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10 de dezembro de 2013 • 12h35 • atualizado às 14h38

Clube do Bolinha: brasileiros criam app para avaliar mulheres

Aplicativo para Android permite que homens avaliem anonimamente as amigas no Facebook. Ideia é inspirada no Lulu, que chegou ao País no mês passado e causou polêmica na internet

Clube do Bolinha permite que homens avaliem anonimamente suas amigas do Facebook
Foto: Reprodução
 

Depois de toda polêmica causada pelo Tubby, três empresários brasileiros lançaram o Clube do Bolinha, ferramenta que permite que homens avaliem mulheres de forma anônima. O aplicativo tem funcionamento semelhante ao Lulu: após se logar com a conta do Facebook e responder a um questionário sobre uma amiga, um algoritmo gera uma nota à menina. Além disso, o usuário ainda pode atribuir hashtags a elas.

Os desenvolvedores tentam descolar sua imagem do aplicativo Tubby - que prometia ser a versão masculina do Lulu e acabou se revelando uma brincadeira. Com hashtags agressivas, o Tubby foi tachado de machista, criticado na web e chegou a ter seu lançamento proibido pela Justiça. 

"O Tubby tinha um conteúdo agressivo, e a gente quer fugir desse raciocínio. O nosso diferencial é esse, não temos conteúdo agressivo, é uma maneira divertida de fazer a avaliação", afirmou ao Terra um dos desenvolvedores, Murilo Vianello, 23 anos. "Não é nossa intenção denegrir a imagem da mulher. Minha mãe e minha namorada estão no aplicativo", disse.

O app está disponível para Android e já teve mais de 17 mil downloads. Segundo Murilo, o aplicativo deve chegar ao iPhone em breve, já que o grupo está aguardando a aprovação da ferramenta pela Apple. O Clube do Bolinha foi desenvolvido por três empreendedores de São Paulo. Além de Murilo, trabalharam no programa André Dantas, 22 anos, e Vinícius Panzetti, 23. Eles são sócios de um comparador de preços de roupas online. 

Murilo também afirma que o aplicativo não foi motivado por revanchismo ao Lulu, aplicativo que chegou ao Brasil no mês passado e fez barulho na internet. "Eu estava vendo TV e uma matéria sobre o Lulu. A gente viu que eles de maneira alguma fariam a versão masculina, decidimos fazer de forma diferente. Foi mais um desafio", disse. "Quando o Tubby revelou ser uma brincadeira eles disseram que não seria possível desenvolver uma aplicação em sete dias. A gente provou o contrário", afirmou.

O grande diferencial do aplicativo é que, ao contrário do Lulu, as mulheres podem ver seu perfil e checar como estão sendo avaliadas. No entanto, elas não podem fazer avaliações. 

No app, homens avaliam as amigas através de hashtags
Foto: Reprodução

Entre as perguntas feitas pelo aplicativo para gerar a nota das meninas estão questões sobre o comportamento em um "rolê", sua responsabilidade e se o usuário a "pegaria". Nas hashtags, o grupo fugiu da abordagem sexual. Entre as cotações ruins estão #SóFazMiojo e #MariaGasolina, enquanto as qualidades incluem #ChefedeCozinha e #TopCapadeRevista, a mais usada pelos homens que avaliaram as amigas, segundo Murilo.

O grupo ainda não desenvolveu uma ferramenta que permita a exclusão do perfil de mulheres que não queiram participar da brincadeira, a exemplo do que acontece no Lulu. No entanto, é possível bloquear o app da plataforma do Facebook, o que exclui o perfil da ferramenta. Para fazer isso, basta clicar em "bloquear" no menu à direita da página do app na rede social.

"Nós estamos trabalhando em melhorias e devemos lançar uma ferramenta para excluir o perfil até o fim da semana. Nosso foco agora é melhorar nossos servidores. Temos mais de 5 mil pessoas online ao mesmo tempo", disse Murilo.

Justiça
Tanto o Lulu quanto o Tubby enfrentaram problemas na Justiça. Um estudante de Direito processou o Lulu e o Facebook por danos morais pedindo uma indenização de R$ 27 mil por danos causados à sua imagem pelo aplicativo. Além disso, o Ministério Público do Distrito Federal  e Territórios abriu um investigação contra o aplicativo.

Já o Tubby - antes de ser revelado como uma brincadeira - teve seu lançamento proibido pela Justiça de Minas Gerais. Um juiz da 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte, especializada em crimes de violência contra a mulher, proibiu o app de ser lançado com base na Lei Maria da Penha.

 

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