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Tecnologia

 
 

Conheça Fernanda Viégas, brasileira que é a "senhora planilha"

05 de maio de 2010 08h59 atualizado às 09h30

Aos 38 anos, Fernanda Viégas recentemente montou sua própria empresa, a Flowing Media. Foto: Divulgação

Aos 38 anos, Fernanda Viégas recentemente montou sua própria empresa, a Flowing Media
Foto: Divulgação

Fernanda Viégas estudou linguística, engenharia química e educação no Brasil e nos Estados Unidos antes de finalmente se dedicar ao design gráfico. Na semana passada, aos 38 anos, a trajetória se traduziu em um merecido reconhecimento ao ser incluída na lista de mulheres mais influentes do mundo da tecnologia da respeitada revista FastCompany.

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A lista é considerada uma amostra de mulheres que vêm se destacando em áreas que lideram a inovação. Além da brasileira, da relação de 2010 fazem parte, entre outras, Meredith Artley, editora que reformulou o visual do site da CNN; Jill Tarter, diretora do projeto SETI, que busca sinais de vida extraterrestre inteligente e cuja vida inspirou o filme e o livro Contato; e Susan Wu, co-fundadora e executiva-chefe do Ohai, site de jogos online.

No caso de Fernanda, a escolha se deve à área em que vem se destacando, a visualização de dados. A categoria em que foi incluída diz tudo: "crânio" (Brainiacs).

"Fiquei bastante surpresa e extremamente honrada de fazer parte de um grupo tão seleto de mulheres", ela disse.

Fernanda estudou engenharia e linguística no Rio de Janeiro, sem terminar nenhuma das duas faculdades, até que em 1992 conseguiu uma bolsa de graduação nos Estados Unidos. "Acabei me formando em design gráfico e história da arte pela Universidade de Kansas, em Lawrence. Depois que me formei, fui para o Media Lab do MIT no final de 1997", contou.

Foi durante o doutorado no Massachussets Institute of Technology, o MIT, mais famoso instituto de tecnologia do mundo, que começou a chamar atenção ao criar o Themail, projeto que transformava e-mails em formas de contar histórias visualmente.

"A visualização é um meio de comunicação. É que nem escrever. A partir do momento em que se aprende a escrever, temos a oportunidade de fazer coisas muito distintas: desde provar um teorema matemático até escrever poesia. Assim é com a visualização de dados: através dela conseguimos fazer descobertas científicas, incentivar o debate público e até mesmo criar obras de arte que emocionam e engajam", explicou.

Com a experiência, ela percebeu que infográficos podiam funcionar como ferramentas sociais. Foi o ponto de partida para o Many Eyes, projeto da IBM - onde começou a trabalhar em 2005 - criado em parceria com o designer Martin Wattenberg, no qual qualquer pessoa pode enviar dados e organizá-los visualmente. É possível navegar pelos dados alheios, interagir ou encontrar novos padrões. A ideia básica: é possível um gráfico sobre quase tudo. Sejam as principais palavras usadas por Barack Obama em seu discurso de posse como presidente dos Estados Unidos, seja o consumo de água em um condomínio.

Suas criações a fizeram ser chamada de "senhora planilha" numa reportagem. A última colaboração na IBM foi ao projeto Many Bills, que ajuda pessoas a encontrarem sentido na confusão de propostas de lei sendo discutidas no Congresso dos Estados Unidos. Mas em março último Fernanda e Wattenberg deixaram a empresa e criaram o próprio estúdio, Flowing Media. A ideia é parecida com o Many Eyes, mas voltada para empresas. "Queremos ajudar jornais, revistas, a mídia em geral a contar histórias através de dados", disse.

Atualmente Fernanda mora em Cambridge, no Estado de Massachusetts, Estados Unidos. Seus hobbies têm pouco a ver com a área de estudo: mergulho e snowboarding. Futebol? "Eu torcia pelo Flamengo, mas isso já faz muito tempo".

Redação Terra