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Criador de Star Wars é pioneiro da tecnologia

George Lucas é mundialmente famoso pela saga Star Wars. O que talvez muitos não saibam é que, na ânsia de conseguir fazer o melhor em seus filmes, ele criou um time que desenvolveu tecnologias avançadíssimas para a época - década de 1970 - e que, mais tarde, apareceriam em aparelhos de som domésticos, telefones celulares, dispositivos de imagens médicas e praticamente em todo estúdio de Hollywood, conduzindo companhias de bilhões de dólares e empregando milhares de pessoas.

  • Tecnologia deve muito a Lucas
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    Depois de filmar o primeiro Star Wars, com efeitos especiais que estavam longe de serem especiais, Lucas gastou milhões para desenvolver um sistema completo de edição digital para povoar suas seqüências com exércitos de guerreiros Gungan e X-Wings. "Estávamos dez anos à frente da realidade comercial", diz Bod Doris, co-gerente geral da divisão de computadores de Lucas até meados da década de 1980.

    Lucas - famoso por dizer "não sou um empreendedor capitalista" - reconheceu o absurdo da situação quando fez o primeiro Star Wars. Ele tentava contar uma história futurista sobre uma revolução intergalática, viagens espaciais e andróides, numa Hollywood presa a técnicas de fazer cinema de 50 anos atrás. Para criar naves espaciais ou criaturas alienígenas, os artistas construíam modelos pequenos e torciam para que os espectadores tivessem uma imaginação muito viva. A primeira "Estrela da Morte" foi feita com plástico.

    Lucas aspirava a algo muito maior e, depois do lançamento do filme, em 1977, ele reuniu um pequeno grupo de artistas da computação e disse a eles que não economizassem para criar um sistema que incluísse software capaz de renderizar imagens em três dimensões. Primeiro, a equipe criou "EditDroid", o primeiro sistema de edição digital. Ele permitia que os filmes fossem transferidos para discos de computador. Lucas vendeu essa tecnologia para a Avid - e originou o precursor das modernas baias de edição cinematográficas.

    Renderman
    Depois, vendeu a divisão de computação - que viria a se tornar a Pixar - para Steve Jobs em 1986, em um dos piores negócios da história do cinema. Usando o talento e a tecnologia que Lucas deixou escapar, a Pixar desenvolveu o Renderman, o programa que simplesmente transformou a indústria de filmes dando a imagens de computador qualidades de mundo real, como sombras, reflexos brilhantes, motion-blur e profundidade de campo. A Pixar usou o Renderman para lançar, em 1995, o primeiro filme inteiramente feito em animação por computador, Toy Story, e depois mais cinco arrasa-bilheterias.

    Outros estúdios usaram o RenderMan ou programas inspirados nele para fazer as formas mutantes do cyborg em Terminator 2, as ondas maciças de Perfect Storm e até mesmo a fumaça e o fogo gerados por computador no final do novo filme da saga Star Wars, Revenge of the Sith. No total, o programa ajudou os estúdios a ganharem 33 dos últimos 35 Oscars de efeitos especiais.

    Mas Lucas - já seguro financeiramente por ser dono da franquia Star Wars - teve boas razões para se livrar de algumas tecnologias. A maioria das ferramentas de edição e produção eram tão avançadas que havia um mercado muito pequeno para elas na época. E ele não era movido por lucros - queria apenas poder fazer filmes melhores, diz Doris, que saiu e, com outros três integrantes do staff de Lucas fundou, em 1986, a Sonic Solutions, que faz softwares para criação de DVDs.

    AP

  • Reuters
    Lucas aparece ladeado pelos soldados que tornou famosos
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