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Segunda, 18 de julho de 2005, 13h32 Atualizada às 14h17

Nigeriana condenada por fraude a banco brasileiro

Um tribunal nigeriano condenou uma mulher a dois anos e seis meses de prisão depois que ela admitiu culpa em um esquema de fraude sobre o antigo banco brasileiro Noroeste, no maior caso de fraude por e-mail com origem no país africano, afirmaram autoridades do governo.

Amaka Anajemba, uma entre três suspeitos na fraude de US$ 242 milhões que envolveu o Banco Noroeste, comprado pelo espanhol Santander no final dos anos de 1990, vai devolver US$ 48,5 milhões ao banco, entregar US$ 5 milhões ao governo nigeriano e pagar multa de 2 milhões de nairas (US$ 15 mil), afirmou a agência antifraude da Nigéria. Os esquemas de fraudes têm sido tão bem-sucedidos na Nigéria que promotores de campanhas de combate a elas afirmam que se tornaram uma das principais fontes de moeda estrangeira do país depois de petróleo, gás natural e cacau.

A sentença de Anajemba, conferida pela Alta Corte de Lagos na última sexta-feira, foi a primeira importante condenação obtida desde que a Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros (EFCC, na sigla em inglês) foi criada em 2003 para combater as redes de fraudadores que agem por e-mail. A agência informou em comunicado que o julgamento representou "um marco para a EFCC na luta contra o avanço de fraudes, corrupção e outros crimes relacionados".

Normalmente, as redes de fraudadores da Nigéria enviam spam ao redor do mundo com a promessa de repartirem parte de uma fortuna se o destinatário pagar taxas adiantadas. Os que pagam nunca recebem o dinheiro prometido.

Anajemba, cujo falecido marido organizou o esquema de fraude contra o Noroeste entre 1995 e 1998, foi acusada junto com Emmanuel Nwude e Nzeribe Okoli. A promotoria acusou os três de obterem US$ 242 milhões ao prometerem a um funcionário do banco uma comissão por um contrato inexistente para a construção de um aeroporto na capital nigeriana, Abuja.

Os três não tinham admitido culpa, mas Anajemba reviu sua posição para ser condenada a uma sentença menor. A prisão dela remonta a janeiro de 2004, quando foi detida. O julgamento dos outros dois suspeitos foi transferido para setembro.

Classificado pelo grupo Transparência Internacional como o segundo país mais corrupto do mundo depois de Bangladesh, a Nigéria deu novos poderes à EFCC, que está com cerca de 200 casos de fraude e de corrupção. A agência antifraudes já prendeu cerca de 200 suspeitos de promoverem fraudes por e-mail desde 2003. O órgão informa que confiscou bens avaliados em US$ 200 milhões e obteve outras 10 condenações.

Reuters

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