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Venezuela inicia instalação de cabo submarino que levará internet a Cuba

22 jan 2011
18h55
atualizado às 20h43
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Venezuela e Cuba inauguraram neste sábado os trabalhos de instalação de um cabo submarino de fibra óptica que dará à ilha uma nova forma de acesso à internet e que deve se transformar em um sistema de comunicação independente na zona do Caribe.

Em um ato no qual se destacou a ausência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, autoridades de ambos os países inauguraram as operações do projeto com várias explicações técnicas, enquanto um navio arrastava uma linha com boias indicando a rota do cabo.

"Avança a conexão de um cabo que vai permitir a comunicação multidirecional de todo o povo de Cuba com a Venezuela e com os povos irmãos do mundo", manifestou o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, no ato. "Este é um ato de justiça histórica que rompe o bloqueio criminoso dos Estados Unidos contra nosso país", destacou, por sua parte, o embaixador de Cuba em Caracas, Rogelio Polanco, na cerimônia, que ocorreu na zona litorânea de La Guaira, ao norte de Caracas.

Trata-se, acrescentou Polanco no ato transmitido ao vivo pela televisão, de "um passo gigante na independência, na soberania" de ambas as nações. Cuba acusa os Estados Unidos de impedirem o acesso normal da ilha à internet, apesar de vários cabos passarem perto de seu litoral, devido às restrições do bloqueio econômico que Washington mantém há 50 anos.

"Obrigado por tanta solidariedade. Seguiremos agradecendo sempre", disse o embaixador. O chefe da diplomacia venezuelana assegurou que "o imperialismo" americano e "seus criados" mantêm uma campanha "todos os dias contra Cuba", só comparável, disse, com a vivida pelos judeus durante séculos e que Adolf Hitler "encerrou com o massacre mais repudiável e asqueroso que se conhece".

O cabo constitui um "grande passo na revolução tecnológica", por isso "este é um dia da pátria grande e de vitória para nossos povos", remarcou. O chanceler destacou o desenvolvimento da iniciativa no marco da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), impulsionada por Cuba e Venezuela, e à qual também pertencem Bolívia, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas, Dominica, e Antígua e Barbuda.

Com um custo estimado de US$ 70 milhões, dinheiro investido em tecnologia obtida na China e na França, o cabo será colocado durante os próximos dias no mar por um navio que chegará até Praia Siboney, em Santiago de Cuba, no dia 8 de fevereiro, após cobrir 1,63 mil km.

O cabo permitirá a Cuba multiplicar por 3 mil sua capacidade de conexão à internet, uma limitação usada por Havana como razão para não permitir o acesso individual de toda a população. No entanto, isso não significará uma ampliação do acesso dos cubanos à internet, indicou em novembro o jornal Granma , do Partido Comunista de Cuba.

Os cubanos só podem acessar à internet através de organismos, instituições, companhias e entidades públicas, e empresas estrangeiras. Cuba usa uma conexão via satélite desde 1996 que, segundo o governo, precisa de uma licença do Departamento do Tesouro dos EUA para qualquer modificação.

Além de Cuba, o cabo terá um ramal com a Jamaica que estará pronto no dia 13 de fevereiro. A companhia francesa Alcatel-Lucent, que desenvolveu o projeto, explicou que a instalação será realizada por um navio que colocará o cabo para que seja instalado por um robô submarino.

O cabo descerá a uma profundidade de 200 m no litoral venezuelano e de 5,6 mil ou 5,8 mil m perto de Cuba, e terá uma vida útil de 15 a 20 anos. Uma vez instalado, a gestão do cabo recairá na empresa cubano-venezuelana Telecommunicaciones Gran Caribe SA (TGC).

O sistema de cabo será administrado por Cuba e Venezuela 24 horas por dia, sete dias na semana, por técnicos especializados de ambos os países, segundo fontes oficiais.

EFE   

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