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Hugo Barra: Brasil caminha para ter Vale do Silício nacional

5 ago 2013
09h38
atualizado às 09h58
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O brasileiro Hugo Barra, vice-presidente de Produtos do Android do Google, acredita que o Brasil está dando passos na direção certa para ter uma espécie de Vale do Silício nacional - nos Estados Unidos, a região é o berço de muitas gigantes de tecnologia. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o mineiro formado em Ciências da Computação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) americano afirmou que "várias empresas no Brasil estão se destacando" globalmente, e que além dele há vários profissionais do País em cargos importantes nos EUA. "Brasileiros se preparam muito. Universidades brasileiras, principalmente quanto aos cursos de engenharia, são tão boas quanto as do resto do mundo", garantiu. Sobre o florescimento da indústria de tecnologia verde-amarela, Barra diz que "é uma questão de ecossistema", o que inclui não escolas profissionais - de programação, mas também "de design, de arte, que são componentes importantes de uma startup" - e investimento. "Hoje, aqui em São Paulo, boa parte dos VCs (investidores de capital de risco) do Vale do Silício já têm representação, então isso também já se resolveu. As próprias universidades também têm núcleos que incentivam o empreendedorismo", afirmou ao jornal paulista quando esteve no Brasil semana passada para o Infotrends. Barra ponderou, por outro lado, que "a parte de processos burocráticos e logística necessários para registrar uma empresa no Brasil sempre foi um problema e continua sendo".

<p>Vice-presidente de Produtos do Android do Google também comenta que Brasil é um dos principais focos do gigante das buscas</p>
Vice-presidente de Produtos do Android do Google também comenta que Brasil é um dos principais focos do gigante das buscas
Foto: Reprodução

O mineiro ainda comentou, durante a entrevista, que a imagem do Google não foi afetada após as denúncias de que o gigante de Mountain View seria uma das empresas que forneceu dados à agência nacional de segurança americana (NSA) no escândalo de espionagem em massa de dados virtuais. Barra garantiu que o Google "só disponibiliza informações em casos extremos, quando existe ordem judicial" e que não houve diminuição no uso nem alteração em nenhum comportamento dos usuários em relação aos serviços do Google. Quanto à proposta do governo brasileiro de obrigar empresas de tecnologia a ter servidores no País para armazenar dados dos usuários daqui, Barra afirmou que o gigante das buscas pauta a construção de datacenters "de forma que usuários tenham acesso mais fácil e rápido aos serviços", e ressaltou que "proximidade geográfica não quer dizer proximidade do ponto de vista de rede". Ele ainda afirmou que o Google apoiava integralmente a versão original do Marco Civil da Internet, mas que ele, pessoalmente, não está a par da versão alterada, que tramita no Congresso. O brasileiro destacou que o País é uma das prioridades de Mountain View, o que justificou pelo grande número de usuário e pela "cabeça muito aberta" que a população de sua terra natal tem para experimentar "coisa nova". "O tipo de feedback que conseguimos aqui no Brasil não é tão comum no resto do mundo", resumiu. Barra finalizou comentando sobre o Google Glass, destacando a capacidade embarcada dos óculos inteligentes e opinando que "que o mundo ainda não entendeu o potencial de inovação que o Google Glass como plataforma tem a proporcionar".

 

Fonte: Terra
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