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Segunda, 25 de abril de 2005, 13h37

Microsoft retira apoio à causa gay e é criticada

A Microsoft, que esteve durante décadas na vanguarda dos direitos corporativos dos gays, está agora na mira de grupos que defendem os direitos homossexuais, de políticos e de seus próprios funcionários. O motivo? A companhia retirou o apoio ao projeto de lei contra a discriminação baseada na orientação sexual. O motivo do retrocesso foi a pressão por parte de uma igreja evangélica localizada perto da sede da companhia em Redmond, Washington. Para os ativistas dos direitos gays, a poderosa Microsoft desmoronou ante a pressão dos fundamentalistas da direita, diz o New York Post.

Ken Hutcherson, pastor da Igreja da Bíblia de Antioquia (Antioch Bible Church), que organizou diversas cruzadas contra o casamento homossexual em Redmond e em Washington D.C., citado no The New York Times, diz que, nos dois encontros que manteve com representantes da Microsoft, ameaçou organizar um boicote nacional contra os produtos da empresa. Mesmo assim, executivos da companhia negam que a decisão de retirar o apoio à lei tenha sido tomada em função da pressão de igreja.

O projeto de lei - mais uma tentativa que vem sendo repetidamente feita nas últimas três décadas -, foi derrotado por apenas um voto na semana passada. A lei teve o apoio de companhias de alta tecnologia e corporações multinacionais como a Nike, Boeing e Hewlett-Packard.

"Acho que as pessoas devem se sentir traídas", disse ao The New York Times uma antiga executiva da Microsoft, Tina Podlowski, que também atuou como conselheira municipal e agora integra um grupo de apoio a portadores do vírus HIV. "Para mim, a Microsoft foi um dos grandes apoiadores dos direitos civis de gays e lésbicas, e fez isso quando nem era um assunto tão visível na política, quando era apenas a coisa certa a ser feita."

Um funcionário da Microsoft compareceu a uma reunião neste mês com o vice-presidente Bradford L. Smith e cerca de outros 30 funcionários, quase todos gays. O vice-presidente expôs os encontros que tivera com o pastor Hutcherson e, segundo relatou o funcionário ao NYT, "ficou a impressão de que a companhia estava mudando sua política de apoio como resultado desses encontros".

O parlamentar democrata e gay assumido Ed Murray disse que, numa conversa com Smith no mês passado, o vice-presidente da Microsoft teria deixado claro para ele que a companhia estava sendo pressionada pela igreja e o pastor, e que ele se preocupava com a reação dos funcionários cristãos ao apoio da companhia à causa gay. Smith teria contado, ainda, que o pastor insistira para que a companhia demitisse todos os funcionários que apoiavam a lei, mas que ele, Smith, recusara-se.

Seguranças
Conforme o New York Post, depois de várias ameaças à vida de Bill Gates, um grupo de seguranças agora guarda o dono da Microsoft, sua mulher Melissa e os dois filhos do casal. As ameaças teriam se tornado mais numerosas depois que a Microsoft recuou no apoio dado à causa gay e, numa entrevista recente no Beverly Hilton Hotel, nada menos que dez seguranças acompanhavam Gates.

Redação Terra

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