
"Depois do anúncio formal do governo, está mais do que claro que o momento do software livre é agora", afirmou Clarke a jornalistas. "Cada vez mais vocês vão escutar de software livre, Linux, principalmente no ambiente governamental e corporativo, e cada vez menos de Windows. É uma tendência inexorável", acrescentou. "A Intel apóia as duas plataformas, mas o momento é de incentivo ao software livre", disse.
Intel e Novell - uma das líderes mundiais de tecnologia que mais apostaram no sistema operacional de código aberto adquirindo empresas desenvolvedoras - acabam de anunciar no Brasil um pacote de programas e serviços Linux para computadores de mesa (desktops) usados em empresas. Embora a Novell tenha afirmado que vai procurar segmentos e não substituir o Windows, o argumento de venda é que agora há opção à Microsoft.
"Agora o mercado corporativo tem escolha", comentou o presidente da Novell Brasil, Ricardo Fernandes, que admite a possibilidade de estender a solução Linux para desktop ao mercado residencial no futuro. Ele não deu prazos, mas afirmou que o sistema já atenderia ao usuário pessoa física.
Os primeiros computadores com o pacote "Novell Linux Desktop" devem ser produzidos a partir de junho, na estimativa de Fernandes, que não identificou fabricantes nem o tamanho do mercado potencial.
Na apresentação do produto, executivos admitiram a necessidade de criar um "ambiente" similar ao desenvolvido pela Microsoft - possibilitando até salvar textos no famoso programa de edição Word -, o que facilita a migração dos usuários. A própria Novell estará migrando para Linux até o final do mês os cinco mil funcionários que tem no mundo, segundo Fernandes.
A história recente da norte-americana Novell é marcada pela perda de terreno para a Microsoft no segmento de servidores, em que a primeira chegou a ser líder há cerca de dez anos. Hoje a Novell é reconhecida como empresa de soluções de segurança e pretende obter o domínio do mercado corporativo em Linux, segundo Fernandes. "Nossa intenção é avançar com força", afirmou.
O Brasil e a Índia são os dois países em que o acordo global Novell-Intel está mais avançado, informaram os executivos. Eles argumentaram que o mercado brasileiro é um campo fértil para o Linux neste momento.
"É um movimento global, mas no Brasil o governo tem sido mais ativo na adoção do software livre", declarou Clarke. "No mundo da economia globalizada, desenvolvemos nossas plataformas para atender requerimentos de mercado que, no Brasil, é cada vez maior de Linux", disse.
A Intel informou ter participado ativamente do projeto PC Conectado, em que o governo federal se propõe a viabilizar crédito para financiamento de máquinas com software livre que custem até R$ 1,4 mil. "Temos absoluta confiança no sucesso do programa. A meta de um milhão de computadores no primeiro ano e de mais um milhão no segundo vai ser em muito superada", disse Clarke.
Reuters
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