Mais de 80% dos jihadistas conhecidos são imigrantes muçulmanos que vivem em comunidades dispersas em vários países, freqüentemente marginalizadas da sociedade-hospedeira e vivendo em redes sociais difíceis de penetrar, formadas por amigos e familiares. "Buscando um senso de comunidade, estes pequenos grupos se unem ao navegar em sites jihadistas em busca de direcionamento e propósito", destacaram Atran e Stern. "Só nos últimos cinco anos, sites jihadistas aumentaram seu número de menos de 20 para mais de 4 mil", acrescentaram.
Tais sites nutrem a violência religiosa e o senso de irmandade, acrescentaram os cientistas. Eles ajudam a incitar o ressentimento acumulado do indivíduo ou seu sentimento de humilhação, transformando-os em um desejo ardente de retaliação no qual o interesse próprio é sacrificado por questões de fé.
"Os jihadistas europeus agem não para atingir um objetivo político claramente especificado, mas para se opor a um mal global. Mesmo no Iraque, jihadistas de outros 14 países árabes dizem ter se oferecido para lutar contra o 'mal internacional' antes de pelo Iraque em si", destacou a carta.
Combater jihadistas em casa requer o entendimento da dinâmica destes pequenos grupos e suas motivações psicológicas, inclusive o isolamento e o ressentimento, afirmaram. "Em vista do crescente papel desempenhado pela Internet, os esforços devem oferecer grupos similares em cidades e no ciberespaço, demonstrando o mesmo compromisso e compaixão frente a seus membros quanto os grupos terroristas parecem oferecer, mas com respeito à vida e aos demais", sugeriram.
Atran é chefe de pesquisas do Instituto Jean Nicod do Centro Nacional Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês) e professor-assistente de psicologia da Universidade de Michigan, enquanto Stern integra os quadros da John F. Kennedy School of Government, da Universidade de Harvard.

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