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Tecnologia

 
 

Nexus One coloca Google e Apple em rota de colisão

06 de janeiro de 2010 16h30

Superfone do Google foi apresentado ao público nesta semana. Foto: Divulgação

"Superfone" do Google foi apresentado ao público nesta semana
Foto: Divulgação

O Google reforçou seu ataque no segmento de celulares inteligentes nesta terça-feira ao lançar um novo smartphone com tela sensível ao toque chamado Nexus One, visto por muitos como o grande rival do iPhone da Apple.

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O Google também anunciou que venderia o Nexus One, definido pela empresa como "supercelular", exclusivamente em sua nova loja online. A empresa de Mountain View, que obtém a vasta maioria de sua receita com publicidade, informou que começaria a operar no varejo direto não com o objetivo de lucrar com a venda dos aparelhos mas sim para ampliar a disponibilidade de celulares equipados com o seu sistema operacional Android.

"Existe a oportunidade de obter certa margem nas vendas unitárias, mas não é esse o objetivo, aqui", disse Andy Rubin, vice-presidente de engenharia encarregado da tecnologia Android, em entrevista coletiva na sede do Google em Mountain View. "Nosso negócio primário continua a ser a publicidade".

Os consumidores americanos poderão comprar o Nexus One desbloqueado por US$ 529 ou um pacote de US$ 179 que requereria um plano de assinatura de dois anos junto à operadora T-Mobile. O Google informou que o Nexus One estaria disponível para a Verizon Wireless nos Estados Unidos e a Vodafone na Europa, dentro de alguns meses, e anunciou que a empresa esperava incluir mais aparelhos e mais operadoras em seu programa de venda direta ao consumidor no futuro.

Alguns analistas se declararam impressionados com a velocidade do Nexus One e com algumas de suas capacidades. O aparelho permite controle de voz sobre todas as caixas de texto do celular, de modo que, por exemplo, um usuário poderia compor uma mensagem de e-mail ditando o texto e não digitando. Mas expressaram decepção por o Google não ter feito mais para agitar o setor como, por exemplo, subsidiar as vendas do aparelho com os lucros que obtém na publicidade.

"Teria sido bacana vê-los lançar alguma coisa de realmente único", disse Danny Sullivan, editor do boletim noticioso SearchEngineLand e analista que acompanha o Google há muito tempo. "Mas o Nexus One é evolutivo e não revolucionário".

O celular é produzido pela HTC, uma fabricante de eletrônicos de Taiwan, e conta com tela de 3,7 polegadas e a mais recente versão do sistema operacional Google Android. Com espessura de cerca de um centímetro e peso de apenas 180 gramas, ele é um pouco mais fino e leve que o iPhone. Conta com bateria removível, câmera de cinco megapixels e flash LED e pode gravar imagens estáticas ou vídeos.

Os executivos do Google definiram o Nexus One como "exemplo" daquilo que se pode realizar com a tecnologia Android hoje. Afirmaram que a empresa estava satisfeita com o sucesso do Android, que em pouco mais de um ano se expandiu de um modelo e uma operadora a 20 modelos e 59 operadoras em todo o mundo. Mas acrescentaram ter decidido trabalhar em cooperação mais próxima com a HTC a fim de projetar o melhor celular possível com base em seu software.

A única pessoa presente que não parecia disposta a reconhecer que o Nexus One é o melhor celular equipado com o Android hoje disponível no mercado foi Sanjay Jha, co-presidente executivo da Motorola, que recentemente lançou o Droid, um modelo equipado com o Android. "Creio que o Nexus One seja um bom celular; creio que o Droid também seja um bom celular", disse Jha. Mas ele parecia favorável ao plano do Google de vender o aparelho diretamente ao consumidor. "Considero que isso tenha o potencial de expandir o mercado".

As operadoras de telefonia móvel também pareciam despreocupadas diante do plano do Google de vender aparelhos desbloqueados diretamente aos consumidores. "Certamente recebemos com agrado a oferta de maior número de escolhas no mercado", disse John Taylor, porta-voz da Sprint. Jeffrey Nelson, porta-voz da Verizon Wireless, disse que sua companhia estava ciente dos planos do Google para vender celulares online ao assinar um acordo de cooperação ampla com a companhia. Por enquanto, o Nexus One opera apenas em redes de celulares que adotem o padrão GSM -nos Estados Unidos, a AT&T e a T-Mobile. O aparelho pode ser usado na rede da AT&T se o comprador do celular desbloqueado dispuser de um chip da empresa, mas apenas na rede EDGE, mais antiga e lenta, e não nas redes 3G mais velozes, segundo o Google.

O Nexus One conta com um chip de alta velocidade e um gigahertz da Qualcomm, o Snapdragon, e permite acionamento simultâneo e rápido de múltiplas aplicativos. O aparelho tem alguns recursos 3D, e o Google colaborou com a Cooliris, uma empresa iniciante do Vale do Silício, para incorporar ao aparelho sua tecnologia que permite mostrar fotos em destaque diante de um pano de fundo formado por outras fotos. O Google lançou também uma versão do Google Earth que funciona com o Nexus One. "O aparelho parece realmente bacana", disse Charles Golvin, analista da Forrester Research. "Mas não muda o jogo".

Peter Chou, presidente-executivo da HTC, se recusou a revelar as projeções de vendas para o Nexus One, mas disse que o aparelho "leva aos limites do possível a capacidade de um celular atual".

Embora o Nexus One possa se tornar rival do iPhone, Google e Apple adotam estratégias muito distintas quanto ao mercado de celulares. A Apple fatura com a venda de aparelhos, e o Google com a venda de anúncios. Mas restam poucas dúvidas de que as duas estejam em rota de colisão.

Caso o Nexus One e outros aparelhos vendidos na loja do Google conquistem o sucesso, eles poderiam reduzir os atrativos do iPhone. Enquanto isso, a Apple anunciou na terça-feira a aquisição da Quattro Wireless, uma empresa iniciante de publicidade para a web móvel, o que indica que tem planos de atacar o Google em seu negócio dominante, a publicidade.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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