inclusão de arquivo javascript

Tecnologia

 
 

Internet Brasil: dez anos e vinte mi de usuários

01 de junho de 2005 08h40 atualizado às 09h28

Ao completar dez anos no Brasil, a Internet comercial é usada por 15% da população, resultado que não provoca palmas na entidade que administra a Web no país. Ainda assim, o número não é considerado negativo, dado o estágio do desenvolvimento nacional. A avaliação é que a Web conseguiu uma penetração "proporcional aos indicadores econômicos do país" e que não há "mágica", afirmou o coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR), Marcelo de Carvalho Lopes. Há hoje no Brasil cerca de 20 milhões de internautas, a maioria representantes das classes A e B.

O coordenador, que é secretário de Política da Informação do Ministério de Ciência e Tecnologia, participou de anúncio de um plano de profissionalização do Comitê Gestor, que dará ao grupo mais flexibilidade para promover propostas de desenvolvimento e administração da Internet no Brasil.

Até recentemente, o Comitê Gestor era um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que montou uma estrutura para a concessão de domínios da Web no Brasil, disse Lopes. O Comitê Gestor anunciou a criação do NIC.br, entidade civil formada por vários representantes da sociedade que vai cuidar dos registros de endereços da Internet no Brasil e de propostas para melhoria do uso da rede.

Na prática, isso significa que os R$ 28 milhões que são gerados por ano com o registro de endereços Web no Brasil - atualmente cerca de 770 mil - poderão ser usados mais diretamente pelo Comitê Gestor. Mas as discussões são permeadas por entraves ao uso da Internet, como o acesso a computadores pela população de baixa renda, a concentração de poder das operadoras de telefonia local e a "baixa capilaridade dos provedores de Internet", que após dez anos estão presentes em apenas 600 dos mais de 5 mil municípios do país, disse o conselheiro do Comitê Gestor, António Valente Tavares.

Na pauta do Comitê Gestor estão projetos como estímulo à criação de conteúdo em português, aplicações de medicina a distância, instalação de redes ultra-rápidas para projetos de pesquisa e propostas para aumentar a participação de países em desenvolvimento nas discussões sobre a governança da Internet. Um primeiro resultado da postura mais ativa da entidade foi o recente lançamento de registros de endereços de sites que possuem cedilha, acentos e outros caracteres do português.

Mas o projeto que pode gerar mais consequências para a Internet brasileira no futuro é a entrada em vigor da tecnologia IPV6, uma atualização do atual sistema de endereçamento da Web, que hoje usa a tecnologia IPV4. "Quando o IPV6 estiver funcionando, será possível dar um endereço de Internet para cada átomo do corpo humano", brincou o conselheiro do Comitê Gestor, Demi Getschko, considerado um dos fundadores da Web no Brasil.

"(O IPV6) vai gerar uma conectividade praticamente ilimitada, cada aparelho de uma casa poderá ter um endereço de Internet, por exemplo", disse Getschko, prevendo que o início do uso comercial da tecnologia deve ocorrer nos próximos cinco anos.

Reuters
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.