
Atualizada às 14h25
A agenda detalhou o plano da comunidade internacional de acabar com o abismo digital entre Norte e Sul. Mas para a decepção do mundo em desenvolvimento, os países ricos rejeitaram o compromisso de uma contribuição obrigatória para o Fundo de Solidariedade Digital. O texto final apenas elogiou a criação desse dispositivo.
Lançado em Genebra, o fundo arrecadou até agora US$ 9,4 milhões, e seus promotores esperam conseguir anualmente dezenas de milhões. O dispositivo tem o objetivo de permitir aos países pobres a aquisição de novas tecnologias por um preço menor. Durante os três dias da CMSI, foi apresentado um protótipo de laptop que custa US$ 100, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o conhecido MIT.
O presidente do Senegal, Abdulaye Wade, lembrou como a África continua "desconectada" do mundo moderno, com o mesmo número de telefones da ilha de Manhattan, em Nova York. O mercado global das telecomunicações quase triplicou seu valor de 1990 a 2003, passando de US$ 374 bilhões para US$ 1,12 trilhão, segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU responsável pela organização da CMSI.
Os países em desenvolvimento registraram um crescimento importante nos últimos 13 anos, mas em 2003 o Sul contribuía apenas com um quinto do lucro total do mercado global de telecomunicações, destacou a UIT. Wade reconheceu que a CMSI permitiu à África se incorporar ao mundo da comunicação. "É melhor estar no último vagão do que em nenhum", comentou.
Um total de 50 líderes mundiais se reunii em Túnis, a maioria de Estados africanos e árabes. Nenhum grande país ocidental enviou seu chefe de Estado ou governo. A CMSI foi marcada por polêmicas envolvendo a liberdade de expressão, devido às críticas de governos ocidentais a Túnis, onde jornalistas e militantes de organizações de defesa dos direitos humanos enfrentaram a polícia.
Diante do presidente da Tunísia, Zin El-Abidin Ben Ali, a advogada iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003, denunciou a censura na Internet e a repressão aos "ciberdissidentes" em vários países.
AFP
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