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Tecnologia

 
 

Cientistas defendem supercomputação para compartilhar dados

26 de novembro de 2009 14h09 atualizado às 14h16

Durante décadas, os supercomputadores do mundo foram propriedade rigidamente protegida de universidades e governos. Mas o que aconteceria se pessoas comuns pudessem colocar as mãos em um? O preço dos supercomputadores está caindo rapidamente, em parte porque eles são muitas vezes construídos com as mesmas peças encontradas nos PCs, como deixou claro uma conferência de supercomputação ocorrida em Portland, nos Estados Unidos, na semana passada. Praticamente qualquer organização com alguns milhões de dólares já pode comprar ou montar uma máquina de ponta.

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Enquanto isso, grupos de pesquisa e empresas como IBM, Hewlett-Packard, Microsoft e Intel estão encontrando maneiras de estocar vastas quantidades de informação disponíveis online através da chamada computação em nuvem.

Esses avanços estão derrubando os altos muros que cercam a pesquisa de computação intensiva. Um resultado disso pode ser a democratização, dando a pessoas comuns com uma ideia original a chance de explorar sua curiosidade com um pesado poderio de computação - e talvez encontrar algo inesperado.

A tendência tem feito com que alguns dos maiores especialistas e cientistas de computação do mundo trabalhem em prol da libertação de quantidades valiosas de informação. O objetivo é encher grandes computadores com dados científicos e então deixar que qualquer um no mundo com um PC, incluindo cientistas amadores, pesquise nesses sistemas.

"É uma boa mobilização", disse Mark Barrenechea, chefe-executivo da Silicon Graphics, que vende sistemas de computação para laboratórios e empresas. "A tecnologia está aí. A necessidade está aí. Isso poderia aumentar exponencialmente a quantidade de ciência feita ao redor do globo".

A ideia de centros de pesquisa de ponta compartilharem informação não é nova. Algumas das primeiras organizações que conhecemos hoje, como a World Wide Web, ganharam vida para que físicos e outros cientistas pudessem pesquisar grandes bancos de dados à distância. Além disso, laboratórios de universidades e do governo estiveram entre os primeiros a defender o que se popularizou como a computação em grade, na qual redes compartilhadas foram criadas para a transmissão de dados.

O pensamento atual, no entanto, é de que os laboratórios conseguem realizar muito mais em relação ao que era anteriormente factível, pegando carona em algumas das tendências que estão arrebatando o setor de tecnologia. E, dessa vez, grandes e pequenos órgãos de pesquisa, bem como indivíduos perspicazes, podem participar desse programa de compartilhamento.

Como inspiração, cientistas estão se voltando a serviços de computação em nuvem como os produtos de escritório online do Google, sites de compartilhamento de fotos e o programa de aluguel de centro de dados da Amazon.com. Eles estão tentando levar esse tipo de tecnologia com base na web para seus laboratórios e usá-la para lidar com volumes enormes de dados.

"Vimos esses aplicativos de desktop se mudarem para a nuvem", disse Pete Beckman, diretor da Argonne Leadership Computing Facility em Illinois. "Agora a ciência está no mesmo caminho. Isso ajuda a democratizar a ciência e as boas ideias".

Com US$ 32 milhões do Departamento de Energia americano, a Argonne começou a trabalhar no Magellan, um projeto para explorar a criação de uma infraestrutura de computação em nuvem que cientistas ao redor do mundo possam utilizar. Beckman argumentou que tal sistema reduziria a necessidade de laboratórios e universidades menores gastarem dinheiro em sua própria infraestrutura de computação.

Outro benefício é que os pesquisadores não precisariam gastar dias baixando grandes quantidades de dados para que pudessem realizar análises em seus próprios computadores. Em vez disso, eles poderiam enviar pedidos ao Magellan e simplesmente receber as respostas. Mesmo indivíduos curiosos nas margens do meio acadêmico podem ter a chance de pesquisar coisas como mudança climática e análise protéica.

"Alguns matemáticos na Rússia podem dizer, 'Tenho uma ideia'", Beckman disse. "A barreira de entrada para eles tentarem essa ideia é muito pequena. Então, isso realmente amplia o número de descobridores e, com esperança, descobertas".

O setor de computação tornou essa discussão possível. Historicamente, os supercomputadores de ponta do mundo dependiam de componentes caros e patenteados. Laboratórios do governo pagavam vastas quantias de dinheiro para usar esses sistemas em projetos sigilosos. Mas, ao longo dos últimos dez anos, as partes internas vitais dos supercomputadores se tornaram mais comuns, e uma ampla variedade de organizações as compraram.

Na conferência, universitários competiram em um concurso para construir de improviso minicomputadores de baixo custo. E um supercomputador chamado Jaguar, do Laboratório Nacional Oak Ridge em Tennessee, oficialmente se tornou a máquina mais rápida do mundo. Ele liga milhares de chips comuns da Advanced Micro Devices.

Sete dos dez supercomputadores de ponta do mundo usam chips comuns da AMD e Intel, assim como cerca de 90% das 500 máquinas mais rápidas. "Acredito que isso esteja dizendo que a tecnologia de supercomputação é financeiramente acessível", disse Margaret Lewis, diretora da AMD. "Estamos meio que nos distanciando da torre de marfim".

Embora o Magellan e outros projetos sejam sinais encorajadores, pesquisadores alertam que ainda há muito trabalho pela frente para libertar o que eles consideram informação valiosa para uma análise mais ampla.

No Instituto de Tecnologia da Geórgia, por exemplo, pesquisadores desenvolveram um software que pode avaliar exames do cérebro e coração e identificar anomalias que possam indicar problemas. Para avançar essas técnicas, os pesquisadores precisam treinar seu software testando-o em milhares de aparelhos de tomografia corporal.

Mas é difícil encontrar um repositório desses aparelhos que um hospital ou organização governamental como os Institutos Nacionais de Saúde estejam dispostos a compartilhar, mesmo se as informações pessoais puderem ser removidas, disse George Biros, professor do Instituto de Tecnologia da Geórgia. "As escolas de medicina não disponibilizam essas informações", ele disse.

Bill Howe, cientista sênior do Instituto eScience da Universidade de Washington, pede que organizações de pesquisa revelem suas informações. "Todos os dados que coletamos na ciência deveriam ser acessíveis e não é dessa maneira que funciona hoje", ele disse. Howe disse que alunos do ensino médio e os chamados cientistas cidadãos poderiam fazer novas descobertas se tivessem a chance. Vamos ver o que acontece quando salas inteiras de alunos explorarem essas informações", disse.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
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