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 Fórum discute os rumos do software livre no Brasil
03 de junho de 2005 13h34 atualizado às 19h03

Debate foi o que reuniu o maior público no fórum. Foto: Cristiano Sant''Anna/indicefoto/Divulgação

Debate foi o que reuniu o maior público no fórum
Foto: Cristiano Sant''Anna/indicefoto/Divulgação

Um dos debates mais importantes nesta edição do Fórum Software Livre ocorreu nesta tarde. O painel "O Futuro do Software Livre no Brasil em Debate" reuniu representantes de órgãos do governo e da comunidade software livre, administradores e desenvolvedores para discutir os rumos do software livre no País.

O debate foi até agora o mais procurado pelo público, que participou ativamente aplaudindo, vaiando e questionando. O governo foi bastante cobrado na fala dos debatedores, que exigiram definições, modelos e mais efetividade na execução de projetos.

"Quanto se economiza é discussão do passado, queremos saber o que é gasto, o que se desenvolve e a renda que gera", disparou Marcelo Branco, da coordenação do Projeto Software Livre Brasil. Para Branco, o software livre tem que se sustentar no mercado formal, "gerando emprego e renda", e não ficar somente preso ao governo, à academia ou ao trabalho voluntário.

Cezar Alvarez, coordenador do programa PC Conectado, disse que o desafio é conciliar inclusão digital, software livre e produção industrial. "Num país onde 79% da populção nunca manuseou um computador e 89% jamais se conectou à internet, o PC Conectado se apresenta como um projeto de inclusão digital para famílias pobres e é parte de um programa mais amplo do Governo Federal. Com ele teremos mais um milhão de computadores rodando com Software Livre".

Um modelo de negócios para o software livre foi defendido como necessida urgente por Bruno Souza, do projeto SouJava. Na opinião dele, é preciso ampliar a discussão sobre o tema das patentes. "Queremos um modelo de negócios com previsão de exportação de softwares", explicou. Clarice Copeti, vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal, concorda. O modelo tradicional, em que uma empres fornece um pacote fechado, segundo ela, não serve para um banco público. Para Cerqueira César, vice-presidente de TI do Banco do Brasil, citado no site do fisl 6.0 (http://fisl.softwarelivre.org/6.0/), o Brasil tem a possibilidade de ser a referência em software livre para o mundo.

Lula
Na abertura oficial do evento, ontem, foi lida uma mensagem do Presidente Lula que reafirmou o apoio do governo federal ao desenvolvimento dos programas de código aberto . Ele falou das iniciativas do governo para estimular a inclusão digital como o Programa Governo Eletrônico de Atendimento ao Cidadão, que "levou a Internet, via satélite, a mais de cinco milhões de brasileiros, em 2,5 mil municípios" e mantém, atualmente, cerca de 22 mil computadores conectados em rede.

O Programa PC Conectado, que pretende oferecer computadores de baixo custo com acesso à Internet para a população de baixa renda, também foi citado por Lula, lembrando que o governo optou por equipar as máquinas financiadas com softwares abertos.

Uma figura bastante aguardada era o governador do Paraná, Roberto Requião, que fez a palestra de abertura. Além de falar, ele assinou um decreto que liberou para uso, publicação, distribuição, reprodução e alteração todos os programas criados e desenvolvidos em software livre pela Companhia de Informática do Paraná (Celepar).

O fisl 6.0 espera reunir em torno de 5 mil pessoas nas suas diversas atividades. O fórum, que está sendo realizado no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, termina neste sábado.

Redação Terra