0

Algoritmo criado por brasileiro prevê desejo dos consumidores

4 set 2012
07h15
atualizado às 07h22
  • separator
  • comentários
Guilherme Justino

Com a aplicação de metodologia capaz de identificar produtos que teriam maior probabilidade de alcançar sucesso comercial, uma empresa carioca aumentou suas vendas em 29% em um curto período de tempo. Ao mesmo tempo, evitou despesas extras com produtos que receberiam pouca atenção dos clientes - assim aumentando sua margem de lucro. Como? A partir do uso de um algoritmo capaz de avaliar o desejo dos consumidores.

Técnica, adotada por grife carioca, facilita investimento em produtos com potencial de venda e baixo risco
Técnica, adotada por grife carioca, facilita investimento em produtos com potencial de venda e baixo risco
Foto: LODE / Divulgação

Desenvolvida por um brasileiro, a técnica consiste em uma análise extensiva do processo de produção de determinada empresa, aliada à coleta de dados de eventuais consumidores. Um grupo de pessoas escolhidas responde a um questionário e, a partir dos resultados, é possível determinar qual dos produtos a ser oferecido é mais desejado, se o preço está adequado, qual a melhor maneira de projetar as vendas. Assim, o algoritmo permite estimar quais produtos têm maior chance de obter sucesso no mercado.

Mesmo com sua aplicação, no entanto, ainda há inevitáveis riscos associados ao comércio. O método não é infalível: de fato, baseia-se na lógica difusa, uma teoria que admite valores intermediários entre o falso e o verdadeiro - em oposição ao tradicional modelo binário - e se baseia na probabilidade. Serve como apoio à intuição dos vendedores para analisar a vontade dos consumidores: uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, como descreveu seu criador em entrevista ao Terra .

"O algoritmo surgiu na tentativa de gerar uma aposta 'calibrada', feita com mais assertivos. Quando você confia na intuição, corre o risco de errar. Essa técnica não elimina os riscos nas vendas, mas garante mais possibilidade de acertos", explica Fábio Krykhtine, aluno de Mestrado em Engenharia de Produção na Coppe/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Todo mundo chuta; nós não chutamos mais. Até chutamos, mas é um chute 'calibrado', brinca, mencionando a experiência com uma empresa do setor têxtil.

Aplicação prática
Mesmo tendo publicado diversos artigos sobre o assunto, o estudante não resume seu trabalho à atividade teórica: depois de desenvolver o projeto inicial sob orientação dos professores Francisco Dória e Carlos Alberto Nunes Cosenza, Krykhtine se uniu a um amigo para testar a utilidade prática do algoritmo. Assim, a grife carioca LODE avaliou o potencial de seus produtos, verificando quais peças teriam maior sucesso comercial, e obteve um aumento de 29% nas vendas ao varejo durante a feira Fashion Business, no Rio de Janeiro.

Para desenvolver a metodologia, foi necessário uma primeira amostragem interna na empresa, com os próprios funcionários respondendo a uma série de critérios para indicar quais produtos mais lhes agradavam - e por quê. Especialistas também foram ouvidos. Então, foi feita uma pesquisa de campo com o público-alvo e, a partir daí, o algoritmo ajudou a definir a atratividade dos itens oferecidos ao consumidor.

Futuro
O criador do algoritmo destaca que o trabalho ainda está sendo desenvolvido, e pode sofrer muitas alterações até ser oferecido para outros negócios. Ele ressalta que é necessário um nível de envolvimento muito grande por parte da companhia que decidir utilizar o serviço: é preciso que a empresa abra informações potencialmente confidenciais para que a técnica seja eficaz, e meses podem se passar antes que surjam resultados.

Krykhtine crê que sua pesquisa poderá ser adotada por muitas outras empresas, de variados segmentos, em um futuro próximo. "Visualizamos várias potencialidades, e nosso desejo é que diversos mercados façam uso dessa técnica", explica. Quanto à comercialização do algoritmo, ele desconversa: "não é algo que possa ser vendido em uma loja online, por exemplo. Tem que ser personalizado", afirma Krykhtine, que já recebeu propostas de mais empresas interessadas em adivinhar o desejo dos consumidores.

Terra

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade