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John McAfee faz pedido formal de asilo político à Guatemala

5 dez 2012
20h52
atualizado às 23h15

John McAfee, o milionário americano criador do antivírus que leva seu sobrenome, apresentou nesta quarta-feira através de seu advogado um pedido formal de asilo à Guatemala sob o argumento de que é "um perseguido político" do governo de Belize, país no qual se radicou em 2008.

John McAfee concede entrevista na Cidade da Guatemala, onde busca asilo por se considerar um "perseguido político"
John McAfee concede entrevista na Cidade da Guatemala, onde busca asilo por se considerar um "perseguido político"
Foto: Reuters

Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores guatemalteco disse à Efe que o advogado de McAfee, Telésforo Guerra, apresentou o pedido na sede da Chancelaria. "O advogado apresentou o pedido na recepção do Ministério, e agora as autoridades verificarão se cumpre todos os requisitos da lei", disse a fonte.

Por sua vez, em declarações à imprensa local, Guerra disse que "o pedido de asilo deve ser declarado por razões humanitárias" pelas autoridades diplomáticas da Guatemala. Horas antes, o chanceler guatemalteco, Harold Caballeros, tinha dito que se McAfee apresentasse a solicitação formal de asilo, a Chancelaria procederia a obter informação para poder respondê-la.

"Sabemos que Belize queria interrogá-lo pela morte de um vizinho, isso é o que eu entendo, mas não há nenhuma acusação formal", afirmou o chanceler.

O diplomata destacou que a Guatemala possui uma "excelente relação" com Belize, apesar da disputa territorial entre amos os países há mais de 150 anos. McAfee, criador do famoso antivírus que leva seu sobrenome, anunciou ontem que pediria asilo à Guatemala após se declarar como um "perseguido político" do governo de Belize.

"Sou um perseguido político do governo de Belize. Um governo muito corrupto que enviou seus soldados para me perseguir porque decidi deixar de apoiá-lo com dinheiro", declarou McAfee, de 67 anos.

O excêntrico milionário esteve escondido e dando pistas falsas sobre seu paradeiro através de um blog para evitar as autoridades belizenhas, que o querem interrogar pelo caso do assassinato, há duas semanas, do americano Gregory Faull, de 52 anos, seu vizinho na cidade de Ambergris Caye.

Entenda o caso
John McAfee é o principal suspeito do assassinato do expatriado americano Gregory Faull, seu vizinho em San Pedro, Belize, país da costa nordeste da América Central, ao lado do México e da Guatemala. Faull foi encontrado morto com um tiro na cabeça na noite do dia 10 de novembro em sua casa. A polícia procurou McAfee no domingo (11) para interrogatório, mas ele se enterrou em um buraco na areia da praia, de onde observou a movimentação policial por 18 horas, e escapou dos agentes.

Para continuar fugindo da polícia, McAfee também pintou o cabelo. No dia 4 de dezembro, ele chegou à Guatemala, onde pede asilo político. Ele cruzou a fronteira entre os dois países ilegalmente acompanhado da sua noiva. De acordo com o jornal El País, o milionário andava armado como um mercenário em Belize. Desde que iniciou sua fuga, McAfee acusou ex-funcionários de planejarem incriminá-lo e matá-lo e, em uma entrevista, negou ser paranoico.

Segundo McAfee, que vem relatando sua fuga em um blog, ele está 'na mira' das autoridades desde que se negou a fazer uma contribuição a um político local. Em abril deste ano, ele teve sua casa em Belize invadida por policiais, que encontraram um laboratório de química, US$ 20 mil e um estoque de armas de fogo. McAfee chegou a oferecer US$ 25 mil como recompensa para quem provar sua inocência. Em 2010, McAfee vendeu para a Intel a empresa que criou em 1980. Desde então, não tem mais participação na companhia, que ainda leva seu nome.

EFE   
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