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 Analistas perguntam: o iPad vai justificar tanto entusiasmo?
30 de março de 2010 08h59 atualizado às 09h13

Jobs: iPad vai oferecer uma experiência superior à dos netbooks. Foto: AFP

Jobs: iPad vai oferecer uma experiência superior à dos netbooks
Foto: AFP

Quando o Apple iPad chegar às lojas, no sábado, a maior parte das questões sérias quanto ao aparelho já terão sido respondidas, excetuada uma: ele conseguirá justificar todo o entusiasmo?

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Os fãs da Apple vêm aguardando com ansiedade a entrada da companhia no mercado de computadores tablet. Desde que a empresa revelou o iPad, no final de janeiro, os investidores também aderiram, e as ações da Apple subiram em mais de 10%.

Parte dessa alta pode ser atribuída ao avanço firme nas vendas do iPhone e dos computadores Macintosh da empresa. Mas boa parte se deve à febre do iPad. No dia deste mês em que a Apple fez um anúncio, nada surpreendente, de que o iPad chegaria às lojas em 3 de abril, as ações subiram em cerca de 4%.

As expectativas são claramente elevadas. Agora, cabe ao iPad cumpri-las.

A Apple não ofereceu indicação pública quanto ao volume de vendas que antecipa, ou que números constituiriam sucesso. Mas na apresentação do iPad, em janeiro, Steve Jobs, o presidente-executivo da empresa, estabeleceu, implicitamente, um padrão elevado. Ele disse que o iPad ofereceria uma experiência superior à dos netbooks, uma categoria em rápida ascensão de laptops leves e de baixo peso, que respondeu por US$ 11 bilhões em vendas no ano passado.

Ele também disse que os 75 milhões de pessoas que têm iPod Touches e iPhones nos Estados Unidos já sabiam como usar o iPad, que emprega o mesmo sistema operacional desses aparelhos e uma interface com tela de toque.

Mas os analistas e investidores estão buscando maneiras de julgar o desempenho do aparelho em curto e em longo prazo. As projeções variam, mas muitos analistas da Apple parecem acreditar que a empresa venderá um milhão de iPads no segundo trimestre e cerca de cinco milhões até o final de 2010.

Os analistas reconhecem que certa dose de adivinhação está envolvida nesse tipo de projeção, em parte por quando não está claro que tipo de aplicativos e conteúdo estarão disponíveis para o iPad, da parte das companhias de mídia e dos produtores de software.

"A realidade do iPad será determinada pelos aplicativos disponíveis para ele", disse Gene Munster, analista da Piper Jaffray. "As pessoas estão debatendo os argumentos de uso do aparelho, e isso será decidido em larga medida pelos aplicativos. Há muita gente ainda indecisa quanto a existir ou não um mercado para o tablet".

Existem outras variáveis em ação. Por exemplo, parece que o iPad estará disponível inicialmente apenas nas lojas da Apple e na Best Buy. Quanto a Apple vai demorar para começar a vender o modelo por meio de outros distribuidores, e em outros países além dos 10 que já anunciou que verão lançamentos do iPad este ano?

Será que a Apple permitirá que outras operadoras de telefonia móvel norte-americanas que não a AT&T, por exemplo a Verizon, comecem a oferecer planos de dados 3G para o aparelho? E quanto ela vai demorar para baixar o preço do iPad, ou para introduzir modelos com novos recursos, tais como câmeras incorporadas?

Ao considerar a forma pela qual o iPad pode afetar a Apple, os analistas também precisam considerar o complicado tópico da "canibalização". Consumidores que gastem US$ 499 no mais barato modelo do iPad podem estar deixando de lado a compra de um MacBook de US$ 999 ou, mais provavelmente, de um iPod de US$ 199.

Muitos analistas estão considerando precedentes históricos para avaliar as perspectivas de mercado do iPad. Em 2001, as vendas do iPod começaram lentamente. A Apple vendeu apenas 372 mil unidades em seu primeiro ano, e depois mais de um milhão no segundo, quando a Apple iTunes foi inaugurada.

Depois do lançamento do iPhone, em 2007, com frenesi de mídia semelhante, a Apple vendeu 1,4 milhão de aparelhos em seus dois primeiros trimestres, e 6,1 milhão em todo o primeiro ano.

Mas o iPhone pode ser má referência. As pessoas já estavam acostumadas a comprar celulares. Pouca gente já teve um tablet. O iPad é algo de completamente novo para a maioria dos consumidores ¿ mais semelhante, digamos, ao Amazon Kindle ou ao decodificador Apple para TV a cabo. Esses dois aparelhos venderam menos de um milhão de unidades no primeiro ano.

Conquistar a penetração de massa e o impacto cultural do iPad e do iPhone é o maior desafio da Apple, em última análise. "Eles terão de convencer usuários convencionais, que de outra forma comprariam um leitor eletrônico ou netbook", disse Michael Michael Abramsky, analysta da RBC Capital Markets. "Caso eles consigam começar a convencer esse tipo de público e avançar além das pessoas que gostam de novidades e compram qualquer coisa, existe potencial de crescimento".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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