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Livros eletrônicos serão a próxima revolução da internet?

21 mai 2011
11h33
atualizado às 11h33

Os livros impressos talvez estejam a caminho da escassez. Alguns dizem que talvez da própria extinção. Entre os argumentos que reforçam a tese de quem aponta os livros eletrônicos como protagonistas da próxima "revolução" na internet está a estatística de vendas de livros nos Estados Unidos.

E-books ainda não são tão populares no Brasil, mas em outros países já tomaram conta
E-books ainda não são tão populares no Brasil, mas em outros países já tomaram conta
Foto: Getty Images

Segundo a Associação Americana de Editores, as vendas de e-books em valor foram maiores que as dos livros convencionais no mês de fevereiro. A diferença já é de quase US$ 10 milhões a favor das versões eletrônicas (US$ 90 milhões contra US$ 81,2 milhões dos livros de papel). E mais: o crescimento dos e-books comparado ao ano passado foi de 202,3%.

Mas além dos Estados Unidos, a 'revolução' também acontece em outros países. Nações emergentes têm tentado atrair cada vez mais investimentos em tecnologia ou incentivar o consumo de aparelhos eletrônicos. No caso do Brasil, o Senado já aprovou a isenção de impostos para as obras eletrônicas no País. A iniciativa pode ajudar a dar fim a uma grande reclamação de leitores: o preço dos livros.

Outra medida importante é a fabricação do iPad no Brasil - anunciada neste ano. Ela pode também baratear o custo de tablets dependendo da tributação que o produto terá. Este fator pode contribuir ainda mais para a popularização dos e-books por aqui, já que o iPad, a exemplo de outros tablets, oferece suporte para a leitura de livros digitais.

Entre as vantagens do e-book está o custo menor por não haver necessidade de impressão. Outra é a facilidade para comprar online. O livro está disponível imediatamente após a aquisição, não precisa ser entregue por uma transportadora ou correio.

Distante ou não? Ameaça ou oportunidade?
Apesar dessas grandes mudanças, muitas pessoas não creem que os livros comuns sejam substituídos ou que exista alguma ameaça contra os impressos. Por exemplo, para Francisco Goyanes, dono da livraria independente Cálamo de Zaragoza, na Espanha, a médio prazo os livros digitais não são uma ameaça, mas sim uma oportunidade.

"Temos que pensar que o livro eletrônico é um aliado. Nós, os livreiros independentes, temos que pensar somente como oferecer esses livros", afirmou Goyanes à BBC.

A opinião de Goyanes é de que o mercado de livros impressos ainda é muito maior e, por isso, é preciso continuar atuante nele. Os dados comprovam a opinião do comerciante espanhol. Cerca de 82% das edições vendidas no mundo ainda são impressas.

Best-sellers eletrônicos
Muitos autores atualmente nem sabem o que é ter uma obra publicada da maneira tradicional. A norte-americana Amanda Hocking, 26 anos, é um exemplo. Ela ganhou mais de US$ 1 milhão somente com vendas de e-books na Amazon. Já são 19 livros de autoria de Amanda à venda - e somente na internet. Ela leva 70% da receita dos livros que produz, o que já pode ser considerado positivo para a classe artística em geral. No caso da americana, isso não é pouco: ela já vendeu mais de 900 mil cópias.

O escritor espanhol Fernando Trujillo Sanz é outro exemplo de boa receptividade na internet. Sanz publicou sua primeira obra digital em junho de 2010 e já vendeu sete mil exemplares.

Pirataria
A crescente presença de livros eletrônicos trouxe também uma grande dor de cabeça para escritores e editoras: a pirataria. Autores ingleses já chegaram a criar uma forte campanha pedindo para que as pessoas não façam downloads de livros digitalizados.

Uma das maiores vítimas foi o inglês David Hewson, autor de Fallen Angel. A obra do britânico foi lançada em fevereiro e, em menos de uma semana, estava disponível no torrent. A agente literária de Hewson, Carole Blake, diz que todos dias sem falhar o Google manda alertas de novas edições pirateadas de Hewson. "É uma guerra de muitos fronts", afirmou Blake ao jornal The Guardian.

Preferência
Muitos leitores assíduos de livros estão reclamando de ler pela internet ou por meio de novos dispositivos como o Kindle, da Amazon. Essa, aliás, era a única reclamação do escritor gaúcho Moacyr Scliar, quanto aos livros eletrônicos. Ele não considerava amigável folhear as páginas em uma tela de tablet.

No entanto, pesquisas já dizem que ao menos os jovens estão acostumados. No Reino Unido, estudo realizado somente com maiores de 18 anos, concluiu que 58% dos britânicos já preferem os e-books aos impressos. Além disso, 67% desses leitores disseram que a preferência é por ser mais fácil ler no Kindle (leitor eletrônico da Amazon).

Apesar da citada preferência, a pesquisa realizada pelo site myvouchercodes.co.uk, revela ainda que os ingleses também não estão lendo muito. Somente 26% dos 1.642 entrevistados tinham lido um livro nos últimos três anos.

No Reino Unido, a Amazon vende mais livros eletrônicos que em papel. A cada 115 livros digitais vendidos, outros 100 físicos são comercializados na terra da Rainha pelo site de compras.

Fonte: Terra
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