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No fisl12, Maddog afirma que o Linux é "inevitável"

2 jul 2011
19h48
atualizado às 19h50
Emily Canto Nunes
Direto de Porto Alegre

Para um auditório lotado, com gente saindo pelas portas e escadarias transformadas em cadeiras, Jon Maddog Hall lembrou a história do Linux e disse que o sistema é "inevitável". O presidente da Linux Internacional participou, no final da tarde deste sábado, do fisl 12, evento realizado desde quarta-feira na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Sempre bem-humorado, Maddog traçou uma linha do tempo desde o Unix, de onde deriva o sistema, antes mesmo do nascimento do criador do Linux, Linus Torvalds.

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Foto: Tárlis Schneider/Ag Freelancer / Especial para Terra

Hoje no comando da Linux Internacional, uma associação sem fins lucrativos de empresas de grande relevância internacional na área de tecnologia da informação (TI) que desejam promover sistemas operacionais baseados em Linux, Maddog foi o principal responsável pelo surgimento do Linux. Seu interesse pelo sistema surgiu em 1994, na época em que trabalhava na Digital e cobrou favores de seus colegas para conseguir equipamentos e recursos para que Linus Torvalds pudesse completar seu primeiro porte, uma versão do Linux para a plataforma Alpha da Digital. Nessa época, Linus ainda morava na Finlândia.

"Eu sou um colecionar de pianos, não sei vocês sabem, de qualquer piano você consegue extrair um som tocando alguma tecla, mas quando você toca um piano realmente bom, o som sai realmente diferente, uma joia. Quando meus dedos tocaram aquele teclado rodando Linux, eu me senti assim, tocando uma joia", afirmou sobre o momento em que conheceu o Linux. "Quando me perguntaram por que eu estava investindo tanto nisso, eu disse o que repito agora 'o Linux é inevitável'. Nada vai parar o Linux, ele vai acontecer".

"O projeto todo envolvendo o Linux levou nove meses de 1995, e foi nessa época que eu percebi o poder da comunidade, pois as pessoas compravam o microprocessador de 64 bit Alpha para ajudar o Linus, compartilhavam bibliotecas porque queriam ver a ideia sendo bem sucedida", disse Maddog. Para exemplificar que espécie de hardware Linus Torvalds tinha em mãos para desenvolver a ferramenta, Maddog contou que foram necessários 160 processadores Alpha para renderizar o filme Titanic em um ano por conta dos seus efeitos especiais.

Em 16 anos, tempo que Linus e Maddog estão envolvidos com o sistema, que nasceu em 1991 enquanto Linus estava na faculdade, o Linux se tornou o principal sistema operacional. De acordo número apresentados por Maddog, 98% dos supercomputadores do mundo e metade dos servidores são Linux. Além disso, mais desktops com Linux são vendidos do que MACs, da Apple, e o Android, que é baseado em Linux, é mais comercializado do que o sistema operacional do iPhone, o iOS.

Por fim, Maddog falou sobreo futuro do Linux. "Prever o futuro é sempre difícil, mas eu já acertei algumas vezes, quando apostei no Linux, quando disse que o CD-ROM seria o principal meio de distribuição de softwares", disse. Dentre as previsões de Maddog, algumas sérias e outras nem tanto, estão a de em 2015 a Nokia vai desistir do Windows Phone e usar Android e que Steve Ballmer, CEO da Microsft, vai admitir que usa GNU/Linux desde sempre. Em 2020, segundo Maddog, aqueles que usam software privados vão ser chamados de idiotas e a guerra entra a Apple e Microsoft terá fim com a vitória da cultura do livre. E, em 2030 vai se aposentar e, em 2060, o software livre vai trazer a paz mundial.

Antes de se despedir, Maddog, que é presença constante no fisl, mostrou uma camiseta que ganhou durante esta 12ª edição e que dizia algo como: "sim, você pode tirar uma foto, mas tenha certeza de que a câmera está configurada, que as pessoas que devem estar na foto estão no local e que tudo está pronto". No fisl12, Maddog é mais concorrido que o mascote do Linux, o pinguim Tux.

Fonte: Terra
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