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Quinta, 26 de janeiro de 2006, 12h18 Atualizada às 15h03

Google encara protestos e justifica posição na China

O Google anunciou que vai bloquear termos políticos "sensíveis" em seu novo site de buscas na China, e que não oferecerá correio eletrônico, messenger e serviço de publicação de blogs naquele mercado. Por conta do anúncio, e da aparente "rendição" à censura chinesa, a companhia enfrentou um protesto de usuários em frente a sua sede em Mountain View, na Califórnia. Dezenas de pessoas da organização Students for a Free Tibet mostraram cartazes sobre a situação dos direitos humanos na China e pediam ao Google, parafraseando o lema da corporação: "Google, não faça o mal".

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    "Não pensei que chegaria a essa conclusão, mas acho que dar aos chineses mais informação é melhor, mesmo que não seja tão completa quanto a gente gostaria", disse Serge Brin, um dos fundadores do Google, em uma entrevista à Reuters. Ao procurar por termos como liberdade de imprensa, direitos humanos, Tibet e outros proibidos, o usuário é direcionado a sites que contêm a opinião oficial do país.

    O Google, que tem o lema "We do no evil" (não fazemos o mal), havia recusado anteriormente cumprir as demandas da censura na China, regras que devem ser seguidas por quem quiser operar no país. "Sei que muita gente está chateada com a nossa decisão, mas é algo que vimos discutindo há muitos anos", afirmou Brin num intervalo das conferências do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

    Por enquanto, o Google oferecerá quatro de seus principais serviços na China: busca de imagens e sites da Internet, Google News e busca local. As concessões assumidas pela companhia são semelhantes a algumas das autocensuras já praticadas no país por rivais como Yahoo e Microsoft.

    "Não há dúvidas. Eu diria que o Google vai à China para ganhar dinheiro, não para levar democracia", disse John Palfrey, autor de um estudo sobre a censura chinesa na Internet e professor na Harvard Law School. "O problema prático é que nos últimos dois anos o Google foi censurado na China, não por nós, mas pelo governo por meio do 'grande filtro'", disse Brin. "Não é algo que me agrade, mas creio que é uma decisão razoável", explicou.

    Em circunstâncias políticas diferentes, o Google já informou aos usuários de seus serviços de busca alemão e francês que bloqueou o acesso a materiais como sites nazistas proibidos na Europa. "A França e a Alemanha censuram sites nazistas, e os Estados Unidos querem censura baseado nos direitos autorais. Estes países também têm leis sobre pornografia infantil", completou Brin.

    Atualmente, nos Estados Unidos, o Google está enfrentando o Departamento de Justiça. O governo quer acesso a dados detalhados sobre as buscas efetuadas no Google - que se recusa a entregar tais dados ao governo por acreditar na proteção à privacidade de seus usuários.

    Redação Terra

  • AP
    Manifestantes pedem ao Google:
    Manifestantes pedem ao Google: "não faça o mal"

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