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Facebook não coloca fuzil na mão de rebelde, diz economista

12 abr 2011 13h41
| atualizado às 14h20
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Daniel Favero
Direto de Porto Alegre

O economista Rodrigo Constantino disse, nesta terça-feira, ao participar do painel sobre tecnologia e democracia, na 24ª edição do Fórum da Liberdade, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), que o poder das redes sociais na derrubada de regimes ditatoriais no Oriente Médio é super valorizado pelos entusiastas da internet. "O Facebook não faz brotar um fuzil na mão de rebeldes", disse ele ao falar sobre os conflitos na Líbia.

Para Constantino, a internet funciona como um catalizardor de contexto particular de cada local
Para Constantino, a internet funciona como um catalizardor de contexto particular de cada local
Foto: Tiago Trindade / Divulgação

"As expectativas desse novo mundo parecem um pouco infladas... regimes autoritários não vão ficar parados enquanto a internet vai servir para combater os regimes, os governos também vão usar a internet em benefício próprio. O papel do Twitter no combate às ditaduras no Oriente Médio não é uma realidade", disse. Para ele, a internet funciona como um catalisador de contexto particular de cada local.

Ele cita o uso político da internet e das redes sociais por políticos ao falar sobre o presidente venezuelano, Hugo Chavez, que criou uma conta no Twitter, que hoje já possui mais de 500 mil seguidores. "O socialista Obama, segundo consideram alguns, se elegeu com ajuda da internet".

Constantino diz que um exemplo do tipo de conteúdo que recebe atenção na internet pode ser conferido no You Tube. "O tem mais importância na web para as pessoas? Um vídeo do Justin Bieber, da Lady Gaga, ou um documentário sobre os abusos do regime stanilista ou cubano?". Segundo ele, a falta de aprofundamento na geração Wikipédia é grande, "as pessoas ficam rasas, repetindo pensamentos de outras pessoas sobre uma grande variedade de assuntos, sem se aprofundar em nada". Para Constatino, "a escolha é pelo lixo mas, gosto não se discute".

Também participou do painel, o consultor econômico Raul Velloso que possui vasta experiência em sites governamentais. Ele disse que hoje a maioria das páginas opta pela busca do escândalo. "Tem sites como o Contas Abertas que traz como manchete a devolução de dinheiro do Tiririca (que devolveu recursos que cobrou da União após viagem em resort de luxo), que mostra que a cobertura de alguns sites é feita em busca de escândalos". No entanto, a página também traz um serviço mais útil ao classificar as páginas governamentais divulgam os gastos, segundo determina a legislação.

Velloso falou ainda sobre o vazamento de dados do Wikileaks, no qual ele foi citado em conversa com diplomata americano. Nas conversas vazadas, falou sobre a falta de entendimento dos governantes brasileiros sobre os gastos do governo. "Eu falei em uma conversa informal, não imaginei que entraria em um relatório daqueles", disse ao criticar o jornalista que divulgou a informação citando o nome da fonte. "Às vezes a gente passa informação para jornalistas, mas pede para que a fonte não seja citada, não sei porque colocaram meu nome naqueles artigos".

Fonte: Terra
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