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 Madrugada na Campus Party tem bagunça, trompete e namoro
28 de janeiro de 2010 17h50 atualizado às 18h35

O italiano Carlo Coppadoro, 28, anda pela Campus Party com seu trompete. Foto: Fabiano Rampazzo/Especial para Terra

O italiano Carlo Coppadoro, 28, anda pela Campus Party com seu trompete
Foto: Fabiano Rampazzo/Especial para Terra

Gente empilhando latinhas de energético até o teto, centenas de malucos correndo em fila com a cadeira na cabeça, desfile de notebooks, gritaria, italiano passeando com trompete, buzina, sirene, palestras, jogos em rede, tudo de uma vez só na madrugada dos campuseiros da Campus Party. Nerd não dorme? Bom, muitos certemente preferem dormir durante o dia.

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"A noite tudo funciona melhor, até minha cabeça", disse Ayrton Serra, estudante que troca o dia pela noite, período em que passa cerca de 7 horas em frente ao computador. "Trabalho, namoro e diversão, tem de tudo na madruga do computador", afirma.

Às 23h40, nos derradeiros minutos da quarta-feira, ainda se ouvia o som da última palestra do dia. Poucos sabiam que, às 2h da manhã de quinta, começaria a primeira palestra do novo dia. Uma "Oficina Técnica de Como Projetar um Software Livre" começou potunalmente às 2h15 com presença em massa de campuseiros.

Instantes antes disso, minutos, para ser mais preciso, ocorreu um ato que deixaria o visitante desavisado em pânico. Tudo começou com um rapaz que saiu gritando com a cadeira sobre a cabeça. Pois é. Em seguida, mais um, talvez dois, o seguiram. Segundos depois eram dezenas, e um minuto depois centenas de nerds alucinados correndo e gritando pelo espaço do evento, com cadeiras em cima da cabeça, naquilo que foi batizado de "Revolta das cadeiras". Quem não estava de cadeira na mão, estava filmando ou fotografando o ato, uma coisa ou outra, ninguém escapou. E, sim, eram 2h da manhã.

Incrível mesmo foi os revoltosos não terem derrubado a pilha de 110 latas de Red Bull que foi erguida com matemática arquitetura por dois rapazes que quiseram protestar contra a falta de energéticos na Campus. Queixa comum e endossada. "É nosso combustível, né. Não pode faltar", disse Lucas Pereira, de 25 anos, analista de sistemas.

E foi assim, no meio desta festa nerd, que um sujeito, pacato da cabeça ao pé, caminhava com seu tromepete na mão direita. Mas, será que o cara errou de festa? "Estou aqui no Brasil há quatro dias. Vim aqui na Campus Party porque as palestras e workshops sobre edição de música me interessam muito", disse Carlo Coppadoro, 28 anos, italiano, músico, recém-chegado a São Paulo na companhia de um amigo também italiano - mas que vive no Rio de Janeiro. Então tá explicado. "Trouxe o trompete para tocar aqui. De noite. É isso".

Ninguém ali diria que, às 4h da manhã, com tamanha iluminação, bate-papo, gritaria, contingente, era, enfim, realmente 4 horas da manhã. "Isso aqui fica mais cheio essa hora do que às 9h, por exemplo", disse Kimi Santana, de 19 anos, que trabalha em um dos stands de games. Fato que prova que Campus Party, nerds e madrugada formam um trio difícil de ser batido. Quem dormiu, perdeu.

Especial para Terra