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William Bonner é "orkutizador", diz consultora no youPIX

17 ago 2011
19h08
atualizado em 18/8/2011 às 19h28
Simone Sartori
Direto de São Paulo

A jornalista especializada em tecnologia e consultora de mídias sociais Elis Monteiro afirmou, na tarde desta quarta-feira, no primeiro dia do youPIX, autoproclamado maior festival de cultura de internet do Brasil, realizado em São Paulo, que o apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, William Bonner, é 'orkutizador' e que por esse motivo parou de segui-lo no Twitter. A declaração foi dada durante um debate sobre orkutização, termo criado para explicar uma suposta "invasão" de usuários do Orkut em outras redes sociais, como Twitter ou Facebook.

Para a jornalista Elis Monteiro (de branco, no centro), apresentador do JN é "orkutizador" no Twitter
Para a jornalista Elis Monteiro (de branco, no centro), apresentador do JN é "orkutizador" no Twitter
Foto: Reinaldo Marques / Terra

"No Twitter, convivemos com um público muito diverso. O interessante é que se aceita o comportamento 'orkutizador' por parte de algumas celebridades, mas não se aceita comportamento 'orkutizador' por parte de quem é pobre ou de quem não é celebridade ou de quem tem menos de 100 seguidores no Twitter. Eu parei de seguir o William Bonner, por exemplo. Ele é meu colega de jornalismo, mas parei de segui-lo porque ele é um 'orkutizador'. Ele fica 'floodando'... 'Floodar' não é orkutizar? Tem várias pessoas que eu parei de seguir porque elas se comportam muito mal no Twitter. Tem pessoas que não seguem ninguém e escrevem 50 tweets por dia. Isso não é orkutização?", questionou a jornalista.

Em um debate com outros quatro participantes, jovens que se tornaram referência por blogs ou comunidades na internet, Elis argumentou ainda que a discussão sobre 'orkutização' expõe não só a "etiqueta" na rede social, mas também um questionamento sobre a inclusão digital x classe social, e que um dos maiores problemas da sociedade atualmente é lidar com a desigualdade.

Termo pejorativo
Para o estudante Bruno Antunes, que criou um grupo no Facebook chamado "Não à Orkutização no Facebook", os usuários da rede social utilizam a ferramenta de modo errado. "Eu não sou extremista e não concordo com esses termos, mas acho que há o uso errado das ferramentas. Toda ferramenta tem o seu foco e forma de usá-la. É praticamente irritante saber 'o que a pessoa está fazendo' (como sugere o Twitter). O Facebook foi só um lugar onde as pessoas começaram a se reunir, e não importa a classe social. Mas o que me incomoda é o uso da ferramenta de modo errado e criar correntes. E criar correntes é um negócio que se popularizou no Orkut, mas isso é desde o e-mail", defendeu o jovem.

Nicolas Vargas, creative producer na @colmeia e editor do Brainstorm#9, criticou os argumentos do estudante sobre a utilização da ferramenta. "Acho meio estúpido, na verdade, essa defesa, boba, ingênua. Quem é a gente para fiscalizar o uso de rede social? Você não precisa seguir quem, na sua cabeça, usa errado a rede social. Acho uma idiotice aquelas pessoas também que comemoram quem bloqueou outras pessoas", polemizou.

A projetista Suzana Fukushima, que integra o Acessa SP - uma rede de projetos de inclusão digital -, comentou de maneira mais clara e objetiva o tema. Para ela, a discussão é bem ampla e pode revelar um "preconceito" que já existe longe do mundo virtual. "Esse termo 'orkutização' é bem amplo, não é essa luta, esse embate entre as redes sociais, não é o pessoal do Orkut querendo 'invadir' o Twitter, o Facebook. Orkutizar é um termo pejorativo e gera um preconceito quando se fala que as classes menos favorecidas, de nível econômico mais baixo, vão sujar, causar incômodo nas pessoas que se julgam elitizadas nas mídias sociais", disse ela, que defendeu um "direcionamento" sobre o uso das ferramentas.

"As pessoas que não têm nenhum nível educacional, elas querem usar do jeito delas, então cabe apenas um direcionamento. As pessoas são educadas para produzir conteúdos e, aí sim, elas vão ter noção do uso correto. Não existe regra para comportamentos adequados nas redes sociais. Se esse preconceito existe 'face-to-face', ele fica mais evidente nas redes sociais", afirmou Suzana.

O festival youPIX tem uma ampla programação e seguirá até a próxima sexta-feira (19), no Porão das Artes, no Parque Ibirapuera, zona sul de São Paulo. Para mais informações, o site oficial do evento é: youpix.com.br/.

Fonte: Terra

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