Os censores do governo chinês estão uma vez mais de olho na internet, anunciando novas medidas que limitam a liberdade dos cidadãos do país para criar sites pessoais e visitar centenas de sites que oferecem filmes, videogames e outras formas de entretenimento. As autoridades afirmam que os controles mais estritos têm por objetivo proteger as crianças contra a pornografia; limitar a pirataria de filmes, música e programas de TV; e dificultar as trapaças de internet.
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Mas as medidas também parecem ter sido desenvolvidas para reforçar o controle já severo do governo sobre qualquer forma de oposição política. Em diversos pronunciamentos, funcionários importantes dos setores de propaganda e segurança chineses voltaram a enfatizar a necessidade de policiar a internet, por motivos políticos e de segurança.
"A internet se tornou uma importante rota de infiltração e sabotagem para forças antichinesas, e amplia sua capacidade de destruição", escreveu o ministro da Segurança Pública, Meng Jianzhu, na edição de 1° de dezembro da revista Qiushi, publicada pelo comitê central do Partido Comunista chinês. "Portanto, isso representa um novo desafio para as autoridades de segurança pública, no que tange a manter a segurança nacional e a estabilidade social", ele disse.
As restrições recentemente anunciadas são o mais amplo esforço do governo para controlar a internet desde junho, quando tentou requerer que os fabricantes de computadores instalassem em todas as máquinas novas um software de filtragem da internet, disseram especialistas. As autoridades moderaram esse programa, conhecido como Represa Verde-Escolta da Juventude, depois de protestos de usuários da internet e empresas.
Sob as novas medidas de controle, mais de 700 sites foram fechados, entre os quais diversos que ofereciam filmes, programas de TV e música para download gratuito. A BT China, que recebia cerca de 250 mil visitas diárias, está entre eles. O Very CD, o maior site chinês de troca de arquivos, terá de obter uma nova licença, ou corre o risco de possível fechamento, igualmente, de acordo com reportagens.
Além disso, indivíduos foram proibidos de registrar sites com sufixo de domínio .cn, o código nacional da China. Esse domínio agora só poderá ser usado por empresas. Ainda que indivíduos continuem autorizados a registrar sites sob outros domínios, como .com e .net, a nova regra "terá impacto negativo sobre a energia vibrante da internet chinesa", afirmou Kenneth Jarrett, vice-presidente do conselho do grupo de comunicações APCO Worldwide para a região da China, em mensagem de e-mail.
"O comércio eletrônico local que começa a operar via e-mail e os indivíduos terão dificuldade para registrar sites", ele disse. Huang Xiwei, fundador da BT China, criticou a decisão em entrevista postada no site Sina.com, um popular portal de internet chinês. "Não foram só os sites de filmes e vídeo que sofreram", disse. "Todos os sites controlados por indivíduos serão gradualmente excluídos. Todos os caminhos que conduzem ao futuro foram bloqueados".
O governo também intensificou a pressão sobre as operadoras de telefonia móvel para que previnam transmissões online de pornografia. Em resposta, a China Mobile, maior operadora chinesa de telefonia móvel, suspendeu a prática de permitir que terceiros vendam conteúdo online por meio de suas redes, de acordo com a imprensa chinesa. O obstáculo foi um revés para um setor que atende a cerca de 200 milhões de usuários de internet móvel, de acordo com especialistas do setor.
Eles alegam que as mais recentes medidas são uma continuação dos esforços cada vez mais sofisticados do Estado para controlar a influência da internet sobre seus mais de 300 milhões de usuários na China. Este ano, a China bloqueou Facebook, Twitter, YouTube e milhares de outros sites. Alguns analistas previram que essas restrições seriam suspensas depois da passagem de algumas datas complicadas, como o 20º aniversário da repressão aos manifestantes democráticos na praça Tienanmen. Mas elas foram mantidas.
"A tendência na China é de controle cada vez mais rígido", disse Rebecca MacKinnon, professora assistente de jornalismo na Universidade de Hong Kong e especialista em questões de internet na China. "Eles estão basicamente melhorando os seus mecanismos de censura". A reação às mais recentes medidas de repressão do governo varia de apoio entusiástico, da parte de pais chineses preocupados com a pornografia, e críticas duras, da parte daqueles que veem a internet como melhor antídoto à propaganda do governo e ao controle estatal sobre a mídia.
Entre os críticos estão universitários acostumados a baixar filmes, música e outras formas de conteúdo, de forma fácil e barata. Alguns universitários de Pequim previram que os usuários da internet encontrariam maneiras de contornar esses obstáculos. Ainda assim, Wang Shuang, 20, aluno da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, se queixou de que "depois do fechamento da BT, não encontro mais as séries norte-americanas que acompanhava, como 'The Mentalist'".

- The New York Times


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