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Amazon cria polêmica ao expulsar WikiLeaks

2 dez 2010
18h03
atualizado às 19h36

Ativistas, jornalistas e blogueiros advertiram nesta quinta-feira que a decisão da Amazon de expulsar o WikiLeaks de seus servidores coloca em perigo a liberdade na Rede e pediram para a empresa americana explicar se sucumbiu a pressões políticas. A Amazon deixou de hospedar o WikiLeaks após receber pedidos do Comitê de Segurança e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, presidido por Joe Lieberman, o que fez com que o site ficasse fora de serviço na maior parte do dia antes de retornar a seu provedor sueco Bahnhof.

Segundo os documentos divulgados pelo Wikileaks, um conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte, disse a um vice-secretário americano, Philip Gordon, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está "louco" e que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo
Segundo os documentos divulgados pelo Wikileaks, um conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte, disse a um vice-secretário americano, Philip Gordon, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está "louco" e que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo
Foto: AFP

A página do WikiLeaks foi vítima de ataques sistemáticos desde que no domingo começou a divulgar documentos diplomáticos confidenciais americanos, que deixaram a política externa do país em péssima situação. A organização pediu nesta quinta-feira a seus seguidores no Facebook que boicotem a Amazon mediante uma foto na rede social do senador Lieberman: "Boicotem a Amazon por ajudar Liberman a censurar o WikiLeaks", diz um texto sobre a fotografia.

O senador por Connecticut disse nesta quarta-feira em comunicado que "nenhuma companhia responsável" dentro ou fora dos EUA deveria ajudar a Amazon a "disseminar material roubado" e anunciou que pediria explicações à empresa americana sobre o assunto. Comentários como esses dispararam os alarmes do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights First, que pediu nesta quinta-feira ao executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, que explique os motivos de sua decisão e compartilhe com o público dos EUA quais partes do governo americano pressionaram a empresa.

"A decisão da Amazon de deixar de hospedar o WikiLeaks em seus servidores gera sérias preocupações sobre a liberdade na Internet", assinalou nesta quinta-feira a organização em carta dirigida a Bezos. O grupo insistiu que decisões de companhias como a Amazon determinarão se a internet do futuro cumpre com sua promessa de oferecer uma maior liberdade aos cidadãos para se expressar e organizar, ou, pelo contrário, se transforma em uma ferramenta que pode controlar os governos.

A medida propiciou vários tipos de comentários na Rede: "Agora a "Amazon" presta contas a um senador?", se perguntava Amy Davidson na revista The New Yorker. "Lieberman acha que ele, ou qualquer outro senador, pode pedir à companhia que administra a fábrica que imprime o "New Yorker", quando for publicar uma história que inclui material confidencial, para interromper as impressões?", acrescentava Amy.

O blog nova-iorquino "Gawker" fez comentários similares em artigo intitulado: "Amazon.com desaloja WikiLeaks, quem será o próximo?". A imprensa americana reproduziu, nesta quinta-feira, a fotografia de um bunker sueco da Guerra Fria que hospeda o WikiLeaks e que parece tirado de um filme de James Bond.

A empresa Bahnhof acolhe o WikiLeaks literalmente em uma caverna dentro da Montanha Branca, perto de Estocolmo (Suécia), segundo meios como "Forbes" e o sueco "VG Nett". A revista Forbes menciona que o lugar de armazenamento está 30 m embaixo da terra dentro de um bunker com uma grossa porta metálica para acesso e geradores de emergência que provêm de submarinos alemães.

A atenção da imprensa segue centrada no fundador do WikiLeaks, Julian Assange, sobre o qual pesa uma ordem de prisão internacional, e quem, segundo o jornal britânico The Independent, se encontra escondido no Reino Unido. O cerco contra Assange, um cidadão de origem australiana de 39 anos que vive se mudando, se estreitou depois que a Corte Suprema da Suécia rejeitou o recurso de seus advogados para a ordem de prisão ditada contra ele por supostos crimes sexuais. Personagem polêmico e carismático, Assange é um dos favoritos ao título de "Pessoa do Ano" da revista Time.



EFE   

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