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Além da aliança com a Microsoft, Nokia anuncia demissões

11 fev 2011
11h21
atualizado às 12h26

A líder mundial do setor de telefonia celular, a finlandesa Nokia, anunciou nesta sexta-feira uma aliança na área dos "smartphones" com a gigante americana Microsoft como parte de uma nova estratégia, que inclui cortes substanciais de empregos. Os investidores parecem decepcionados e a ação da Nokia chegou a registrar queda de 9,44%, a 7,39 euros, na Bolsa de Helsinque, que por sua vez registrava uma baixa de 0,87%.

Elop (esq.), da Nokia, e Ballmer, da Microsoft, falam do acordo em entrevista coletiva
Elop (esq.), da Nokia, e Ballmer, da Microsoft, falam do acordo em entrevista coletiva
Foto: Divulgação

O sistema operacional para telefones da Microsoft, o Windows Phone, será o principal programa dos "smartphones" (telefones multifunção) da Nokia, anunciou o grupo finlandês, que tenta contra-atacar o ascensão de Apple e Google no mercado. O presidente de Nokia, Stephen Elop - um ex-executivo da Microsoft que se tornou em setembro o primeiro estrangeiro a assumir o comando do grupo finlandês -, fez o anúncio do novo plano estratégico.

"A Nokia está em um ponto de inflexão, no qual mudanças são necessárias e inevitáveis para continuar avançando", disse Elop, pouco antes de uma reunião com investidores em Londres para explicar a nova estratégia. Elop disse que as duas empresas "combinam forças para entregar um produto sem rivais a nível global". "Agora é uma corrida entre três cavalos", completou.

Na quinta-feira, em um e-mail enviado a funcionários do grupo, ele advertiu que a "Nokia está em uma plataforma em chamas cercada por um violento incêndio". O executivo da Nokia também anunciou demissões substanciais em várias unidades do mundo, como parte da aliança com a Microsoft.

Para alguns analistas, a associação dará à Nokia o benefício dos grandes recursos e da experiência da Microsoft na área da computação, essencial para os produtos de nova geração, enquanto o grupo finlandês pode ajudar a gigante americano a estabelecer uma posição no mercado de telefones celulares. Para outros, como o Espirito Santo Investment Bank, o sistema operacional Windows não conseguiu se estabelecer e uma associação com a Google, cujo programa Android também era uma opção para a Nokia, teria sido uma escolha melhor.

"Há tantas perguntas ainda sem resposta, como por exemplo o calendário. A Nokia está começando quase do zero. Pergunto-me em quanto tempo poderá ter a nova estratégia funcionando", destaca o analista Hannu Rauhala, do Pohjola Bank. A Nokia advertiu que 2011 e 2012 serão "anos de transição", com a implementação da nova estratégia. Mas o maior desafio da Nokia é admissão tácita de que o sistema operacional Symbian que desenvolveu não conseguiu ser competitivo como esperava, como demonstra o anúncio da associação com a Microsoft.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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