Clube do Bolinha: brasileiros criam app para avaliar mulheres

Aplicativo para Android permite que homens avaliem anonimamente as amigas no Facebook. Ideia é inspirada no Lulu, que chegou ao País no mês passado e causou polêmica na internet

atualizado às 14h38
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Depois de toda polêmica causada pelo Tubby, três empresários brasileiros lançaram o Clube do Bolinha, ferramenta que permite que homens avaliem mulheres de forma anônima. O aplicativo tem funcionamento semelhante ao Lulu: após se logar com a conta do Facebook e responder a um questionário sobre uma amiga, um algoritmo gera uma nota à menina. Além disso, o usuário ainda pode atribuir hashtags a elas.

Clube do Bolinha permite que homens avaliem anonimamente suas amigas do Facebook
Clube do Bolinha permite que homens avaliem anonimamente suas amigas do Facebook
Foto: Reprodução

Os desenvolvedores tentam descolar sua imagem do aplicativo Tubby - que prometia ser a versão masculina do Lulu e acabou se revelando uma brincadeira. Com hashtags agressivas, o Tubby foi tachado de machista, criticado na web e chegou a ter seu lançamento proibido pela Justiça.

"O Tubby tinha um conteúdo agressivo, e a gente quer fugir desse raciocínio. O nosso diferencial é esse, não temos conteúdo agressivo, é uma maneira divertida de fazer a avaliação", afirmou ao Terra um dos desenvolvedores, Murilo Vianello, 23 anos. "Não é nossa intenção denegrir a imagem da mulher. Minha mãe e minha namorada estão no aplicativo", disse.

O app está disponível para Android e já teve mais de 17 mil downloads. Segundo Murilo, o aplicativo deve chegar ao iPhone em breve, já que o grupo está aguardando a aprovação da ferramenta pela Apple. O Clube do Bolinha foi desenvolvido por três empreendedores de São Paulo. Além de Murilo, trabalharam no programa André Dantas, 22 anos, e Vinícius Panzetti, 23. Eles são sócios de um comparador de preços de roupas online.

Murilo também afirma que o aplicativo não foi motivado por revanchismo ao Lulu, aplicativo que chegou ao Brasil no mês passado e fez barulho na internet. "Eu estava vendo TV e uma matéria sobre o Lulu. A gente viu que eles de maneira alguma fariam a versão masculina, decidimos fazer de forma diferente. Foi mais um desafio", disse. "Quando o Tubby revelou ser uma brincadeira eles disseram que não seria possível desenvolver uma aplicação em sete dias. A gente provou o contrário", afirmou.

O grande diferencial do aplicativo é que, ao contrário do Lulu, as mulheres podem ver seu perfil e checar como estão sendo avaliadas. No entanto, elas não podem fazer avaliações.

No app, homens avaliam as amigas através de hashtags
No app, homens avaliam as amigas através de hashtags
Foto: Reprodução

Entre as perguntas feitas pelo aplicativo para gerar a nota das meninas estão questões sobre o comportamento em um "rolê", sua responsabilidade e se o usuário a "pegaria". Nas hashtags, o grupo fugiu da abordagem sexual. Entre as cotações ruins estão #SóFazMiojo e #MariaGasolina, enquanto as qualidades incluem #ChefedeCozinha e #TopCapadeRevista, a mais usada pelos homens que avaliaram as amigas, segundo Murilo.

O grupo ainda não desenvolveu uma ferramenta que permita a exclusão do perfil de mulheres que não queiram participar da brincadeira, a exemplo do que acontece no Lulu. No entanto, é possível bloquear o app da plataforma do Facebook, o que exclui o perfil da ferramenta. Para fazer isso, basta clicar em "bloquear" no menu à direita da página do app na rede social.

"Nós estamos trabalhando em melhorias e devemos lançar uma ferramenta para excluir o perfil até o fim da semana. Nosso foco agora é melhorar nossos servidores. Temos mais de 5 mil pessoas online ao mesmo tempo", disse Murilo.

Justiça
Tanto o Lulu quanto o Tubby enfrentaram problemas na Justiça. Um estudante de Direito processou o Lulu e o Facebook por danos morais pedindo uma indenização de R$ 27 mil por danos causados à sua imagem pelo aplicativo. Além disso, o Ministério Público do Distrito Federal  e Territórios abriu um investigação contra o aplicativo.

Já o Tubby - antes de ser revelado como uma brincadeira - teve seu lançamento proibido pela Justiça de Minas Gerais. Um juiz da 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte, especializada em crimes de violência contra a mulher, proibiu o app de ser lançado com base na Lei Maria da Penha.

Terra

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