permite manter número de telefone
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Mas o Google sabe. Este ano, a empresa entrou no ramo da telefonia de longa distância ao lançar o Google Voice, um serviço que permite fazer chamadas de longa distância gratuitas em qualquer lugar dos Estados Unidos. Ela tem conhecimento de que as taxas de acesso fazem parte do negócio de telefonia, mas rapidamente notou que alguns números em áreas esparsamente povoadas correspondiam a uma porcentagem desproporcional dos custos totais do Google Voice.
Numa postagem do mês passado no blog da companhia, o Google disse que algumas operadoras telefônicas rurais fazem parceria com "linhas de sexo por telefone e centros 'gratuitos' de chamadas em conferência para conduzir altos volumes de tráfego", num fenômeno de direcionamento de tráfego já conhecido pelo setor de telecomunicações.
"As pessoas ficam ao telefone por horas - a vovó não passaria o dia todo assim", disse em entrevista Richard Whitt, consultor do Google para telecomunicações e mídia em Washington.
A FCC, agência americana para a comunicação, regula as tarifas de acesso e permite que as operadoras rurais cobrem alto, presumindo que o volume de chamadas será baixo e que as altas tarifas sejam necessárias para manter o serviço telefônico de residentes rurais. Em uma operação de direcionamento de tráfego, porém, a operadora local cobra as altas tarifas de acesso sobre um grande volume de chamadas e divide a fartura com o parceiro.
O blog do Google chama as tarifas de "ridiculamente altas". Em vez de pagar entre meio e três centavos de dólar o minuto para ter uma de suas chamadas do Google Voice conectada a um número local nesses lugares, o Google tem arcado com 12, 14, ou mesmo 25 centavos o minuto, afirmou Whitt.
Altas tarifas, combinadas a um grande volume de chamadas de longa duração, significam que o Google não estava pagando os preços normais do atacado. Na verdade, estava sendo passado para trás por ladrões de estrada rurais e seus cúmplices, que faturavam com o alto volume de chamadas.
Como o Google, todas as operadoras não-locais são vítimas da fraude. Robert W. Quinn Jr., vice-presidente sênior da AT&T, escreveu em agosto para a FCC sobre o que chamou de "praga do setor". A AT&T não vai, porém, se solidarizar com a Google, porque teme que ele seja uma ameaça competitiva.
Para o Google, o direcionamento de tráfego foi insuportável. Em agosto, a companhia decidiu bloquear as chamadas do Google Voice a destinos que tinham grande volume de chamadas e pequena população. Um dos números bloqueados é de um serviço gratuito de chamadas em conferência sediado em Redfield, Dakota do Sul.
A Northern Valley Communications, companhia telefônica local que cuida do número, está em uma batalha legal com operadoras de longa distância que se recusam a pagar tarifas de acesso a companhias acusadas de direcionamento de tráfego. "Direcionamento de tráfego é um termo criado por operadoras de longa distância que tentam pintar uma imagem negativa de nós por termos tarifas de acesso mais altas", disse Jammes Groft, chefe-executivo da Northern Valley.
A maioria das companhias telefônicas rurais são operadoras locais antigas e "estabelecidas", que participam do sistema de cobrança gerido pelo Sistema Nacional de Trocas entre Operadoras, que previne abusos, disse Joe A. Dougas, vice-presidente para relações governamentais da empresa. "As cobranças são reduzidas à medida que aumentam os minutos. Portanto, não existe incentivo para o direcionamento de tráfego", disse. Mas uma categoria relativamente nova de companhias telefônicas locais, chamadas de operadoras locais "competitivas", como a Northern Valley, ficam fora do alcance do sistema.
Boa parte dos atributos do Google Voice gira em torno do recebimento de chamadas. O serviço fornece um número de telefone que cai na caixa postal ou pode encaminhar chamadas a números fixos ou celulares. É possível ainda gravar chamadas, personalizar saudações para pessoas específicas e transcrever o correio de voz. Desde a semana passada, ele também pode ser o destino alternativo de correio de voz para o usuário de correio de voz de um telefone celular.
Pequenas empresas de tecnologia também são prejudicadas pelo direcionamento de tráfego. O ZipDx, um serviço pago de conferência telefônica sediado em Los Gatos, Califórnia, precisa competir com serviços gratuitos de áreas rurais que se sustentam com as tarifas de acesso cobradas de operadoras externas. Segundo David Frankel, fundador da companhia, "a FCC deveria dizer a todos: se o único propósito do que você está fazendo for aproveitar as cobranças de acesso, isso não está correto".
Um porta-voz da FCC disse que a agência havia resolvido algumas questões e que "começou uma consulta sobre os próximos passos que podem ser dados para impedir que operadoras estabelecidas e competitivas se aproveitem das regras de compensação entre operadoras".
Por enquanto, a FCC tem escapado: não enfrenta uma frente unida de reclamações de empresas gigantes e insatisfeitas. Em vez de estender sua mão em solidariedade ao Google como outra vítima, a AT&T partiu para o ataque. Em carta à FCC no mês passado, ela afirmou que o Google estava bloqueando chamadas não apenas de linhas de telessexo, mas também outras como um serviço de ambulância e um convento beneditino.
O Google respondeu com melhorias em sua tecnologia de bloqueio. Em vez de bloquear pelo prefixo do número de telefone, bloqueia apenas números individuais, e menos de 100 estão restritos nacionalmente, segundo relato da empresa perante a FCC apresentado na semana passada.
Porém, isso é apenas uma solução improvisada para o problema do direcionamento de tráfego, com o qual a FCC deveria acabar. Por enquanto, as chamadas para a vovó e para o convento beneditino agora são completadas; aquelas para os oportunistas, não.
Tradução: Amy Traduções
The New York Times
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Stuart Goldenberg/The New York Times
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