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22 de agosto de 2012 • 12h27

Gauss: novos ataques podem ocorrer em um mês

Gauss deve voltar a atacar dentro de um mês, prevê Kaspersky
Foto: Moh Tj / Divulgação
 
Bruna Saniele
Direto de Quito (Equador)

O Gauss, vírus de espionagem que recentemente atacou milhares de computadores no Líbano para obter acesso a informações financeiras, deve ser novamente acionado em um mês. A previsão é do diretor global de pesquisa e análise da Kaspersky (empresa de segurança na internet), Dmitry Bestuzhev.

Infográfico: Ciberguerra: saiba mais sobre Stuxnet, Flame, Duqu e Gauss

"Acreditamos que os criminosos estão esperando o vírus deixar de ser notícia para ativar as operações. Os computadores continuam contaminados, ainda não há uma solução para o problema", conta o diretor da empresa que descobriu pela primeira vez o Gauss.

Segundo especialistas, o trojan foi criado ou apoiado por um governo para espionar e roubar dados confidenciais, com foco principalmente em senhas, credenciais de contas bancárias online, cookies e configurações específicas dos equipamentos infectados.

Apesar de ser a empresa que descobriu o Gauss, o vírus ainda tem seus mistérios para a Kaspersky. Entre eles, diz o diretor, está a instalação de uma fonte personalizada, chamada de Palida Narrow, que aparece nos computadores infectados.

Além disso, não se sabe ainda o motivo dos criminosos terem se concentrado em obter informações financeiras de usuários do Líbano. Acredita-se que isso ocorre porque o sistema financeiro do País é restrito como o da Suiça e há uma dificuldade maior em obter acesso a dados desse tipo.

Ciberguerra na TV
Conforme o diretor, no entanto, uma perspectiva para o futuro indica que a "ciberguerra" não se concentrará apenas em setores estratégicos como o nuclear ou a aviação, mas também poderá chegar aos sistemas de eletricidade e gás.

Outra preocupação é o acesso às casas dos usuários, por meio de televisores como o Smart, do Google.

"Esses aparelhos são ligados à internet e estão dentro da casa das pessoas, com alguns vírus será possível, por exemplo, que um governo grave o que acontece na casa de um usuário e tenha um histórico de informações pessoais. É um problema que pode ocorrer no futuro ou até já esteja ocorrendo agora e nós ainda não descobrimos", diz.

O diretor afirma que as empresas de tecnologia têm pouco interesse em desenvolver aplicativos de segurança. No entanto, esses mecanismos deveriam ser criados já na fase inicial de concepção do produto e não apenas depois que já foram descobertos vírus que conseguem invadir os sistemas. "É importante que essas empresas comecem a trabalhar em uma infraestrutura de segurança, isso deveria ser a base de todos os projetos. O desenvolvimento de novos produtos deveria se pautar pela segurança para só depois se pensar em funcionalidade", completa.

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