A maior reunião da indústria da tecnologia móvel global começou segunda-feira em Barcelona, e boa parte das conversas será sobre uma companhia que não está lá: a Apple. Seu iPhone foi imitado por concorrentes maiores como Samsung Electronics, Nokia, LG e Research In Motion. Todos vão mostrar aparelhos de tela sensível e lojas de aplicativos, duas inovações popularizadas pelo iPhone.
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No App Planet, uma seção especial da "Feira de Barcelona", dispersa pelo centro da cidade, mais de 50 pequenos desenvolvedores de software, muitos dos quais produzem aplicativos para iPhone, mostram as capacidades dos aparelhos. Em outros lugares, fabricantes de netbooks e outros aparelhos portáteis conectados mostram sua resposta ao iPad, o computador tablet que a Apple lançou mês passado em São Francisco.
Enquanto isso, a rival de longa data da Apple, Microsoft, busca atenção para os primeiros vislumbres de seu sistema operacional para celulares, o Windows Mobile 7. O impacto da Microsoft no setor móvel diminuiu frente ao aumento da competição de outros sistemas operacionais.
A Apple, uma dessas concorrentes, nunca expôs em grandes mostras setoriais, inclusive o Mobile World Congress. Reservada e focada, a Apple raramente se aventura fora de suas bem encenadas promoções. A companhia enviou executivos à mostra de Barcelona, mas nunca assumiu o palco central.
"Eles normalmente não expõem em eventos que não sejam da Apple, mas gostaríamos muito que se juntassem a nós", disse Claire Cranton, porta-voz da GSM Association, organizadora da convenção anual de Barcelona. "Os produtos da Apple terão alta visibilidade na mostra."
A Apple avançou em direção a seus rivais asiáticos para se tornar a terceira maior fabricante de smartphones do mundo, a área que mais cresce no mercado de celulares. Em dezembro, a Apple tinha 16,4% do mercado, atrás da Nokia e da Research In Motion, que produz o BlackBerry, de acordo com a Strategy Analytics. A Apple cresce mais rápido do que qualquer outra empresa.
A crescente influência da Apple no setor móvel global se origina da forma pela qual a Apple convenceu os consumidores a usar informações sem fio. No mundo todo, operadoras buscam aumentar sua receita oriunda do uso de dados, como mandar mensagens e navegar na web, enquanto sua receita com chamadas de voz declina. Os 133 mil aplicativos do iPhone, que fazem tudo que um computador faz e mais, aumentam o uso de dados.
"Com o iPhone, a Apple mudou o paradigma do setor de celulares, assim como a Apple mudou a indústria do MP3 com o iPod¿, disse Carolina Milanesi, analista da firma de pesquisa Gartner. "Eles mudaram o foco, da tecnologia para os serviços."
O novo iPhone 3GS faz parte da exposição oficial da T-Mobile, a divisão wireless da Deutsche Telekom, que vende o aparelho em 12 países e é revendedora exclusiva na Alemanha.
Michael Hagspihl, vice-presidente da T-Mobile responsável em Bonn pelas relações com fabricantes de celular, disse que o iPhone atraiu 1,2 milhão novos clientes para a T-Mobile na Alemanha. "Foi um verdadeiro sucesso para nós", disse Hagspihl. "O iPhone trouxe muitos novos consumidores para nossa rede, e nosso consumo de dados foi às alturas."
Se a Apple decidir vender o iPhone nos Estados Unidos por meio de múltiplas operadoras, a T-Mobile USA estaria definitivamente interessada, disse Hagspihl. Até agora, a AT&T tem direitos exclusivos sobre a venda do iPhone nos EUA.
Mas na França e no Reino Unido, a Apple encerrou as parcerias exclusivas e está vendendo o iPhone por meio de várias operadoras além de seus parceiros originais, Orange, da France Telecom, e O2, da Telefónica.
Mesmo depois de perder os direitos exclusivos de venda na Franca, a Orange não teve declínio nas vendas do iPhone, disse Cynthia Gordon, vice-presidente da Orange que supervisiona a relação com a Apple. "A Apple teve grande impacto no mercado em geral e um impacto muito positivo nos negócios da Orange", disse Gordon.
A Orange é um dos maiores parceiros de operação da Apple, disse Gordon. A operadora francesa vende o iPhone em 29 países na Europa, África, Ásia e Oriente Médio. Até outubro, a Orange vendeu 1,7 milhão de iPhones, que segundo a empresa foi mais do que qualquer outra operadora na Europa e na África.
As vendas do iPhone estão ajudando a Orange a equilibrar as quedas na receita com chamadas de voz, disse Gordon. "Ele foi uma plataforma para ampliar nossas próprias vendas", disse ela.
Além de atrair novos clientes e manter os antigos, o iPhone permitiu que a Orange desenvolvesse o Orange TV Player, um aplicativo que permite que o iPhone sintonize 60 canais de TV na França. Segundo ela, a Apple e a Orange desenvolveram o aplicativo juntas.
Tradução: Amy Traduções

- The New York Times

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