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Jobs é o Obi-Wan da Apple, diz autor de 'A Cabeça de Steve Jobs'

3 out 2012
07h42
Guilherme Neves

Luzes apagadas, velas acesas, vinho e amigos reunidos ao redor de uma caixa. Todo esse clima para desembalar um computador. O que pode parecer loucura para alguns, é apenas um dos muitos rituais que fãs da Apple realizaram, e ainda realizam, segundo Leander Kahney, o autor de The Cult of Mac, publicado em 2006 e A Cabeça de Steve Jobs (2008).

Leander Kahney diz que o bom momento iniciado por Jobs deve demorar para esfriiar
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Foto: Divulgação

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Para ele, apesar da morte do guru Steve Jobs em 5 de outubro de 2011, o culto ao Mac continua vivo, firme e forte. "Steve Jobs se tornou um tipo de Obi-Wan Kenobi. Ele ainda preside a empresa em tudo que ela faz", brincou Kahney.

Kahney, que também assina o livro The Cult of iPod (2005), deu sua avaliação sobre o primeiro ano da Apple sem Jobs ao Terra, em entrevista concedida da redação do site Cult of Mac, que criou após passar pelas redações da revista Wired, Scientific American e The Guardian, entre outras.

Reforçando a tese, o escritor cita o caso do iPhone 5 - último grande lançamento da empresa, cujo estoque de pré-venda se esgotou em cerca de uma hora, e que vendeu 5 milhões de unidades em três dias. Tudo no embalo da era Jobs.

"Jobs morreu enquanto a empresa estava num momento ótimo, e é muito difícil desacelerar esse tipo de momento", disse Kahney.

Neste um ano, a empresa atingiu novos patamares de valorização - inclusive se tornando mais valiosa que a Microsoft - um indicativo de que a saúde da companhia seguirá forte por muito tempo.

"Na verdade, eles poderiam cometer muitos erros e ainda assim serem muito bem-sucedidos. Leva 10 anos para destruir uma empresa. Veja a Microsoft. Desde que Gates foi embora está em declínio, mas ainda é uma grande empresa. Mesmo que a Apple tenha começado a declinar há um ano, vai levar muitos anos mais para que ela comece a ter problemas. Mas ainda não há nenhum sinal (de derrocada na Apple) ... é muito cedo para dizer se há problemas graves ou se há apenas 'soluços'", avaliou.

Segundo o autor, a pessoa de Jobs deve manter a empresa, não só pelo legado empresarial, mas pela visão do cofundador da companhia, ainda presente na cultura da Apple.

"Jobs era um homem de negócios nada usual, interessado em artes e na cultura tanto quanto nos negócios e na tecnologia. E ele tinha uma grande visão sobre a tecnologia. Ele queria torná-la acessível para todo mundo. Basta olhar ao redor, a tecnologia é o centro das nossas vidas e ele é um dos grandes responsáveis por isso", opinou.

Ainda assim, algumas coisas na Apple contrariam o jeito Jobs de liderar. Dias após o lançamento de um aplicativo próprio de mapas, por exemplo, o atual CEO Tim Cook veio a público desculpar-se pelos problemas no programa.

"É difícil imaginar Steve Jobs se desculpando por um produto da Apple", disse o jornalista britânico.

Enquanto segue acompanhando as movimentações da Apple, Kahney trabalha em um novo livro, que deve ser lançado no ano que vem, sobre outra figura chave no culto que permeia a empresa. À semelhança de A Cabeça de Steve Jobs, o lançamento vai analisar o designer Jonathan Ive, vice-presidente Sênior da empresa desde a morte de Jobs, e líder do departamento de design industrial da Apple desde 1996.

"Ele (Ive) é a segunda pessoa mais importante e carismática da Apple. Cook construiu a empresa, mas Ive construiu os produtos. Ele tem uma história interessante que nunca foi contada", finalizou Kahney.

Fonte: Terra
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