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Quinta, 24 de novembro de 2005, 16h36 
"Traidores" ameaçam software livre no Brasil, diz Stallman
 
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"Traidores" podem estar pondo a perder o programa brasileiro de adoção do software livre pelo governo federal, afirma Richard Stallman, uma das principais lideranças do movimento pelo software livre no mundo. Stallman fez as afirmações em entrevista à Agência Brasil em Túnis, capital da Tunísia, na semana passada. Há dois anos Stallman elogiara o Brasil por transformar a adoção do software livre em política de governo.

"Sei de ministros brasileiros responsáveis pela migração para o software livre que cancelaram projetos em andamento", disse Stallman. "Um ministro se vender para uma empresa como a Microsoft é como se vender para outro país, é traição", completou ele, que recebeu prêmio na semana passada das mãos do ministro da Cultura, Gilberto Gil, representante oficial do governo brasileiro na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação.

A americana Microsoft é uma das principais empresas do mundo no ramo de software, mas adota o modelo de negócios chamado "proprietário", vendendo licenças de uso de seus programas para os usuários e qualificando o ato de copiar o programa sem sua autorização como "pirataria".

Os softwares livres são programas de computador cuja utilização, reprodução e compartilhamento são livres e gratuitos. Segundo Stallman, que é especialista em programação de computadores e um dos criadores da Fundação Software Livre (em inglês, Free Software Foundation), o projeto do governo brasileiro de passar a substituir os softwares proprietários por similares livres em seus computadors começou bem no início do governo, mas agora enfrenta problemas.

Para Stallman, a adoção do programa não-proprietário é uma forma de promover a inclusão digital. "Os governos deveriam adotar o software livre, é como encorajar a sociedade a buscar liberdade", afirmou o programador, que, nos anos 80, criou o sistema GNU, mais tarde utilizado como base para criação do Linux, considerado hoje o mais difundido conjunto de programas livres para computadores pessoais no mundo.
 

Agência Brasil