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Aos 80 anos, Léa Fagundes discute inclusão digital no ensino

13 nov 2010
18h02
atualizado em 14/11/2010 às 04h28
Rafael Maia
Direto de Porto Alegre

Com uma clareza de raciocício que impressiona, Léa Fagundes subiu ao palco do TEDxPortoAlegre, na tarde deste sábado, para discutir o uso da tecnologia digital na educação. Pioneira no uso da informática nas escolas, Léa tocou em um ponto central para o desenvolvimento da sociedade: a inclusão digital não acontece quando se colocam computadores nas salas de aula. É necessário compreender que a mudança só acontecerá de forma plena quando o ensino for realmente inserido na cultura digital.

TEDx discute ideias para inspirar um mundo melhor

Aos 80 anos, mais de 60 dedicados ao estudo e ao ensino, ela arrancou risadas e aplausos da plateia quando contou como descobriu a existência do TEDx. "A primeira vez que vi o TED foi pelo YouTube", comentou.

Para comprovar a importância da utilização dos computadores no aprendizado, Léa recorreu às raízes greco-romanas para discutir o que é inteligência. Feita a diferença deste conceito com o de conhecimento, ela então introduziu o expoente no estudo cognitivo, Jean Piaget, para afirmar: a inteligência é uma função, que, como qualquer outra, precisa de estímulos corretos para se desenvolver melhor.

Ela também ressalta que, neste processo, não interessa quem é ativo, quem é passivo, porque não é assim que deveria ser. A questão aqui é a interatividade, sem diferença entre níveis de doação e recepção. "É como na biologia. Se o meio ambiente é hostil, não há vida", comparou.

A percepção humana é tridimensionalizada. Ela é, portanto, limitada e não raramente pode levar a conclusões enganosas sobre o mundo físico. Neste sentido, de acordo com Léa, o computador é uma ferramenta libertadora porque livra o ser humano das amarras que a biologia impôs. E, para ela, é somente quando o pensamento se liberta que acontece a tomada de consciência e, assim, os homens se tornam independentes.

TED e TEDx
O TED surgiu em 1984, na Califórnia - inspirado pelo arquiteto e designer gráfico Richard Saul Wurman, para quem a fusão das três disciplinas (Tecnologia, Entretenimento e Design) ajudava a dar forma ao mundo e impulsionava suas mudanças - como uma conferência anual de quatro dias reunindo ativistas, artistas, políticos e realizadores para dividir novas ideias, em palestras de no máximo 18 minutos. Em sua primeira edição, o TED demonstrou o novo computador Macintosh, a Sony apresentou o CD e o guru da inteligência artificial Marvin Minksy desenvolveu um novo e poderoso modelo da mente. Mas o sucesso não foi o esperado, e apenas seis anos depois se realizou a segunda edição. A partir daí o TED não parou mais, inclusive de crescer, gerando eventos semelhantes, embora autônomos, em diversos lugares do mundo. São os TEDx, com o mesmo espírito e formato, em palestras curtas para expor teorias, experiências e pensamentos que possam inspirar um mundo melhor. O "x" marca a independência do evento. No Brasil, já houve edições do TEDx em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Amazônia.

Fonte: Redação Terra

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