
Os EUA entraram em conflito com a União Européia e boa parte do resto do mundo sobre o futuro da Internet. Atualmente, o país gerencia o sistema global de informação por meio de uma parceria com a empresa californiana ICANN.
"Nós poderíamos fazer isso se for pedido", afirmou Utsumi em entrevista coletiva nesta sexta-feira.
A experiência da agência da ONU nas telecomunicações, sua estrutura e acordos de cooperação com órgãos privados e públicos deixam a UIT em melhor posição para assumir a tarefa, disse ele.
Washington deixou claro que será contrário a essa mudança, apesar das demandas por mudança do atual sistema. "Nós não concordamos que as Nações Unidas assumam a administração da Internet", disse David Gross, autoridade do Departamento de Estado norte-americano, presente à conferência preparatória da "Cúpula da Sociedade de Informação" que será promovida pela ONU, na Tunísia, em novembro.
Os EUA, cujo Departamento do Comércio supervisiona a ICANN, afirmam que nunca tomarão qualquer ação que afete o funcionamento da Internet. Mas países como o Irã afirmam temer que Washington os espione a qualquer momento. O assunto deve azedar a reunião marcada para 16, 17 e 18 de novembro, em Tunis.
O encontro busca aprovar um plano de extensão do uso da Internet e outras formas de comunicações avançadas para ajudar os países mais pobres a cumprirem até 2015 metas de desenvolvimento definidas pela ONU.
A UE afirma que está propondo um novo "modelo cooperativo" para a administração da Internet e concessão de endereços que todos os participantes da cúpula poderão aceitar.
Gross, no entanto, falando a jornalistas na quinta-feira, descreveu o plano como "uma mudança chocante e profunda" em relação à posição anterior da UE pois o bloco de países abre agora espaço para o controle da Web por governos, alguns dos quais já censuram o que seus cidadãos lêem na Internet.
Apesar de muitos países da UE estarem satisfeitos com o trabalho da ICANN, muitos governos "simplesmente não podem aceitar que os americanos tenham controle da Internet em seus países", afirmou o porta-voz do bloco europeu, David Hendon, acrescentando que essa preocupação precisa ser reconhecida.
A proposta da UE pede que a Internet e a Icann fiquem sob a legislação internacional em vez de vinculadas a normas dos EUA.
Reuters
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