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Tecnologia

 
 

Tecnologia que imita olho humano pode mudar relação com PCs

31 de março de 2010 16h27

Fazer com que os computadores tenham a capacidade de ver os seres humanos não vem sendo fácil para a Canesta. Os fundadores dessa pequena fabricante de chips do Vale do Silício começaram 11 anos atrás seus esforços para dotar qualquer equipamento eletrônico de uma minúscula câmera digital capaz de observar tridimensionalmente o mundo em torno dela. Essa tecnologia, que imita o funcionamento do olho humano, promete alterar a maneira pela qual os seres humanos interagem com os computadores onipresentes em suas vidas.

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E daqui a alguns meses, quando os consumidores começarem a encontrar nas lojas computadores, televisores e consoles de videogames equipados com controladores capazes de ler movimentos de mãos e olhos, a companhia pode enfim escapar definitivamente às suas diversas experiências quase fatais.

"As câmeras 3D antigamente custavam US$ 5 mil", disse Michael Tombroff, presidente-executivo da Softkinetic, que produz software para sistemas 3D de reconhecimento de gestos. "Hoje em dia, o custo caiu a US$ 50 ou menos em termos de materiais".

Os defensores dessa tecnologia a saúdam como uma das mais significativas mudanças na maneira pela qual as pessoas interagem com seus aparelhos eletrônicos. Alguns até esperam que supere com folga a tecnologia de telas de toque que vem capturando as atenções recentemente.

Mas ela se provou tão difícil de desenvolver que a Canesta, sediada em Sunnyvale, passou a vida toda vendendo mais promessas que produtos. Em 2002, James Spare, então diretor de marketing da empresa, começou a demonstrar um teclado virtual ao público. Usando a tecnologia da Canesta, aparelhos como o Palm Pilot e celulares podiam projetar um teclado, em luz vermelha bruxuleante, sobre uma mesa ou escrivaninha. Teclados físicos se tornariam obsoletos.

O teclado virtual da Canesta atraiu grande atenção, mas não funcionava muito bem. As pessoas estavam acostumadas a pressionar teclas, enquanto o sistema da empresa requeria que pensassem mais sobre a posição dos seus dedos no espaço. E a anatomia humana também acarretava certos problemas.

"As unhas eram problema", diz Cyrus Bamji, vice-presidente de tecnologia da Canesta. "Não conseguíamos ver as unhas porque elas dispersavam a luz enviada pelo laser. Nós brincávamos sobre criar uma linha especial de esmaltes".

A tecnologia da Canesta encontrou alguns usos industriais iniciais nos campos automotivo e da robótica. As montadoras de automóveis podiam criar sensores que ajudavam os veículos a ver os obstáculos em torno deles, e robôs industriais podiam ser equipados com sensores para verificar a qualidade de produtos.

Mas os executivos da Canesta acreditavam que encontrariam mais êxito se conseguissem conquistar espaço no mercado de bens eletrônicos de consumo. Para chegar aos produtos de uso cotidiano, porém, a Canesta teria de criar um chip barato e pequeno o bastante para ser integrado a câmeras digitais minúsculas. O módulo do chip enviaria luz infravermelha e depois calcularia quanto tempo demoraria para que essa luz retornasse ao módulo.

Os engenheiros da empresa sabiam que construir um chip como esse requereria imensa criatividade e anos de esforço. Para começar, teriam de descobrir como levar o chip a observar apenas o infravermelho da Canesta, ignorando o imenso volume de energia infravermelha do sol.

"Lembro de uma reunião no Japão na qual um executivo abriu a janela antes da demonstração", diz Bamji. "Havia um lago lá fora, e o sol gerava muitos reflexos. Foi um problema sério, embaraçoso".

Depois de sofrer revezes como esses, a Canesta precisava de mais dinheiro. Isso significava convencer investidores a aceitar os riscos do desconhecido. "Realizamos 140 reuniões com empresas de capital para empreendimentos", disse Spare, hoje presidente-executivo da Canesta. "Era um desafio encontrar investidores concentrados na grande oportunidade".

Os investidores do Vale do Silício há muito ignoram a companhia. Os investimentos de longo prazo em fabricantes de chips se tornaram cada vez mais raros por aqui.

Ao longo dos anos, a empresa conseguiu cerca de US$ 60 milhões em capital. Investidores como o Carlyle Group e a Venrock se mantiveram firmes, enquanto outros investidores, de Taiwan e da Coreia do Sul, também foram conquistados.

Um investidor especialmente importante é a Quanta, uma companhia de Taiwan que produz laptops para as principais marcas de computadores e se aliou à Canesta. A empresa espera colocar laptops equipados com módulos de câmeras 3D este ano ou no ano que vem. A Honda também investiu na companhia, e existem discussões sobre o uso de chips da Canesta como sensores instalados do lado de fora de carros e sensores internos que determinem se um assento está equipado por uma criança ou um adulto, ajustando o comportamento dos airbags devidamente.

Ao longo dos próximos meses, chegarão ao mercado computadores e televisores equipados com os chips da companhia. Os usuários poderão em breve ligar e desligar seus televisores simplesmente erguendo as mãos, ou selecionar fotos em seus computadores com um leve movimento de dedos.

No site da Canesta, pode-se ver um vídeo da tecnologia. Acesse pelo atalho http://tinyurl.com/yfgb2ml.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
The New York Times