Vírus & Cia

› Tecnologia › Vírus & Cia

Vírus & Cia

Segunda, 1 de agosto de 2005, 12h38

Falha em máquinas Cisco pode ser exposta na Web

Hackers trabalharam durante boa parte do final de semana para expor uma falha que pode permitir que um atacante tome controle dos roteadores da Cisco Systems, que dirigem o tráfego de dados ao longo de boa parte da Internet. Irritados e inspirados pelas tentativas da Cisco de evitar a divulgação do problema, no começo da semana, diversos especialistas em segurança da computação reunidos na conferência Defcon trabalharam por toda a madrugada do sábado a fim de localizarem e mapearem a vulnerabilidade.

Os roteadores da Cisco dirigem o tráfego de pelo menos 60% da Internet, e o problema de segurança dominou duas conferências do evento que atrai milhares de pesquisadores, funcionários do governo dos Estados Unidos e adolescentes baderneiros a Las Vegas todos os anos.

Os hackers disseram que a intenção deles não é capturar informações usadas em pagamentos de comércio eletrônico, ler emails privados ou lançar qualquer outra forma de ataque que explore a falha. "A razão para que o façamos é o fato de que alguém tenha dito que não seria possível", disse um hacker, que como os demais falou à Reuters sob a condição de que seu nome não fosse revelado.

Eles afirmam que querem ilustrar a necessidade dos clientes da Cisco atualizarem seu software para se defenderem contra essas possibilidades. Muitos usuários de equipamentos da Cisco retardaram o difícil processo porque ele exige a desconexão completa das máquinas da Internet.

O pesquisador de segurança Michael Lynn descreveu o problema inicialmente na quarta-feira, durante a conferência Black Hat, apesar das objeções da Cisco e de seu antigo empregador, a Internet Security Systems (ISS).

Lynn ajudou a Cisco a desenvolver uma solução, mas desejava discutí-la publicamente para conscientizar as pessoas sobre o problema. De acordo com colegas, ele chegou a deixar seu emprego na ISS para discutir o assunto livremente. "O que Lynn fez foi dizer como construir um míssil, sem fornecer os detalhes. Ele deu apenas informações suficientes para que as pessoas compreendessem que a construção do míssil era possível, e pesquisassem a partir dali", disse um especialista em segurança que se identificou apenas como Simonsaz e disse não estar participando da campanha hacker.

Ordem judicial
Depois da apresentação de Lynn, a Cisco e a ISS conseguiram uma ordem judicial que impede que o pesquisador e a organização da Black Hat divulguem novas informações sobre a falha. Funcionários da Cisco tiraram a apresentação de Lynn do programa da conferência, segundo testemunhas, e a Black Hat decidiu distribuir um vídeo com a palestra do especialista.

"As ações da ISS e da Cisco sobre o senhor Lynn e a Black Hat não foram baseadas no fato de que uma falha foi identificada, mas sim porque eles escolheram lidar com o assunto fora das práticas estabelecidas pela indústria", disse a porta-voz da Cisco, Mojgan Khalili, que acrescentou que a companhia está comprometida em proteger seus clientes.

Mas os esforços da empresa somente inspiraram outros especialistas em computação a tentarem identificar o problema de software. "É realmente triste e desanimador ver que a Cisco assumiu essa postura, pois deixa seus clientes menos seguros", disse um dos hackers.

Em um quarto que hospeda hackers que vieram para a conferência, vários roteadores da Cisco estavam cercados por copos plásticos de cerveja em uma mesa. Dois laptops no chão mostravam o código-fonte das máquinas, um emaranhado sem fim de números. Se os hackers da Defcon não descobrirem como assumir o controle sobre o Sistema Operacional da Internet da Cisco até o final da semana, seus rivais europeus certamente conseguirão, disseram os participantes da maratona.

Alguns especialistas afirmaram que a repercussão da falha tem sido desproporcional. Hackers mal-intencionados preferem alvos mais fáceis como computadores domésticos do que complexos roteadores que dirigem o tráfego de dados da Web, disse Jon Callas, vice-presidente técnico da PGP Corp, uma fornecedora de software de codificação de informações.

"Uma boa parte do barulho sobre esse assunto refere-se ao uso de advogados e decisões judiciais em vez da própria falha", disse Callas, que não está envolvido nos esforços para a exploração da falha.

Reuters

Busque outras notícias no Terra