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Quinta, 26 de janeiro de 2006, 11h04

Robôs tomam conta do espaço na era pós-Challenger

A explosão do ônibus espacial americano Challenger, há vinte anos, foi um duro golpe para os "vôos tripulados" ao espaço, agora relegados a uma proporção menor por causa da utilização cada vez maior de artefatos robotizados. Neste sábado, a Nasa vai recordar o trágico desastre de 1986 e seus sete mortos. Mas a vez é mesmo dos robôs. No último ano, por exemplo, a sonda americana Cassini transmitiu imagens espetaculares do remoto planeta Saturno, enquanto que, buscando as origens do sistema solar, um artefato da Nasa se chocou contra um cometa e outro voltou intacto à Terra trazendo poeira estelar.

Em Marte, dois pequenos robôs buscam eventuais traços de água e de vida, ajudados por um punhado de satélites em órbita sobre eles. Outros exploradores de metal e silício estão a caminho de Mercúrio, Vênus e Plutão. Já o laboratório espacial europeu Rosetta se lançou no longo caminho que o levará a se chocar contra um cometa... em 2014.

Enquanto os robôs assumem o papel de exploradores dos confins do sistema solar, as missões tripuladas seguem confinadas à periferia da Terra e caracterizadas pelas preocupações com a segurança. "A Challenger mostrou quanto sofisticada era esta tecnologia, mas também sua fragilidade. Nossos sonhos estão amarrados", ressalta Roger Launius, titular da pasta de história do espaço no Smithsonian.

O mais ambicioso projeto de presença humana no espaço, a Estação Espacial Internacional (ISS), e um dos veículos que permitem alcançá-la, o ônibus americano, vivem uma crise profunda. Além disso, a ISS, cujo custo total pode ser de US$ 100 bilhões, poderá nunca ser concluída.

Concebido há trinta anos, o ônibus espacial está repleto de defeitos que já custaram a vida 14 pessoas em 114 missões. Cada um de seus vôos é agora precedido de intermináveis verificações e cada uma de suas peças é verificada intensamente antes da permissão para decolagem.

Imaginado no início como um modo de transporte econômico, o ônibus já "engoliu" US$ 145 bilhões, ou seja, US$ 1,3 bilhão por viagem, estima Roger Pielke, diretor do Centro de Ciência, Tecnologia e Investigação da Universidade do Colorado. Já os robôs Spirit e Opportunity, em atividade em Marte, custaram US$ 900 milhões e, apesar de previstos para durarem apenas 90 dias, seguem com valentia em sua tarefa dois anos depois.

Os problemas do ônibus espacial são tão graves que a Nasa vai dar baixa do que restar de sua frota em 2010 e pretende construir um novo veículo, uma versão maior e mais moderna da cápsula Apollo, que utilizaria os foguetes de apoio do ônibus.

Globalmente, os vôos tripulados se resumiram ao envio de um astronauta chinês ao espaço, em 2003, e ao primeiro vôo, em 2004, do SpaceShipOne, um veículo balístico destinado ao turismo espacial. Para recuperar seu prestígio, a Nasa espera convencer as autoridades americanas de voltar a Lua até 2018.

"A viagem à Lua é interessante, mas, do ponto de vista europeu, é mais interessante ir diretamente a Marte", ressalta o ex-astronauta francês Jean-Jacques Favier, agora encarregado de reflexão estratégica do Centro Nacional de Estudos Espaciais de seu país.

AFP

Divulgação
Robôs enviados a Marte continuam funcionando após mais de dois anos
Robôs enviados a Marte continuam funcionando após mais de dois anos

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