
Atualizada às 09h32 Sarah Lyall
No reino dos insultos no Twitter, o comentário foi relativamente leve. "Por mais que admire e adore o sujeito, eles são um pouco... chatos", um usuário do Twitter chamado "brumplum" escreveu no sábado, se referindo aos tweets de Stephen Fry, escritor, ator e personalidade de televisão britânico.
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Mas essa pequena postagem desencadeou uma onda de ataques e contra-ataques rancorosos no Twitter, atraindo um número incontável de pessoas a um debate cada vez mais carregado e lançando "brumplum" - na verdade, um homem de óculos de Birmingham, Inglaterra, chamado Richard - à fúria pública de modo infeliz. Esse foi mais um exemplo do poder extraordinário do Twitter de distribuir informação e manejar a opinião de vastos grupos de pessoas em um curtíssimo espaço de tempo.
E também foi um exemplo de como o Twitter reforça a propensão de adultos a se comportarem como estudantes colegiais, passando mensagens grosseiras, disseminando boatos exagerados e ficando em uma obsessão sem fim - e sem causa - sobre quem disse tal coisa maldosa de fulano.
De qualquer maneira, depois de "brumplum" enviar seu tweet com a crítica leve, Fry de alguma forma descobriu e o fez sentir-se terrível. Tão terrível, twitou brumplum, que ele passou a cogitar sair do Twitter devido a toda a "agressão e grosseria".
E a questão teria acabado aí, provavelmente, se não fosse o fato de Fry, uma figura extremamente admirada que falou abertamente sobre sua depressão paralisante e bipolaridade, ter mais de 934 mil seguidores e ser um dos usuários mais lidos no Reino Unido. Seus tweets amplamente disseminados em fevereiro, sobre ficar preso num elevador por 45 min, promoveram seu perfil do Twitter no país tanto quanto o americano, Ashton Kutcher, depois do fotógrafo postar no Twitter o traseiro de sua esposa, a atriz Demi Moore, dois meses depois.
Quando os seguidores de Fry souberam de sua adversidade, eles tenderam a fazer duas coisas: oferecer seu apoio e criticar seu aparente antagonista. E, de repente, Richard de Birmingham, que afirma em seu perfil no Twitter que escreve "críticas de filmes e outras coisas", se viu como o alvo de uma corrente de tweets desagradáveis e até mesmo abusivos.
Entre os mais perturbadores, pelo menos para ele, foram os do conhecido ator e comediante britânico Alan Davies. Davies, amigo de Fry e com mais de 104 mil seguidores no Twitter, chamou Richard de "idiota" e coisa pior.
A história foi depois acompanhada por vários veículos de comunicação, como a emissora BBC e o jornal The Sunday Times.
As conspirações no Twitter contra pessoas que de alguma forma entraram em conflito com outras se tornam cada vez mais comuns no Reino Unido. O mesmo ocorreu no mês passado, quando a jornalista Jan Moir escreveu uma coluna no tabloide The Daily Mail, criticando o estilo de vida de Stephen Gately, integrante gay da banda pop Boyzone, que foi encontrado morto aos 33 anos no seu apartamento de férias em Malorca.
Muitos, inclusive Fry, sentiram que o artigo tinha tons homofóbicos e se manifestaram no Twitter, onde Moir se tornou, então, um dos tópicos de ódio do dia. Uma campanha organizada contribuiu para que seu artigo fosse alvo de cerca de 23 mil queixas formais à Comissão de Reclamações sobre a Imprensa do Reino Unido.
O imbróglio recente, porém, parece ter terminado de forma um pouco mais tranquila. Fry, que disse estar se sentindo muito constrangido, se desculpou com "brumplum" por ter causado qualquer problema, e "brumplum" se desculpou com Fry por tê-lo feito se sentir mal.
"Brumplum", enquanto isso, tem refletido em seu blog sobre como foi que de repente ele ficou famoso e como sua fama se transferiu tão rápido da web para a mídia tradicional.
No Twitter, ele disse que ficou chocado com o número de seguidores que ganhou desde que tudo começou (agora ele tem mais de 1,2 mil). Ele começou com "340 seguidores", escreveu. "Ontem à noite, tinha pouco mais de 800. Agora, são mais de mil. Gente! Garanto que eu não valho a pena!", escreveu.
Tradução: Amy Traduções
The New York Times
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Steve Forrest/The New York Times
Stephen Fry, escritor e ator britânico, foi defendido por seus seguidores no Twitter
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