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Nasdaq oferece armazenamento de dados financeiros na nuvem

31 out 2012
08h05
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Desde o fim de setembro, a operadora da bolsa de valores Nasdaq OMX dispõe de uma plataforma para que bancos e corretoras possam armazenar dados financeiros na nuvem. O FinQloud, desenvolvido pela Amazon Web Services (AWS), é um serviço de nuvem privada, oferecido exclusivamente para companhias que atuam no mercado financeiro e conta com ferramentas como gerenciamento e análise de informações.

Operadora da bolsa de valores Nasdaq OMX lançou serviço de armazenamento na nuvem
Operadora da bolsa de valores Nasdaq OMX lançou serviço de armazenamento na nuvem
Foto: Gary Yim / Shutterstock



O lançamento do FinQloud atende, segundo a Nasdaq, à demanda por mais transparência nas informações sobre operações do mercado, a fim de que as autoridades possam detectar práticas ilícitas ou de risco nas negociações. Além disso, a operadora assegura que a adoção da plataforma permitirá às companhias reduzir custos com armazenamento dos dados. Para o engenheiro de sistemas do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) Felipe Ferraz, o volume de informações mantido por companhias dessa área requer grandes investimentos em infraestrutura. "O clouding é uma maneira de oferecer esse serviço a um custo que, a médio ou longo prazo, se torna mais baixo", explica.



As preocupações com segurança geralmente fazem com que bancos e corretoras mantenham sistemas internos para estocar esse tipo de informação. O baixo risco oferecido pela nuvem, contudo, pode elencá-la como uma opção de sistema a ser adotado nas operadoras de bolsa, na opinião de Ferraz. "É uma nuvem fechada, um serviço específico para essas empresas", analisa. Entre os mecanismos empregados nesse tipo de arquitetura, a confirmação de autenticidade da entidade que faz a contratação do serviço, a restrição dos usuários e a informação encriptada podem reduzir consideravelmente a possibilidade de o sistema ser invadido. "A criptografia utilizada se baseia em um esquema de chaves onde cada companhia tem a sua", detalha o engenheiro.



Segurança não é satisfatória

O professor do departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB) João Gondim destaca, entretanto, que a tecnologia disponível hoje em termos de segurança na computação em nuvem não é totalmente satisfatória. "Tem que amadurecer em certos aspectos", justifica. A adoção do sistema deve ser avaliada segundo uma série de fatores, como confiabilidade no serviço, a disposição em efetuar a transferência de responsabilidade sobre os dados e a preservação da privacidade e da identidade, a partir da certificação de quem acessa os dados e da garantia de confidencialidade e sigilo. Mesmo assim, Gondim vê a área como promissora. "Como organização, colocar seus dados estratégicos pode ser algo mais complicado. Mas você pode usar com grau aceitável de segurança", define.



A decisão das companhias do mercado financeiro de migrar ou não do sistema fechado para a nuvem, na avaliação de Ferraz, deve ser influenciada principalmente pela questão econômica, uma vez que cada modelo de armazenamento tem suas características. "Os dois oferecem segurança", entende o engenheiro. Para o professor da UnB, também se trata de uma decisão estratégica.



No futuro, caso a experiência da Nasdaq OMX se mostre bem sucedida, Gondim aposta na tendência. "Dando certo, quem mais tiver informação com valor agregado vai por esse caminho", opina. Do ponto de vista econômico, Ferraz observa que a nuvem pode se tornar inclusive uma necessidade para essas companhias, se levado em conta o volume de dados. "Acredito que nada impeça que outras operadoras financeiras criem esse serviço, desde que respeitando as regras de cada órgão regulamentador", acrescenta.



Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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