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Pentágono vigia e censura blogs de soldados no Iraque

19 de janeiro de 2006 17h16 atualizado às 18h51

Blog de soldado - que foi rebaixado -  virou livro.. Foto: Divulgação

Blog de soldado - que foi rebaixado - virou livro.
Foto: Divulgação

Nos últimos meses, o Pentágono tem ficado alarmado com a quantidade de informações delicadas que, segundo altos chefes militares, está sendo revelada por meio dos blogs publicados na Web por soldados que estão no Iraque. Vários militares já foram rebaixados e multados pelo conteúdo das suas publicações - que são vigiadas de perto -, o que provocou um debate sobre o alcance da censura militar em tempo de guerra. Os blogs equivalem aos diários de guerra de outras épocas - com a diferença de que são publicados e imediatamente estão disponíveis para qualquer um, inimigo ou aliado. Um dos blogs virou um livro.

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    Um porta-voz do Pentágono confirmou ao jornal La Tercera que o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Peter Schoomaker, "advertiu os soldados sobre o perigo que é para os militares a divulgação de informação que o inimigo pode ler com facilidade através dos computadores". O porta-voz acrescentou também que não é política das Forças Armadas norte-americanas evitar a existência dos diários, mas sim "evitar que se transmita inadvertidamente ao inimigo informações sobre material, táticas e as vias de acesso utilizados por nossas tropas."

    Chamou a atenção o caso de Jason Christopher Hartley, 31 anos, dois dos quais servindo no Iraque. Ele foi um dos primeiros militares a ser rebaixado (era sargento) e multado. Seu diário online justanothersoldier.com (apenas mais um soldado) despertou a ira dos chefes pelo que eles consideraram uma violação das normas de segredo militar. O blog virou um livro (veja reprodução da capa na foto acima à direita).

    A acusação assegura que o soldado descreveu, em detalhes, a rota utilizada por sua unidade para chegar ao Iraque, o que pode colocar em perigo os aviões dos Estados Unidos que a utilizem. Ele também é acusado de ter revelado que as últimas três balas no carregador da arma são balas "traçadoras", pois isso permitiria ao inimigo saber quando está acabando a munição dos soldados. Em outros casos, segundo o Pentágono, "os soldados publicaram fotos de tanques Abrams destruídos por granadas, o que poderia indicar aos atacantes exatamente onde atingir os veículos".

    A posição do Pentágono é delicada, porque nesta era informática os blogs são uma das formas mais populares de comunicação entre os soldados e seus familiares, assim como entre os soldados e uma opinião pública ávida por notícias a respeito das unidades de suas cidades. Uma censura muito severa pode minar o respaldo de milhares de famílias militares à causa da guerra, já questionada em amplos setores da sociedade dentro e fora dos Estados Unidos.

    Os soldados norte-americanos no Iraque usam a Internet para contar detalhes de suas vidas, seu estado de ânimo, seus triunfos e tristezas, assim como suas necessidades e frustrações. Os blogs equivalem, hoje, aos "diários de guerra" de outros tempos, com a diferença que são imediatamente publicados em um meio, a Internet, que pode ser acessado por qualquer um em qualquer lugar do mundo, amigos ou inimigos.

    Muitos soldados dizem que não poderiam suportar a vida no campo de batalha sem o acesso à Internet. Seus familiares, por outro lado, apreciam muito ter esta via de comunicação que muitas vezes lhes proporciona informações mais confiáveis que as oficiais.

    Censura e vigilância
    Em agosto, o Chefe do Estado-Maior do Exército enviou um vídeo aos soldados na frente de batalha advertindo-os sobre o perigo que há em divulgar mais informação do que o necessário. Desde então, as coisas foram piorando e a hierarquia militar estabeleceu um rígido sistema de censura que inclui a obrigação de todos os soldados inscreverem-se em um registro centralizado. Também foi criada uma unidade especializada com a missão de vigiar de perto o conteúdo de todas as publicações dos soldados na Internet.

    Mesmo assim, muitas informações consideradas perigosas pela alta hierarquia militar conseguem sair à luz de tempos em tempos, o que levou a um sistema de castigos, por enquanto baseado em rebaixamento de posto e multas que vão de US$ 1 mil a US$ 2 mil.

    Os setores que criticam a guerra denunciaram que o Pentágono está indo muito além do razoável em sua luta contra os blogs, pois censura não somente os diários dos soldados que revelam muita informação como também aqueles mais politizados, que divulgam opiniões não muito favoráveis à ocupação do Iraque.

    Os blogs que não têm problemas - dizem - são os mais patrióticos. Em novembro, a hierarquia militar enviou uma comunicação aos soldados intitulada Loose blogs may blow up BCTs (algo como "blogs sem controle podem fazer voar pelos ares uma patrulha"). Com isso, o Pentágono ecoou o famoso slogan produzido pelo governo norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial: Loose lips sink ships (boca aberta afunda navios). As informações são do IBLNews.com.

  • Redação Terra